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CAPÍTULO 3

Author: Taikka
last update publish date: 2026-02-06 00:07:54

 

KATHERINE

 

 

 

Caminhei até ele no lobby do The Monarch com o envelope das minhas economias apertado na mão.

 

— Você está atrasado — murmurei, enfiando o dinheiro no bolso do paletó dele. — Metade agora.

 

Nick nem olhou para o envelope. Os olhos escuros percorreram meu vestido e voltaram para o meu rosto.

 

— Guarde seus trocados, Katherine.

 

— Como assim? É o contrato. Se eu não pagar…

 

— A agência não está aqui. — Ele deu um passo à frente, encurtando a distância. — E as regras mudaram. Se quer que eu destrua o ego do seu ex, será do meu jeito.

 

— Do seu jeito? As regras eram: seu nome é Ethan, você não fala e não me toca.

 

Ele se inclinou, a boca roçando na minha orelha.

 

— Meu nome é Nick. Eu falo o que quiser. E quanto a tocar… — a mão dele foi para a minha lombar, firme, colando meu corpo ao dele. — Eu toco onde eu quiser. Vamos. Sua plateia espera.

 

Fui guiada até o restaurante como se fosse parte do plano dele. Quando entramos no salão privado, o burburinho despencou. Minha mãe levou a mão à boca. Amy, a noiva, ficou imóvel com a taça no ar. E Jeffrey… Jeffrey estava lá, à direita do meu pai, rindo alto, confortável demais.

 

Ver o homem que me traiu sendo tratado como realeza revirou meu estômago.

 

— Boa noite — a voz de Nick tomou a sala. — Desculpem o atraso. Tive dificuldade em tirar a Kat da cama hoje.

 

O rosto queimou, e a mão dele apertou minha cintura, exigindo que eu aguentasse.

 

Jeffrey se levantou e veio até nós, estendendo a mão para Nick.

 

— Não sabia que viria acompanhada, Kat. Sou Jeffrey. Amigo da família… e ex da Kat. E você é?

 

— Nick. — Ele apertou a mão de Jeffrey sem sorrir, com força suficiente para fazê-lo vacilar. — Sou o homem que está consertando os estragos que você deixou.

 

Jeffrey recolheu a mão e forçou um sorriso.

 

— Entendo. Kat sempre foi… intensa. Você está bem, querida? Soubemos que teve meses difíceis. Ainda desempregada?

 

A resposta ficou presa, porque Nick puxou a minha cadeira e me fez sentar.

 

— Desempregada? — Nick riu, seco. — Katherine trabalha em um projeto exclusivo para mim. É meu investimento mais valioso no momento.

 

Amy se inclinou, interessada.

 

— Investimento? O que você faz?

 

Nick se acomodou ao meu lado e deixou o braço no encosto da minha cadeira, demarcando território.

 

— Aquisições de alto risco. Compro empresas falidas, geridas por incompetentes, e transformo em impérios. Vejo valor onde idiotas só veem problemas.

 

Jeffrey ficou vermelho e voltou para o lugar bebendo com raiva. O jantar seguiu tenso, mas Nick comandava a mesa com naturalidade. Criticou o vinho que Jeffrey escolheu, fez meu pai rir falando de mercado, e tentei lembrar que aquilo era atuação.

 

Debaixo da mesa, a mão dele encontrou meu joelho. O polegar subiu devagar pela minha coxa, como se testasse meus limites. Bebi vinho para não trair a respiração. O toque era elétrico e indecente.

 

— Então… — Jeffrey interrompeu, já meio bêbado. — Vocês parecem muito… íntimos. O que é surpreendente.

 

A conversa morreu.

 

— Por que seria surpreendente? — Nick perguntou, calmo demais, e a mão dele parou na minha perna, apertando de leve.

 

Jeffrey riu com amargura.

 

— Conhecendo a Kat… aposto que ela ainda dorme de meias e chora com filmes. — Baixou o tom, mas todo mundo ouviu. — Ela é frígida, Nick. Sempre foi. A Irina, minha noiva, é uma mulher de verdade. Boa sorte tentando tirar algo da Kat além de drama.

 

Minha mãe cobriu o rosto. Amy tentou esconder o sorriso. A palavra frígida me atravessou, e eu ia levantar, mas Nick prendeu meus dedos aos dele por baixo da mesa, firme.

 

Ele se recostou, olhando para Jeffrey como quem avalia uma presa.

 

— Frígida? — Nick riu, sombrio, e virou para mim, acariciando meu rosto com o polegar à vista de todos. — Curioso você dizer isso, Jeffrey. Porque a mulher que gritou meu nome ontem à noite, arranhando minhas costas até sangrar, parecia bastante… aquecida.

 

Amy ficou de boca aberta. Jeffrey empalideceu. Irina endureceu o maxilar.

 

Nick não parou.

 

— Talvez o problema não fosse ela. Talvez você apenas não fosse homem suficiente para acendê-la.

 

O calor no olhar de Nick era real demais, e isso me deixou tonta.

 

Ele se levantou, jogou o guardanapo na mesa e estendeu a mão para mim.

 

— Vamos, querida. O vinho é péssimo, a comida está fria e a companhia é entediante. Temos assuntos melhores para resolver na suíte.

 

Peguei a mão dele e fui puxada para fora.

 

No lobby, a recepcionista nos abordou, nervosa.

 

— Sr. Nick? Tivemos um erro no sistema. As reservas duplicaram.

 

— E? — ele perguntou.

 

— Só sobrou a Suíte Presidencial. Mas houve um erro na configuração… ela só tem uma cama king size. Posso tentar realocar a senhorita…

 

Precisava de distância, mas Nick passou o braço pela minha cintura e me colou ao corpo dele.

 

— Não será necessário — cortou, o olhar fixo em mim. — Uma cama é suficiente. Não gosto de dormir longe dela.

 

Ele pegou a chave e me guiou para o elevador. As portas se fecharam, nos isolando, e o pânico se misturou com um desejo que eu não conseguia controlar, porque eu estava indo para um quarto com uma cama só, com um homem que não era Ethan, e parecia decidido a me deixar sem saída.

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