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Capítulo 3

last update Veröffentlichungsdatum: 23.09.2026 04:28:10

Capítulo 3 — o pai do bebe 

🥀 Júlia Narrando 🥀

Dezenove anos.

Sou uma idiota de dezenove anos que apaga a luz e sai correndo, não consigo pisar em uma barata, tenho crise de pânico se vejo uma aranha e não sei escolher fruta madura no mercado.

Mas agora eu estou aqui, encarando o monitor que mostra o bebê na minha barriga.

Meu bebê.

A palavra ainda parecia estranha na minha cabeça.

— Bom. O bebê tem nove semanas — a médica explica, analisando as imagens. — Está muito pequeno e abaixo do peso ideal. Você tem feito muito esforço? Alguma dieta?

— Bom... eu faço academia. E como quando lembro que estou com fome.

A médica me encara por alguns segundos.

Acho que ela não gostou da resposta.

— Você precisa melhorar a alimentação e diminuir o esforço. Também precisamos organizar tudo para começar o pré-natal.

Assinto devagar.

Meu Deus.

Eu estou realmente grávida.

Depois de mais alguns minutos no consultório, finalmente sou liberada. Pego minhas coisas e saio ao lado de Lara, que parece muito mais tranquila do que eu.

Provavelmente porque o bebê não está na barriga dela.

Assim que entramos no carro, ela olha para mim.

— Vai falar com o pai do bebê quando?

— Preciso mesmo falar? Acho tão desnecessário... — resmungo.

— Precisa, amiga.

— Ele é um escroto.

— Mas ainda é o pai do baby. Existem pessoas que não são legais, mas são bons pais. E se ele não for, a gente dá um jeito. Mas você também estaria sendo escrota se não contasse.

Olho para ela.

O pior é que ela tinha razão.

— Certo.

Entro no carro e coloco o cinto.

— Dirige até a boate. Vou tentar contato com ele.

— Ótimo — ela sorri. — E para o seu pai? Vai contar quando?

— Quando ele voltar de viagem.

Lara solta um suspiro.

— Amiga, já está feito. Tem um bebê aí. Ele vai ter que aceitar.

— Você sabe como são as coisas com o senhor Moura. Ele não aceita as coisas, ele dita como as coisas vão ser.

Meu pai é muito rígido.

Uma gravidez tão precoce, com dezenove anos, cursando Administração e ainda sem estar em um relacionamento estável?

Nossa.

Isso vai ser um caos.

Lara dirige até a vitrine, uma das boates mais famosas do Rio.

O lugar foi aberto há pouco tempo, mas já virou um verdadeiro sucesso. É o tipo de lugar perfeito se você quer beber, dançar e fazer algumas escolhas questionáveis depois de algumas doses.

Aparentemente, é o local perfeito também se você quiser engravidar de um babaca de merda.

— Vou ficar te esperando aqui no carro — Lara avisa. — É um assunto só para dois.

— Ok. Me deseja boa sorte.

— Não vai ser tão ruim assim. Boa sorte, gata.

Saio do carro e entro na boate.

Não é horário de funcionamento, então o lugar está praticamente vazio. Só alguns funcionários circulam pelo ambiente.

Caminho até o balcão, procurando alguém que possa me ajudar.

— Moça, desculpa, mas não estamos atendendo ainda.

Um rapaz para na minha frente.

Ele é jovem, e extremamente Gato.

— Eu sei — encaro o rapaz. — Estou procurando por uma pessoa. Acredito que ele trabalhe aqui.

— E quem seria?

— Eu não sei o nome. Ele é moreno, deve ter por volta de um metro e oitenta e tem muitas tatuagens.

O rapaz arqueia uma sobrancelha.

— Moça, você descreveu metade das pessoas que trabalham e frequentam esse local.

— Merda.

Penso por alguns segundos.

— Ele é um babaca sem educação, mas é bem bonito. E tem acesso total ao escritório.

O rapaz parece entender.

— Bom... o senhor Falcão é o único com acesso ao escritório.

Meu estômago embrulha.

