FAZER LOGINKATHERINE
O silêncio no elevador dourado era ensurdecedor. O único som era minha respiração irregular e o zumbido suave do maquinário nos levando para a cobertura.
Nick não me olhava. Ele mantinha os olhos fixos no painel, o maxilar trancado com força. A mão ainda estava na minha cintura, queimando através do tecido fino do vestido, não como um apoio, mas como uma algema possessiva.
Quando as portas se abriram no hall privativo, ele me guiou para dentro com determinação.
A suíte era obscena. Janelas do chão ao teto mostravam Detroit iluminada e gelada lá fora. E no centro, a cama. Uma estrutura gigantesca com lençóis de seda cinza que parecia um campo de batalha esperando para acontecer.
A porta se fechou com um clique pesado.
— Nick... — comecei, a voz falhando. — Sobre o que você disse lá embaixo...
Ele se virou abruptamente, tirando o paletó e jogando-o numa poltrona. A fúria no rosto dele tinha mudado. Não era mais raiva de Jeffrey. Era algo mais primitivo.
— Eu quis dizer cada palavra — disse ele, a voz rouca. — Aquele homem é um idiota. Ver ele tentando diminuir você... — Ele passou a mão pelo cabelo, bagunçando os fios perfeitos.
Dei um passo em direção a ele, atraída como uma mariposa para a chama. Eu sabia que deveria manter a distância profissional. Ele era um acompanhante pago. Mas meu corpo lembrava da mão dele na minha coxa.
— Você foi... incrível — sussurrei. — Ninguém nunca me defendeu daquele jeito.
Nick soltou uma risada curta, sem humor, e encurtou a distância entre nós em dois passos largos. De repente, ele estava invadindo meu espaço, o cheiro de sândalo preenchendo meus pulmões. Ele segurou meu rosto com as duas mãos, os polegares traçando minhas maçãs do rosto com uma reverência que fez meus joelhos tremerem.
— Você lembra da terceira regra? — ele perguntou, baixo e perigoso.
Engoli em seco, hipnotizada pela boca dele.
— Sem beijo na boca.
— Essa regra foi revogada.
Ele não esperou. Tomou minha boca com uma fome devastadora. Não foi um simples “beijo”. Foi cru, exigente, uma colisão de dentes e línguas que roubou meu fôlego. Gemi, agarrando os ombros dele, sentindo os músculos duros sob a camisa. A sensação era elétrica. Eu esperava que ele fosse bom (era o trabalho dele), mas não esperava aquela paixão desesperada.
Nick me empurrou contra a porta, prensando meu corpo com o dele. Senti a evidência do pau contra meu ventre, duro e grande. Aquilo desligou minha razão.
— Nick... — arfei, quando ele desceu os beijos para o meu pescoço. — Eu não tenho... eu não tenho mais dinheiro para pagar por "extras".
Ele parou, levantando a cabeça. Os olhos estavam negros, as pupilas dilatadas.
— Eu não quero seu dinheiro, Kat — ele rosnou. — Eu quero você.
Antes que eu pudesse processar, ele me pegou no colo. Envolvi as pernas na cintura dele e ele me carregou até a cama. Caímos nos lençóis de seda em um emaranhado de urgência. Minhas mãos, tremendo, lutavam com os botões da camisa dele. Quando finalmente a abri, passei as unhas pelo peito quente, ouvindo o som gutural que ele fez.
Ele era lindo. Tatuagens discretas marcavam o ombro, cicatrizes de uma vida que eu desconhecia. Mas não houve tempo para admirar. Suas mãos foram para o zíper do meu vestido, descendo-o com eficiência brutal.
O vestido deslizou, deixando-me exposta na lingerie de renda preta. O olhar de Nick varreu meu corpo como se eu fosse a coisa mais preciosa e profana que ele já tinha visto.
— Linda — ele murmurou, a voz arrastada. — A mulher mais linda de Detroit.
Ele se livrou do resto das roupas com pressa. Quando voltou para cima de mim, pele contra pele, o calor foi insuportável.
Não houve preliminares calculadas. A tensão do jantar, a raiva, a humilhação... tudo se canalizou para aquele momento. Precisávamos daquele choque para apagar o mundo.
