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CAPÍTULO 3

작가: Árvore Florida
Nossos olhares se cruzaram.

Depois de um longo silêncio, Vincent perguntou:

— Ainda dói?

Balancei a cabeça.

— Não vai mais doer.

Ele pareceu perceber o significado oculto por trás das minhas palavras. Franziu a testa e, em seguida, acariciou meu braço com delicadeza.

— Não se preocupe. Vou conseguir o melhor médico para você. Não vai ficar nenhuma cicatriz.

Depois de dizer isso, levantou-se e trancou a porta. Ao voltar para o meu lado, pegou outra colherada de sopa e soprou para esfriá-la antes de aproximá-la dos meus lábios.

Estendi a mão e afastei a colher.

A sopa quente respingou no dorso da mão dele, deixando sua pele imediatamente avermelhada.

Vincent ficou imóvel por um instante. No segundo seguinte, segurou meu pulso com força e o prendeu contra a cabeceira da cama. Então aproximou o rosto do meu até que eu pudesse sentir sua respiração contra a minha pele.

— Querida, pare com isso — murmurou, com a voz rouca.

Antes que eu pudesse reagir, Vincent pressionou os lábios contra os meus à força.

Mordeu meu lábio e invadiu minha boca com a língua.

Eu me debati violentamente, tentando afastá-lo, mas, quanto mais resistia, mais ele me pressionava contra a cama. O beijo se tornou ainda mais agressivo e exigente, como se quisesse me devorar por inteiro.

Não sei quanto tempo aquilo durou até que ele finalmente me soltasse.

Vincent passou o dedo pelo canto da boca e limpou o sangue provocado pela minha mordida.

— Eloise, você sabe que eu não gosto de ser rejeitado. Não deixe isso acontecer de novo.

Ofeguei em busca de ar.

Tudo o que sentia naquele momento era repulsa.

Foi então que o celular dele começou a tocar.

Desta vez, Vincent fez menção de silenciar a ligação, mas coloquei a mão sobre a dele.

— Pode atender. Não vou mais fazer nenhuma cena.

Ele hesitou por alguns segundos antes de pegar o aparelho e caminhar em direção à porta.

Antes de sair, porém, voltou até a cama e ajeitou o cobertor sobre mim.

— Mais tarde, vou mandar alguém trazer sua mãe para fazer companhia a você.

Depois disso, finalmente foi embora.

O quarto voltou a ficar em silêncio.

Nunca havia me sentido tão exausta.

Minha mãe?

Vincent, eu já não tinha mais mãe.

No entanto, ainda tinha um pai.

Peguei o celular e verifiquei novamente o horário de partida do meu voo. Ao ver quanto tempo faltava, senti o peso sobre o meu peito finalmente começar a diminuir.

Naquela noite, Vincent me enviou uma mensagem.

"A gravidez de Madison está instável. Preciso ficar com ela esta noite. Descanse com sua mãe. Amanhã vou ver você."

Fazia muito tempo que ele não me enviava uma mensagem tão longa.

Nos últimos tempos, nossas conversas haviam se transformado em nada além de um monólogo da minha parte.

"Quando você vai voltar para casa?"

"Você ainda vai voltar hoje?"

"Quando exatamente você vai voltar?"

A mulher que antes sorria com tanta facilidade havia se transformado em alguém amarga, quase enlouquecida.

Talvez Vincent e eu não tivéssemos nos afastado apenas porque Madison estava grávida.

Talvez eu também tivesse mudado.

Mas tudo aquilo terminaria em breve.

Eu não continuaria me agarrando a ele, recusando-me a deixá-lo partir.

Só precisava suportar aquela noite e o dia seguinte. Depois disso, nada daquilo teria mais relação comigo.

Mas Madison não tinha a menor intenção de permitir que eu fosse embora tranquilamente.

No meio da noite, a porta do meu quarto foi aberta com um chute.

Madison entrou.

— Não acredito que você está grávida, sua vadia! Se este hospital não estivesse cheio de gente do meu lado, o senhor Hartwell já teria descoberto.

O quarto estava escuro, mas nem mesmo a escuridão conseguia esconder a crueldade estampada no rosto dela.

