ANMELDEN🥀 Júlia Narrando 🥀
Rafaela está me encarando de boca aberta.
E eu começo a me arrepender de ter escolhido o refeitório da faculdade para contar que estou grávida.
Talvez esse não seja exatamente o lugar mais discreto do mundo para anunciar uma gestação.
— Grávida? — ela pergunta, ainda me encarando.
Concordo com a cabeça.
— Grávida.
Ela passa alguns segundos em silêncio.
— Que merda.
— Obrigada pelo apoio.
— Você é muito azarada, Júlia.
— Eu sei.
Dou de ombros, pegando meu copo de suco.
— Mas é a vida, né? Todo mundo que transa precisa ter consciência de que pode engravidar em algum momento. Não existe método contraceptivo cem por cento seguro.
Rafaela faz uma careta.
— O que é muito injusto. Eu quero gozar, não ficar grávida.
Quase engasgo com o suco.
— Rafaela!
— Estou falando sério! Devia existir um jeito de escolher. Tipo: "hoje eu quero um orgasmo" ou "hoje eu quero engravidar". Simples.
Começo a rir, apesar de toda a situação.
— Você é completamente maluca.
— E estou errada?
— Está.
— Não estou.
— Está sim.
Ela aponta para mim.
— Você está grávida justamente porque esse sistema é uma porcaria.
— Bom, já está feito. Não posso voltar no tempo e deixar de entrar naquele maldito escritório daquele imbecil.
A risada desaparece do rosto dela.
Rafaela fica séria.
— Você pode tirar o bebê.
Olho para ela.
— Rafaela...
— Estou falando sério, Júlia. Você tem dezenove anos. O pai dessa criança é um imbecil que mal conseguiu ser educado com você. E, principalmente, seu pai vai surtar quando descobrir.
Baixo os olhos para a comida à minha frente.
Eu sabia que ela tinha razão em algumas coisas.
Mas aquilo não tornava a decisão mais fácil.
— Você sabe que eu sou totalmente a favor do direito de uma mulher escolher o que fazer com o próprio corpo — digo devagar. — Mas eu não abortaria. Não consigo.
Rafaela suspira.
— Você tem certeza?
— Não sei se existe alguma coisa que eu possa ter certeza agora.
Passo a mão pelo rosto.
— Eu estou assustada. Muito. Mas, quando penso em tirar o bebê, parece que alguma coisa dentro de mim trava.
Ela permanece em silêncio.
— Eu não quero que você pense que estou tentando te pressionar — ela diz depois de alguns segundos. — Só estou preocupada com você.
— Eu sei.
— Um bebê muda tudo, gata.
— Eu sei disso também.
— Faculdade, trabalho, sua vida...
— Eu sei, Rafaela.
Solto uma risada sem humor.
— Você não precisa fazer uma lista. Minha cabeça já está fazendo isso desde ontem.
Ela apoia os cotovelos sobre a mesa.
— Seu pai vai ficar louco.
— Não me lembra disso.
— Júlia, ele é o desembargador Alexandre Moura. Ele provavelmente vai querer abrir um processo contra a própria gravidez.
Não consigo segurar a risada.
— Para de falar besteira.
— Estou tentando te fazer rir.
— Está funcionando.
Fico alguns segundos olhando para ela.
— Existem muitas mulheres que foram mães novas e são incríveis.
— Eu sei.
— Então talvez eu consiga também.
Rafaela me encara e, dessa vez, não tenta argumentar.
— A escolha é sua.
Assinto.
— Obrigada.
Ela pega o próprio celular e olha o horário.
— Bom, vou entrar. Se eu perder a primeira aula, o professor vai me matar.
— Vai lá.
Ela se levanta, mas antes de sair, aponta o dedo para mim.
— Mas pensa direito nisso, tá?
— Tá bom.
— E me liga se precisar de mim.
— Eu vou ligar.
Rafaela pega a bolsa e vai embora.
Fico sentada sozinha por alguns instantes.
Olho para o meu prato.
Depois para o celular.
Depois para o nada.
Minha cabeça parece estar funcionando em uma velocidade absurda.
De um lado, Lara querendo ser madrinha.
Do outro, Rafaela tentando me convencer a pensar em todas as dificuldades de ter um filho agora.