Quando ele entrou em mim, gritei o nome dele, cravando as unhas em seus ombros. Ele preencheu cada espaço vazio. O ritmo era frenético, quase violento, mas perfeito.
— Olhe para mim, Kat — ele ordenou, prendendo minhas mãos acima da cabeça. — Olhe para mim.
Eu olhei. E o que vi nos olhos dele me aterrorizou. Não havia atuação. Havia posse.
Nós nos movemos juntos, uma dança instintiva. O prazer crescia em ondas, cada vez mais alto. Eu estava perdida nele, na barba arranhando minha pele, na respiração dele misturada com a minha.
E foi no auge daquela tempestade, quando o mundo se resumiu a nós dois, que o erro aconteceu.
Embalados pelo álcool, pela raiva e pela atração avassaladora, a lógica ficou do lado de fora da porta. Nenhum de nós parou para pensar em proteção. Barreiras foram esquecidas.
Quando o clímax chegou, foi explosivo. Nick enterrou o rosto no meu pescoço, o corpo teso, e eu me desfiz em seus braços, sentindo espasmos de prazer que pareciam não ter fim. Ele não se afastou. Ficou ali, unido a mim da forma mais íntima possível, selando um destino que eu nem imaginava que tínhamos acabado de escrever.
Ficamos deitados no escuro, recuperando o fôlego. Nick rolou para o lado, puxando-me para o peito dele.
Passei a mão pelo peito suado dele, sentindo-me estranhamente segura. Eu sabia que amanhã seria um desastre. Eu sabia que ele era um acompanhante e eu uma cliente falida. Mas, naquele momento, parecia que éramos apenas duas pessoas que se encontraram no caos.
Fechei os olhos, exausta. A última coisa que senti foi Nick beijando o topo da minha cabeça.
Eu não sabia, mas aquela noite não tinha apenas quebrado o contrato. Ela tinha mudado minha vida para sempre.
ADRIAN A primeira semana com Emma destruiu qualquer ideia de que cuidar de uma criança pudesse ser organizado como uma sequência de tarefas independentes. Mamadeira, troca, sono e remédio pareciam simples quando vistos separados. Juntos, formavam uma rotina em que qualquer alteração atravessava o resto do dia. Se Emma dormia demais no fim da tarde, acordava mais vezes durante a noite. Se demorávamos na mamada, ficava cansada antes de terminar e depois despertava com fome. Se o refluxo incomodava, o sono seguinte começava mais tarde e todo o restante se deslocava. Comecei a reduzir compromissos presenciais e transferi algumas reuniões para vídeo. A Meridian continuava funcionando sem que eu atravessasse o país todos os dias, embora uma parte de mim ainda estranhasse aceitar isso com tanta facilidade. Eu trabalhava no escritório improvisado do apartamento de Mia e saía sempre que Emma acordava, mesmo quando sabia que ela estava com Mia. Precisava vê-la. Precisava aprender a reconhecer
MIA Dois dias tinham sido suficientes para transformar meu apartamento numa casa organizada em torno de uma bebê de cinco meses. Havia mamadeiras secando perto da pia, fraldas em dois cômodos, um pequeno cesto de roupas ao lado da máquina e o cobertor de Lauren sempre ao alcance. Emma ainda dormia mal e acordava várias vezes durante a noite, algumas chorando antes mesmo de abrir completamente os olhos. Adrian levantava comigo ou antes de mim, preparava a fórmula, trocava a filha e tentava memorizar cada horário como se repetição pudesse ajudá-lo a recuperar os meses que perdera. Eu também estava aprendendo, só que de outro jeito. Percebi que Emma ficava mais agitada depois da mamadeira se alguém a deitasse rápido demais. Quando a mantínhamos apoiada contra o peito por alguns minutos, o refluxo incomodava menos. O choro de sono começava baixo e vinha acompanhado por movimentos mais lentos das pernas. Quando sentia desconforto, ela arqueava um pouco o corpo e fechava as mãos com força