Imediatamente, apertei o botão para chamar a enfermagem e peguei a faca de frutas que estava sobre a mesa de cabeceira.

Madison foi mais rápida.

Arrancou a faca da minha mão e apontou a lâmina diretamente para o meu ventre.

Quando estava prestes a golpeá-lo, passos ecoaram pelo corredor.

Era Vincent.

A expressão de Madison mudou no mesmo instante.

Aproveitei a oportunidade e corri em direção à porta, mas ela colocou o pé na minha frente e me fez tropeçar.

Caí no chão.

Quando virei a cabeça, vi Madison abrir um sorriso triunfante.

Então, diante dos meus olhos, ela enterrou a faca profundamente no próprio abdômen.

As luzes se acenderam.

O vestido branco dela já estava manchado de vermelho.

Vincent chegou à porta e parou abruptamente ao ver a cena.

No segundo seguinte, correu até Madison e pressionou as mãos desesperadamente contra o ferimento.

— Médico! Chamem um médico agora!

Sua voz tremia.

Tudo virou um caos.

Até eu fiquei atordoada.

Não imaginava que Madison fosse capaz de ser tão cruel consigo mesma.

Ela ergueu os olhos para Vincent. Com o rosto coberto de lágrimas, parecia frágil e indefesa.

— Eu só vim ver como a senhora Hartwell estava porque soube que ela estava doente. Por que ela faria uma coisa dessas comigo?

Sua voz falhou.

— Senhor Hartwell, me desculpe... Eu não consegui proteger nosso filho. Sinto muito.

Assim que levaram Madison dali, Vincent se virou para mim.

Não tive sequer a oportunidade de explicar.

Ele agarrou minha roupa pela gola e me ergueu.

Seus olhos estavam completamente vermelhos.

Raramente eu o havia visto tão transtornado.

A última vez tinha sido quando fui sequestrada por uma família rival. Ao encontrar os ferimentos espalhados pelo meu corpo, Vincent quase espancou os sequestradores até a morte com as próprias mãos.

Naquela época, toda aquela fúria havia sido por mim.

Agora, era direcionada contra mim.

— Eloise!

Ele rugiu meu nome.

A força com que me segurava era tamanha que meus pés deixaram o chão.

Levei as mãos ao braço dele, tentando respirar, mas meus pulmões pareciam incapazes de receber ar.

Quando estava prestes a perder a consciência, Vincent finalmente me soltou.

Meu corpo atingiu o chão com força.

No mesmo instante, uma dor dilacerante atravessou meu ventre.

Então senti algo quente escorrendo entre minhas pernas.

Sangue.

Ele se espalhava lentamente pelo chão, misturando-se ao sangue que Madison havia deixado para trás.

O medo tomou conta de mim.

Estendi a mão e agarrei a barra da calça de Vincent.

— Chame um médico... — implorei, reunindo as últimas forças que me restavam. — Eu realmente estou grávida.

Vincent abaixou os olhos para mim.

— Grávida?

Uma risada fria escapou de seus lábios.

— Eloise, acho que você enlouqueceu de tanto querer ter um filho.

Ele arrancou minha mão de sua roupa e segurou meu queixo com força.

— Você acha que isso termina aqui?

Seu olhar era gelado.

— Eloise, se esse bebê morrer, vou continuar dormindo com ela ou com qualquer outra mulher até que finalmente nasça um herdeiro.

Naquele dia, Vincent não precisou me castigar de nenhuma outra maneira.

Apenas me deixou com aquelas palavras.

E elas doeram cem vezes mais do que quando ele havia me trancado no jardim.

Todos os médicos foram chamados para cuidar de Madison.

Ninguém veio até mim.

Permaneci ali até chegar a notícia de que o bebê dela estava fora de perigo.

Só então alguém finalmente apareceu para me ajudar.

Uma enfermeira se abaixou ao meu lado.

Agarrei sua manga com os dedos trêmulos e levei a outra mão ao ventre.

Minha voz saiu tão fraca que mal consegui ouvi-la.

— Meu bebê... ainda está vivo?

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