E eu estou no meio disso tudo querendo simplesmente me deitar em posição fetal e chorar feito um bebê.
Ironia do destino.
Um bebê.
Meu bebê.
Levo a mão discretamente até a barriga.
Ainda não existe barriga nenhuma. Não tem chute, não tem movimento, não tem absolutamente nada que faça alguém olhando para mim imaginar que existe uma vida crescendo ali.
Mas eu sei.
E isso já é suficiente para deixar tudo diferente.
Pego o celular novamente.
Tenho uma mensagem de Lara perguntando se deu tudo certo.
Digito rapidamente.
"Contei para a Rafaela. Ela quase teve um infarto."
A resposta chega segundos depois.
"E você?"
Fico olhando para aquelas duas palavras.
E você?
Essa era a pergunta que eu não sabia responder.
Eu estava bem?
Não.
Estava feliz?
Também não sabia.
Estava arrependida?
Talvez da noite, mas não daquilo que agora existia por causa dela.
Solto o ar lentamente.
"Estou viva. Por enquanto."
Lara responde com uma sequência de emojis chorando de rir.
Reviro os olhos.
Pelo menos uma pessoa ainda conseguia me fazer rir.
Guardo o celular na bolsa e me levanto.
Tenho aula.
Tenho faculdade.
Tenho uma vida inteira acontecendo normalmente ao meu redor.
E, no meio dela, existe um pequeno segredo que ainda parece grande demais para caber dentro de mim.
Meu bebê.
Pego minha mochila e sigo para a sala.
Se eu tinha aprendido alguma coisa desde ontem, era que minha vida tinha uma capacidade impressionante de virar uma bagunça em pouquíssimo tempo.
E aparentemente eu ainda tinha muito a aprender.
Capítulo 42 — Tô animada.🥀 Júlia Moura 🥀Falcão me trouxe para a faculdade e disse que vem me buscar ao meio-dia. Tô animada para o dia de hoje.— Quer almoçar? Podemos comer no shopping e depois fazer compras. — Rafaela sorri animada.— Não dá, Rafaela. Vou almoçar com o Falcão. — aponto para a BMW.— Ele tem vindo com mais frequência, né?— Sim. Estamos nos aproximando. Vamos comprar roupas para a AnaLu.— Só toma cuidado. O que vem fácil vai fácil.— O que você quer dizer com isso?— Ele ficou legal com você do nada. Provavelmente vai voltar a ser um babaca do nada. — ela pisca para mim. — Até amanhã, gata.Observo ela se afastar.Vou até o carro do Falcão, abro a porta traseira, ponho a bolsa e vou para o banco do passageiro.— Oi. — dou um sorriso e quase cometo a burrice de dar um selinho nele.— Oi.Ele segura o meu maxilar e comete a burrice por mim.— Onde quer comer? — ele liga o carro.— Tanto faz.— Algum problema?Ele vira o rosto na minha direção.— Não.— Hmm.Ele dá
Capítulo 41 — "você é minha"🥀 Júlia Moura 🥀A última semana foi tão boa que é até difícil de acreditar.Minha bebê está cada vez mais ativa, óbvio que só para mim e para o pai dela.Minha relação com o Falcão está ótima. Não brigamos nenhuma vez. Tivemos as nossas alfinetadas de sempre, mas nada que levasse a uma discussão de verdade.Essa situação de "eu ser dele" está me incomodando um pouco.A gente acabou transando de novo, umas duas vezes. Ele me levou para a faculdade dois dias da semana e me buscou em três deles.Mas me irrita um pouco esse negócio de "eu ser dele" só porque ele quer e ele ser de todas.Me chamem de maluca, mas eu acho excitante esse negócio de "você é minha" e "você é meu". Mas só quando as duas pessoas estão de acordo.Fico puta com o fato de ele controlar a minha vida sexual e querer mandar nela. Tudo isso enquanto se envolve com diversas garotas por aí."Ah, mas ele dorme toda noite com você."A alguns meses atrás, peguei uma mulher chupando ele na hora