ADRIAN A bolsa de Emma estava aberta sobre o sofá quando chegamos à casa de Rachel naquela manhã. Dentro dela havia algumas roupas dobradas, mamadeiras, fraldas, remédios, um pacote de fórmula e dois brinquedos pequenos. Ao lado, Rachel colocou uma pasta com documentos médicos, a certidão de nascimento e as orientações que reuniu durante aqueles dias. Nada parecia suficiente para representar cinco meses de vida, e ainda assim era aquilo que minha filha levaria quando saísse da única casa que conhecia. Rachel apareceu com Emma no colo alguns minutos depois. A menina estava acordada e segurava a ponta de um cobertor claro junto ao rosto. Reconheci o tecido da fotografia que Rebecca enviou na primeira noite. Rachel percebeu meu olhar e passou a mão sobre a manta antes de falar. — Esse cobertor era o que Lauren usava com ela desde as primeiras semanas. Leva junto. O cheiro ainda é familiar para Emma, e acho importante que continue perto dela. — Rachel respirou fundo e ajeitou a menina
MIA A casa de Rachel parecia mais silenciosa naquela tarde, embora Emma estivesse acordada quando chegamos. Adrian tinha uma reunião por vídeo com Rebecca e os advogados responsáveis pela guarda provisória, então se instalou por alguns minutos no escritório que Rachel ofereceu. Eu fiquei na sala sem saber exatamente o que fazer com as mãos. Já tinha visto Emma no dia anterior, acompanhara o exame e observara Adrian segurá-la. Mesmo assim, estar ali depois da confirmação mudava tudo. Aquela menina já não era uma possibilidade. Era filha dele e, de alguma maneira que eu ainda não compreendia, também acabava de entrar na minha vida. Rachel estava sentada numa poltrona com Emma apoiada contra o peito enquanto separava alguns documentos sobre a mesa. A menina parecia inquieta. Mexia as pernas, virava o rosto de um lado para o outro e soltava sons baixos que começaram a aumentar. Rachel tentou acomodá-la em outra posição, ofereceu a chupeta e falou perto de seu ouvido. Nada funcionou por
ADRIAN O resultado chegou às oito e dezessete da manhã, enquanto Mia ainda dormia no quarto do hotel. Eu estava sentado perto da janela com o notebook aberto e um café que já tinha esfriado quando a notificação do laboratório apareceu. Reconheci o assunto antes de abrir o arquivo. Durante alguns segundos, apenas fiquei olhando para a tela, consciente de que aquele documento dividiria minha vida em duas partes muito claras. Abri o laudo e encontrei a conclusão na última página. A probabilidade de paternidade era superior a 99,9%. Meu nome aparecia ao lado do de Emma Lauren Hayes, seguido por uma sequência de números que eu entendia perfeitamente e mesmo assim reli três vezes. Não existia margem útil para dúvida. A menina que eu segurara no dia anterior era minha filha. Fiquei parado diante da tela enquanto a palavra ganhava um significado que nunca teve antes. Pai deixava de ser uma possibilidade, uma hipótese genética ou uma consequência jurídica que precisava ser verificada. Eu er
MIA O voo para Chicago saiu pouco depois das sete, e Adrian passou quase todo o trajeto olhando documentos no tablet sem realmente avançar neles. Eu percebia quando voltava à mesma página, lia duas linhas e bloqueava a tela antes de recomeçar alguns minutos depois. Na noite anterior, ele dissera que ainda não sabia se queria companhia. De manhã, quando o carro chegou para buscá-lo, eu estava pronta com uma bolsa pequena e deixei a decisão final nas mãos dele. — Eu posso esperar no hotel se você quiser entrar sozinho. Só não quero que passe por isso sem ninguém por perto. — Fiquei diante dele na sala, segurando a alça da bolsa e tentando não transformar minha presença numa obrigação. — Se mudar de ideia quando chegarmos, eu fico fora. — Vem comigo. — Adrian pegou minha bolsa antes que eu respondesse e colocou perto da própria mala. A voz saiu baixa, sem a segurança habitual. — Eu ainda não sei como vai ser quando chegar lá. Durante o voo, ele não falou sobre a fotografia. Eu também







