Mag-log inE ele a quis rápido demais. Quis ir fundo demais, ignorando as diferenças gritantes deles. Quis como não queria ninguém há anos. E, pior, quis agora, sem esperar, sem analisar, sem pesar riscos. Ele só queria fugir do tédio, dos gatilhos emocionais.
Dominic se aproximou, com a voz calma que parecia deslizar pela pele dela.
— Vamos embora. Comemorar que nos conhecemos!
Falou apenas isso, sem nenhuma pergunta. Martina aceitou com um aceno simples, quase elegante demais para alguém com tão pouco. Mas ali estava o segredo: ela sabia executar performances. Sabia entrar em papéis. Sabia parecer a mulher que um homem como Dominic escolheria.
Ela apenas não sabia que, naquela noite, Dominic não queria parecer nada, ele só queria sentir.
E assim, sob o barulho abafado dos graves, ela o seguiu, de mãos dadas. Ele pegou o carro e enquanto dirigia, conversaram sobre coisas variadas, ela era muito alto astral, e ele estava esquecendo um pouco até de si.
Foram para um hotel, de luxo, enquanto entravam, o som dos saltos ecoou no mármore, numa postura quase insolente, enquanto ele caminhava à frente, carregando consigo a certeza de que estava levando para o quarto não apenas uma mulher, mas uma ruína possível. Ela ria e admirava o lugar, lindo e diferente de todos, que ela já havia ido.
A porta da suíte se fechou atrás deles, tão sutil que só aumentou o silêncio carregado que se instalou entre os dois. Era como se a cidade inteira, lá fora, tivesse desaparecido de repente, deixando apenas aquele quarto absurdamente luxuoso, onde tudo brilhava demais. Dominic passou pelo espaço como se fosse parte do hotel inteiro e era, de fato, acostumado com ambientes assim, onde o luxo não servia para impressionar, mas para lembrá-lo de quem ele era.
Martina, por sua vez, entrou como alguém que acabou de chegar ao paraíso e sabia que não poderia demonstrar deslumbramento… mas falhou miseravelmente assim que viu a banheira de hidromassagem. Era enorme, branca, decorada como as que ela só tinha visto em vídeos de viagens. Ela prendeu a respiração, com a mão indo instintivamente para o peito, com o brilho no olhar entregando sua origem.
— Uau, que cheiro gostoso.
— Meu Deus… O gelo nem derreteu ainda. — escapou num deslumbre que ela não conseguiu conter, olhando o balde com as bebidas.
Dominic a observou com aquele sorriso quase imperceptível, o sorriso de um homem que conseguia ver além das máscaras, além da postura treinada, além da maquiagem cara. Ele via a verdade: uma garota que veio do pouco, que fingia grandeza, mas que ainda se encantava com o que era novo. Isso o divertiu. Aquilo era humano. E Dominic, que já não encontrava humanidade em lugar nenhum, achou aquilo… interessante.
Ele largou as chaves, os objetos pessoais na mesa, abriu a camisa com calma, como se o mundo inteiro precisasse acompanhar o ritmo que ele ditava e disse em um tom que a fez ficar atenta, para a encenação:
— Não se apaixone pela banheira. Ainda tem mais coisas chegando.
— Está com fome? Eu pedi frutas.
Ela sorriu, tímida por um segundo, antes de recuperar o ar de mulher que sabia o que queria.
— Não estou.
— Você sempre traz mulheres aqui? — perguntou, tentando transformar a insegurança em ironia.
Dominic aproximou-se devagar, tão devagar que Martina sentiu o corpo inteiro reagindo antes mesmo de ele tocá-la.
— Não — respondeu simplesmente, deixando a palavra cair no ar como um segredo.
Ela disse que não acreditava, ele respondeu a acariciando nos braços.
— Mais você perguntou se eu trago as mulheres. Perguntou se trago. E eu não trago. Elas vem sozinhas.
Martina ficou desconcertada, curiosa.
— Entendi.
Ele percebeu, que ela pensou algo, que não queria falar.
— Quer encher a banheira?
Ele sempre percebia, tudo. Ela se afastou sutilmente, e falou séria.