Capítulo 40 — Casa do Pai.🤬 Falcão 🤬Júlia acordou cedo hoje, vai almoçar na casa do pai.Ela me convidou para ir junto. Eu não quero ir, mas claro que vou. Tenho certeza de que o maldito Moura chamou o babaca do Dominique para esse tal almoço.Se ele gosta tanto do Dominique, por que não chupa logo o pau dele e deixa a Júlia fora disso?— Vou passar o resto do dia fora, Júlia vai comigo. Pode tirar o dia de folga.— Não voltam nem para o jantar?— Não, Samara.Viro as costas e saio da cozinha, indo para a área externa, onde Júlia já me espera no carro.A barriga dela já está bem visível. Dá para notar de longe que ela está grávida.A cada centímetro que aquela barriga cresce, eu fico mais perto de endoidar.Júlia está usando um vestido bem justo que realça a barriga de seis meses. Está toda arrumada, maquiada, perfumada... Quanta produção só para ver o pai.— Quero falar com você.Ela vira o rosto para mim.— Lá vem. Não gosto disso.— Meu aniversário é em poucas semanas. Queria s
Capítulo 39 — Dia seguinte.🥀 Júlia Moura 🥀Acordei sentindo o dedo do Falcão deslizando de leve por cima de uma estria da minha bunda.Isso me deixou meio desconfortável. Ele está dando muita atenção a detalhes que eu odeio.Viro na cama, ficando de frente para ele. A blusa que estou vestindo está toda embolada, então minha barriga está de fora. Falcão logo coloca a mão sobre ela.— Acha que ela me reconhece? Sei que alguns bebês reconhecem...— Meu Deus, Falcão — bufo. — A menina nem nasceu e já tem você como preferido.Para confirmar o que eu disse, AnaLu chuta bem onde a mão do pai está.Isso é sacanagem comigo.Era para eu ser a preferida. Afinal, sou eu que vou carregar por nove meses e parir. Mundo injusto.— Na segunda, o meu pessoal vai montar os móveis do quarto dela.— Tudo bem. Eu sou uma pessoa bem ansiosa, já quero comprar as roupinhas. Quero ir com você e outro dia com a Lara. Acha que consegue um tempinho na semana que vem pra ir comigo?— Vou arrumar um tempo. Te av
Capítulo 38 — Sexo🥀 Júlia Moura 🥀Assim que Falcão pegou o colar, fez questão de colocá-lo no meu pescoço. Ele é tão caro que chega a ser meio desconfortável.Quando chegamos em casa, já passava da meia-noite."Casa."Eu já estou tão acostumada com esse lugar que é como se fosse meu verdadeiro lar. Eu sei, é uma tremenda estupidez.Meus pés tocam o mármore frio da escada enquanto subo para o segundo andar. Meu salto está nas mãos do Falcão.Ele está logo atrás de mim, subindo as escadas. Fez questão de ficar atrás. Não sei se quer evitar uma possível queda ou olhar pra minha bunda.— Onde você vai? — ele pergunta quando chegamos ao corredor. — Meu quarto fica bem ali.— Foi uma proposta real?— Anda logo, Júlia. Estou curioso para ver como o colar fica no seu corpo.Quanta indecência.Sou uma mulher de respeito.Passo por ele e entro no quarto dele.Da última vez que estive aqui dentro, nós quase transamos. O lugar tem um cheiro incrível, aquele cheiro característico do Falcão. O p
Capítulo 37 — Doméstica do cão.🥀 Júlia Moura 🥀Às vezes eu fico pensando: será que a Samara cospe na minha comida?— Preciso fazer algo? Ou hoje o café está do seu agrado?Ah, sem dúvidas cospe.— Não, estou satisfeita — forço um sorriso.— Bom dia.Falcão entra no cômodo, chamando minha atenção.Ele se aproxima de mim e me dá um beijo na testa antes de se sentar.Não sei quem tá mais em choque, eu ou a Samara.Eu tenho certeza que essa mulher tem uma quedinha pelo Falcão. O pior é que eu nem posso culpá-la. Ele é extremamente lindo.— O senhor precisa de algo?— Não. Você precisa, Júlia?Nego com a cabeça.— Então pode se retirar, Samara.Ela concorda e sai.Como um pouco de frutas e tomo café.— Você já pensou em quem vai ser o padrinho? — pergunto.— Queria chamar o Touro, mas a Milena é chata — ele revira os olhos. — Não sei se vai ficar de boa com ele sendo padrinho com outra mulher.Legal. Ser ciumento é de família.— Talvez Milena e Touro possam ser padrinhos do seu próximo







