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80: Prisão

last update publish date: 2026-09-28 02:57:31

A carta de Lorenzo Rossi virara cinza, mas o peso dela permanecia na mansão como uma presença invisível e sufocante.

Alessandro não falou sobre a ameaça nas horas seguintes. Não precisava. Em vez de palavras, agiu. As patrulhas foram dobradas antes mesmo do final da manhã. Câmeras novas surgiram em corredores que antes ficavam apenas sob vigia humana, pequenos olhos pretos piscando em cantos que Isabella jurava conhecer de cor. Os portões externos passaram a exigir confirmação dupla de identida
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   82: Trégua

    A manhã seguinte chegou sem pressa. A luz que entrava pelas cortinas pesadas do quarto era suave, dourada e preguiçosa, filtrada o suficiente para não ofender os olhos ainda pesados de sono. Isabella acordou primeiro. Por alguns segundos ficou quieta, deitada de lado, sentindo o corpo doer de um jeito profundo e familiar — não só pelo mármore frio da noite anterior, mas pela tensão emocional que ainda residia nos músculos. O bebê se mexeu de leve, um flutter tranquilo, como se também estivesse se ajustando ao novo dia.Alessandro dormia ao lado dela.Não era comum. Nas últimas semanas ele costumava desaparecer antes do amanhecer, deixando apenas o cheiro dele no travesseiro e a certeza de que já estava no escritório. Mas naquela manhã o corpo dele ainda ocupava o lado direito da cama, a respiração profunda e regular, uma das mãos estendida na direção dela como se, mesmo dormindo, quisesse manter o contato. A cicatriz abaixo da clavícula estava à mostra, avermelhada, mas limpa. O curat

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   81: Mármore

    Alessandro soltou o queixo dela só para segurar os dois pulsos e prendê-los contra a parede acima da cabeça com uma facilidade que só aumentou a raiva de Isabella.O corpo inteiro pressionou o dela. O mármore frio da parede contrastava de forma quase dolorosa com o calor da pele dele. A respiração dos dois se misturou no pouco espaço que restava entre as bocas. Por um segundo, apenas o som dos corações acelerados preencheu o corredor. O bebê se mexeu de novo, um empurrão firme e claro, preso entre os dois corpos como se também sentisse a tensão que vibrava no ar.— Você quer escolha? — a voz dele saiu rouca, perigosa, carregada de tudo o que não fora dito desde a carta. — Então escolhe agora. Aceita que eu vou proteger vocês do único jeito que eu sei… ou continua me acusando de não te amar enquanto eu queimo o mundo para te manter viva. Fala. Escolhe.Isabella revidou o olhar, o peito subindo e descendo com força contra o dele. Os pulsos doíam sob a pressão dos dedos dele, mas ela não

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   80: Prisão

    A carta de Lorenzo Rossi virara cinza, mas o peso dela permanecia na mansão como uma presença invisível e sufocante.Alessandro não falou sobre a ameaça nas horas seguintes. Não precisava. Em vez de palavras, agiu. As patrulhas foram dobradas antes mesmo do final da manhã. Câmeras novas surgiram em corredores que antes ficavam apenas sob vigia humana, pequenos olhos pretos piscando em cantos que Isabella jurava conhecer de cor. Os portões externos passaram a exigir confirmação dupla de identidade. E na manhã seguinte ao incidente das cinzas, Isabella descobriu que as portas que davam para o jardim interno e para a varanda lateral agora só abriam com a biometria dele ou de dois capos específicos. O quarto dela não estava trancado por fora — Alessandro não fora tão óbvio —, mas o caminho até qualquer saída da casa estava. Cada passo além do segundo andar exigia escolta. Homens que antes cumprimentavam com um aceno agora a seguiam a três passos de distância, o olhar fixo, a mão sempre pe

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   79: Cinzas

    Alessandro ficou alguns segundos olhando para a carta nas próprias mãos, como se ainda pudesse sentir o peso da caligrafia de Lorenzo Rossi impregnado no papel.As palavras continuavam ali, mesmo depois de lidas: "erro" , "insulto vivo", "o filho pagará". Cada uma delas parecia ter um peso físico. Ele as relera três vezes no silêncio do escritório e, ainda assim, a fúria não diminuíra. Apenas se condensara, ficando mais fria, mais precisa, mais perigosa. O amanhecer no píer — o cheiro de rio, a memória da mãe, a promessa de histórias novas — ainda estava colado na pele dele e na de Isabella. Agora aquele momento parecia pertencer a outra vida, uma vida que Lorenzo acabara de tentar envenenar com tinta e ameaça.Alessandro caminhou até a mesa grande de carvalho. Os passos ecoaram no assoalho de madeira. Abriu a segunda gaveta com um movimento preciso, quase cerimonial, e retirou um isqueiro de metal pesado, antigo, do tipo que se herda junto com o sobrenome e com as dívidas de sangue.

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   78: A Carta

    O silêncio no carro de volta foi diferente do silêncio que os acompanhara até o píer. Não havia mais a vulnerabilidade aberta das memórias da mãe de Alessandro, nem o peso suave das promessas murmuradas sobre a água. Agora havia apenas o cansaço residual da madrugada, o cheiro de rio ainda impregnado nas roupas e a sensação de que o mundo lá fora — o mundo de sangue e de sobrenomes — já começava a reclamar o espaço que eles tinham roubado por algumas horas. Isabella mantinha a cabeça apoiada no ombro dele, uma mão sobre a barriga, o anel solitário frio contra a pele. Alessandro dirigia com a mandíbula travada, os olhos cinzentos fixos na estrada, como se cada quilômetro de volta à mansão o obrigasse a reassumir a pele de Don.Quando os portões de ferro se abriram e o carro atravessou o pátio interno, a mansão parecia mais sombria sob a luz cinzenta da manhã. Homens armados trocavam olhares discretos. Enzo esperava no topo da escadaria de pedra, o rosto fechado de um jeito que Isabella

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   77: O Píer

    Já estava amanhecendo quando eles saíram do Bianchi. A cidade ainda dormia sob uma luz cinza-azulada que se espalhava lentamente entre os prédios. O ar frio da madrugada entrava pelas janelas entreabertas do carro blindado, trazendo o cheiro distante de asfalto molhado e rio. Isabella vestia o casaco pesado de Alessandro por cima do vestido de seda preta, o tecido fino ainda carregando o calor residual do corpo dele e o perfume das velas do restaurante. O colar de diamantes descansava frio contra a pele do pescoço; o anel solitário brilhava cada vez que a mão dela se movia sobre a barriga. O corpo doía de um jeito doce e profundo — uma dor boa, de músculos usados, de beijos que tinham demorado demais, de um prazer que ainda latejava entre as pernas. Alessandro dirigia em silêncio, uma mão firme no volante, a outra repousada sobre a coxa dela, o polegar desenhando círculos lentos e distraídos. A cicatriz abaixo da clavícula puxava levemente quando ele girava o volante, mas ele não se q

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