— Eu não faço programa, só pra deixar claro. É que você disse, que elas sempre vem sozinhas, até você.
Sem tirar os olhos dela, Dominic pegou o vinho, encheu duas taças.
— Ótimo. Não achei que fosse.
Voltou-se para ela, com a expressão séria, o olhar escuro, tão fundo que parecia enxergar pensamentos que ela ainda nem tinha formulado.
— Entre na banheira. — ordenou, com a naturalidade de quem não está pedindo, mas afirmando o próximo passo de algo inevitável.
Martina sentiu a barriga gelar, não de medo, mas daquele tipo de antecipação que excita, que desce quente pela pele, que avisa o corpo de que algo grande está prestes a acontecer. Ela pegou uma taça, caminhou até a banheira como se estivesse flutuando, com os cachos loiros balançando nas costas, o vestido vermelho colado ao quadril de um jeito quase indecente.
E antes mesmo que Dominic pudesse repetir a ordem, ela virou-se para ele, soltou o zíper do vestido e deixou o tecido despencar, deslizando ao redor dos pés dela.
Dominic congelou, quase salivando por ela.
Era raro ele perder a compostura, mas aconteceu.
O corpo dela era lindo, bem cuidado, cheio de curvas que contrastavam com a juventude dos 19 anos. A calcinha preta de renda era pequena demais, reveladora demais, feita exatamente para provocar. E provocou. Tudo ali parecia ter sido desenhado para testar ele, e Martina sabia.
Ela colocou para encher e o olhou com um sorriso saffado, logo entrou na água. Ela apoiou os braços na borda, jogou o cabelo para trás e o encarou com aquele sorriso atrevido, insolente, delicioso.
— Você vem? — perguntou, como quem diz: eu sei o efeito que causei e não vou fingir que não sei.
Dominic estava colocando música, tirou a camisa com um gesto lento, quase cruel, como se estivesse deliberadamente aumentando a tortura.
— Vou, é claro meu bem.
Capítulo 200Sorri, falei que sim, ele disse que já não estava mais bêbado, falei que eu não ia esquecer, naquela semana ele já tinha me aparecido com um vestido novo, que comprou na minha loja com a Cris, eu estava desanimada com as vendas, ele sabia disso, postou nas redes sociais o embrulho, me ajudando a divulgar, à noite, no sábado, a Amara estava de mala pronta pra ir dormir na tia Cris, a super melhor amiga dela, lá era o paraíso para as crianças, João e Cris eram incríveis com os sobrinhos, eu só não a deixei por causa do chá, tínhamos combinado dela ir no dia seguinte ficar lá.Durante meses ele me tratou ainda como na época que estávamos casados, se eu tinha dúvidas, elas se esgotaram, agradeci o vestido, falando que experimentei, fiquei só esperando ansiosa o encontro, fui dormir sozinha.No domingo cedo ele já deu bom dia perguntando do encontro, falei que estava de pé, perguntei que horas seria, ele ficou rindo, levando na brincadeira, fomos no shopping com as crianças de
Capítulo 199Eu não falei nada, correspondi ao abraço e logo fui dormir. Após alguns meses, o Paulo me chamou pra conversar, estávamos no chá de bebê da Cris, eu tinha ido só com as crianças, o Tariq não quis ir e foi pra casa da Samira em uma reunião familiar.Era um chá revelação que parecia mais um aniversário de um ano, eu quase não falava com o Paulo há muito tempo, na maioria das vezes trocávamos recados pela Ana ou mensagens, nos afastamos do pessoal, ele estava com o Otávio no colo, começou a falar que eu estava um pouco diferente, falei que era a vida dupla de mãe e empreendedora, ele respondeu me olhando nos olhos:— Entendi, é complicado mesmo. Não sei se você também acha isso estranho, mas, levando em conta que você casou com o viúvo da minha irmã e cria a minha sobrinha como sua filha, a nossa história é toda estranha, quero te falar uma coisa, te considero muito e somos amigos.— Resolvi ficar com a Isabelly, já tem um tempo que estamos tentando, eu fui sincero com ela s