Então finalmente descubro o nome do homem que está prestes a se tornar o pai do meu filho.

Falcão.

— Certo. Falcão — forço um sorriso. — Gostaria de falar com ele, se possível.

— Vou avisar da sua presença. Como você se chama?

— Júlia. Por favor, diga para ele que é um assunto de extrema urgência.

— Pode deixar.

Ele se afasta.

Sento em uma das banquetas do bar e fico esperando.

Esse homem é alguma celebridade por acaso?

Que demora para me atender.

Depois de alguns minutos, o rapaz retorna.

— Vamos. Vou te levar até o escritório.

Concordo e sigo atrás dele até o segundo andar.

Isso que dá agir por puro tesão.

Agora estou aqui, grávida e sem maturidade nenhuma para criar um bebê.

Quando chegamos diante de uma porta, ele a abre.

— Obrigada.

Entro.

O homem que descobri se chamar Falcão está sentado atrás da mesa, me encarando com uma expressão confusa.

Ele claramente não faz ideia de quem eu sou.

E, sinceramente?

Eu também não fazia ideia de quem ele era naquela noite.

— O que você quer comigo?

A educação está em dia.

Graças a Deus.

— Bom...

Puxo uma cadeira para me sentar.

— Não estou surpresa com o fato de você não se lembrar de mim.

Ele dá um sorrisinho arrogante.

— Eu estive aqui na noite da inauguração.

— Muitas pessoas estiveram.

Respiro fundo.

— A gente ficou naquela noite — digo, já começando a me irritar.

Ele me encara por alguns segundos.

— Ah... no banheiro?

Olha só o pai que eu arrumei para o meu bebê.

— No seu escritório.

— Ah, tá. A fresca do "Eu não sou prostituta". O que você quer?

Fecho os olhos por um instante.

Respira, Júlia.

Não mata o pai do seu filho antes mesmo de contar que ele vai ser pai.

Abro minha bolsa e tiro o exame de gravidez e a foto da ultrassonografia.

Coloco tudo sobre a mesa.

Falcão pega os papéis.

Seu olhar muda imediatamente.

— Nove semanas — aviso. — Descobri ontem.

Ele levanta os olhos para mim.

— Grávida? E o que eu tenho a ver com isso? A gente usou camisinha. Eu sempre uso camisinha.

— Bom... não deu muito certo.

Ele solta uma risada sem humor.

— Está tentando me aplicar o golpe do baú, garota?

Pelo amor de Deus.

— Golpe?

— É. Está interessada na minha grana.

Era só o que me faltava.

— Meu anjo, eu nem sabia seu nome. Não tinha noção de quem você era. Meu sonho é aplicar um golpe da barriga em um cara escroto e sem educação.

— Sei...

Reviro os olhos.

— Quer um exame de DNA? Vai em frente — dou de ombros. — Se eu fosse dar um golpe, escolheria uma pessoa melhor. Uma bem mais decente.

Ele continua me encarando.

— Esse filho pode ser de qualquer um.

— Para minha infelicidade e a dele...

Coloco a mão sobre a barriga ainda completamente plana.

— É seu. Acho que ele nunca vai me perdoar por não dar um pai decente para ele.

Falcão apoia os papéis sobre a mesa.

— Quero um teste de DNA.

Concordo.

— E eu escolho a clínica.

— Fique à vontade. Não vou subornar ninguém para adulterar o teste.

Ele me olha de um jeito estranho.

— Não sei...

Nossa.

Detesto esse homem.

— Deixa seu contato.

Ele pega uma caneta, escreve alguma coisa em um pedaço de papel e me entrega.

— Ligo assim que achar uma boa clínica.

— Ok.

Anoto meu número.

— Não enrola. Não sou muito paciente.

— Estou muito preocupado.

Ele revira os olhos.

— Dá para perceber.

Levanto da cadeira e guardo minhas coisas.

Trinta minutinhos.

É só disso que você precisa para foder com a sua vida de um jeito absurdo.

O maior problema nem é o bebê.

É o estrupício que está sentado na minha frente.

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