Capítulo 198Ele perguntou se podia fazer algo por mim, falei que não, a Eduarda entrou com o Samir, estavam falando dos familiares dela, que estavam especulando sobre os dois, levantei, fomos para a sala, a Eduarda estava animada, rindo, conversando, perguntou se eu não podia ir comprar as bebidas com o Tariq, falei que iria, ela respondeu:— Sem pressa, tá?— Se quiser, leva as chaves de casa, uma aventura é sempre bem-vinda.Falei que não precisava, achei melhor sair, fomos no mercado, ele disse que a Amara havia perguntado se ele não gostava mais de mim como "marida", porque uma amiguinha disse que só casais que não se gostavam dormiam separados, comecei a rir, perguntei o que ele tinha respondido, ele me olhou, sorriu:— Eu disse a verdade apenas.Perguntei qual era a verdade, ele respondeu cínico:— E isso importa, Kamile?Falei que não sabia o quanto, no mercado ele começou a escolher bebidas sem álcool pra mim, vários sucos, danones, tentei interagir com o pessoal, fiquei brig
Capítulo 197Falei que sim, que só tinha muita fome, ela começou a falar que o Samir conversou muito com ela todos os dias enquanto ele estava viajando, e ela ia deixar acontecer, eles fizeram um acordo sobre se conhecerem melhor, sem ficar, porque ela mesma nem poderia se envolver fisicamente com ele por causa da gravidez de risco, a médica proibiu qualquer tipo de relação porque a excitação causava contrações e não era bom pra ela, o que mais me surpreendeu foi ele aceitar aquilo.Ela disse que só estava mentindo para a Suzi pela última vez, porque, após conversarem pessoalmente, ela ia abrir o jogo em casa, ficou falando da importância de falar a verdade sempre, super concordei, mas com medo dela ir pra casa e ver que estávamos dormindo separados.O Samir foi buscar ela pra sair, achei que ela ia embora pra casa dela depois, à noite eles dois foram pra minha casa, ela foi curta e grossa, perguntou até quando eu ia esconder dela o que estava acontecendo, ele se desculpou comigo, dis
Capítulo 196Fiquei chateada, ele disse que tinha certeza, porque quanto mais me mostrava que me queria, mais distante eu ficava, falei:— Não ia adiantar você continuar sendo incrível comigo porque eu não quero isso, não como você quer.— Eu gosto de estar com você, já te falei isso, me sinto realizada na cama, com você tive um relacionamento super diferente de todos os anteriores, só que temos três crianças no meio disso.Ele respondeu chateado:— Tá bom, fiz o que pude, mas no fundo eu sabia, você não é do tipo que joga com os sentimentos das pessoas.— O que você quer fazer agora?— Como vão ficar as coisas entre nós?Falei que já tinha pensado em tudo, eu ia procurar uma casa próxima ali no bairro, colocar o Otávio na escola em período integral, dividir os horários com a Amara, ele disse que também já tinha pensado em tudo, só que infelizmente achava que seria muito difícil morarmos separados de início, com um bebê a caminho, ficamos horas conversando madrugada adentro, ele inici
Capítulo 195Eu já não sabia mais como me comportar com ele, às vezes parar pra pensar me colocava em estado de pânico, com uma angústia enorme, era sexta-feira à noite, quando cheguei em casa vi que o carro dele já estava lá, a Amara entrou chamando por ele, fui na cozinha guardar um pote com comida que a Cris tinha mandado, ouvi a Amara falando:— Ahhh, pai, por quê? Eu quero ir junto.Encostei na porta, falei pra ele:— Oi, tudo bem? Como foi seu dia?Ele levantou, se aproximou, parou na minha frente e respondeu sério:— Estou bem, e você? Já arrumou tudo?— Eu ia te ligar, mas acabei ficando ocupado com um cliente, aquele que te falei esses dias que estava afastado por acidente de trabalho.Falei que sim, perguntei se ele queria comer, ele respondeu:— Não, obrigado, vou tomar banho.— Você precisa de algo da rua?— Não vai levar o Otávio mesmo?Falei que já estava quase tudo certo, que eu não ia levar ele, fui terminar de arrumar o que faltava, organizei o quadro das tarefas e os







