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81: Mármore

last update publish date: 2026-09-29 07:36:47

Alessandro soltou o queixo dela só para segurar os dois pulsos e prendê-los contra a parede acima da cabeça com uma facilidade que só aumentou a raiva de Isabella.

O corpo inteiro pressionou o dela. O mármore frio da parede contrastava de forma quase dolorosa com o calor da pele dele. A respiração dos dois se misturou no pouco espaço que restava entre as bocas. Por um segundo, apenas o som dos corações acelerados preencheu o corredor. O bebê se mexeu de novo, um empurrão firme e claro, preso en
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  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   119: Perseguição

    O carro já tinha desaparecido entre as árvores quando Alessandro se moveu.Não houve hesitação. Não houve segundo de paralisia. O corpo reagiu antes mesmo que a mente terminasse de processar o que acabara de acontecer. Ele voltou para dentro da cabana em três passos largos, puxou a calça do chão, enfiou a arma na cintura e agarrou o telefone que estava sobre a mesa de cabeceira. A primeira ligação foi para Enzo. A voz saiu baixa, controlada e absolutamente letal — a voz de um homem que acabara de ver a mulher grávida ser arrastada para fora de uma cama onde, horas antes, ele a fizera gozar em silêncio.— Eles levaram ela. Cabana. Dois homens. Carro escuro, placa parcial que eu não consegui ler. Rastreiem cada câmera da estrada secundária. Bloqueiem as saídas. Eu quero o perímetro fechado em dez minutos. E quero cada homem disponível em movimento. Agora.Desligou sem esperar resposta. Não precisava. Enzo já estaria em movimento antes mesmo de a linha cair. Alessandro saiu da cabana des

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   118: Cabana

    A tensão na mansão Vitale estava insuportável. Depois da expulsão de Donatella e do "quase" sequestro de Isabella, o ar naquele lugar estava pesado e impossível de respirar. Alessandro precisava tomar uma providência para aquela sensação ser dissipada. A decisão de sair veio no final da tarde, depois de mais um dia de listas, nomes e silêncios longos no escritório.Alessandro apareceu no quarto quando Isabella terminava de ajeitar o mobile sobre o berço. A luz da janela caía em faixas douradas sobre o chão de madeira. Ela estava de pé, a mão ainda no ar, ajustando o último fio do mobile de estrelas e luas que tinham escolhido juntos semanas antes. Ele parou no umbral por um segundo, observando-a. Estava de camisa social escura, as mangas dobradas até os cotovelos, o corte na sobrancelha quase invisível sob a luz suave, o olhar mais leve do que ela vira desde o retorno do campo. Havia uma determinação quieta nele, mas também algo que se aproximava de cansaço — não o cansaço físico, mas

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   117: Intermediário

    O homem chegou pouco depois das dez da noite. Dois homens de Enzo o trouxeram pelo acesso dos fundos, as mãos presas à frente do corpo com uma fita grossa e discreta, o rosto já marcado por um hematoma recente na maçã do rosto direito. A camisa estava amarrotada, o colarinho sujo, e o cheiro de suor frio e medo o acompanhava como uma segunda pele. Não era alguém importante. Nunca fora. Apenas um facilitador — o tipo de nome que aparece em listas quando alguém precisa mover dinheiro ou informação sem deixar digitais óbvias. O tipo de homem que sobrevive justamente por ser pequeno demais para chamar atenção e útil demais para ser descartado cedo.Alessandro o esperava na sala do porão, a mesma onde o traidor da portaria havia sido executado semanas antes. A luz era fria, proveniente de uma única lâmpada industrial presa ao teto baixo. As paredes de concreto absorviam o som. O chão estava limpo, quase brilhante sob a luz crua. A cadeira no centro do cômodo estava vazia até o homem ser em

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   116: O caminho

    No final da tarde, Enzo voltou ao escritório com uma confirmação.A porta se abriu sem bater. O rangido suave das dobradiças foi o único aviso. Alessandro ergueu os olhos das pastas. A luz da mesa iluminava apenas o círculo de papéis à sua frente; o restante do cômodo permanecia em penumbra. O rosto dele estava marcado pelo cansaço, mas os olhos cinzentos mantinham a mesma frieza precisa de sempre.— O intermediário está sendo trazido — informou Enzo, a voz baixa e objetiva. — Deve chegar em menos de uma hora. Os homens já estão a caminho com ele. Sem resistência até agora. Ele foi encontrado exatamente onde esperávamos. Sozinho. Sem escolta. Como se ainda acreditasse que a proteção antiga ainda valia alguma coisa. E há mais uma coisa. Chiara tentou ligar para o número antigo de Donatella três vezes desde ontem à noite. Todas as chamadas foram interrompidas pelo bloqueio. Ela tentou de novo esta manhã. E de novo há pouco. O intervalo entre as tentativas está diminuindo. Ela sabe que a

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   115: O padrão

    O escritório de Alessandro permaneceu fechado durante a maior parte da manhã. A porta de madeira maciça, pesada e antiga, isolava o cômodo do restante da mansão como se fosse uma câmara de isolamento. Do lado de dentro, a luz natural filtrava-se pelas cortinas pesadas apenas o suficiente para deixar o ambiente em penumbra controlada. As listas se acumulavam sobre a mesa de carvalho: registros de ligações impressos em folhas finas, extratos bancários com números sublinhados a caneta, horários de deslocamento de carros e motoristas, nomes que se repetiam com frequência demais para serem coincidência. Cada pasta aberta era uma ferida exposta. Cada linha riscada era uma suspeita confirmada. O cheiro de papel antigo se misturava ao aroma residual de café frio e à leve nota metálica que ainda pairava no ar desde a noite do campo — uma lembrança que se recusava a desaparecer.Enzo entrava e saía em silêncio, trazendo novas pastas, novos relatórios, novas confirmações. Não falava além do nece

  • HERDEIRO SEGREDO: GRÁVIDA DO INIMIGO DO PAI   114: Limpeza

    O amanhecer chegou sem cerimônia.O céu ainda estava cinza-azulado quando as primeiras luzes se arrastaram sobre os telhados da mansão. O ar frio da madrugada se misturava ao cheiro úmido da terra molhada da noite anterior. Nenhum pássaro cantava ainda. O silêncio era tão denso que parecia fazer parte das paredes. Donatella deixou a mansão pouco antes das seis. Não houve despedida. Não houve escolta ostensiva. Apenas um carro preto parado no pátio interno, o motor já ligado e soltando um ronco baixo e constante, e dois homens de Enzo observando de longe, postados nas sombras das colunas, para garantir que a ordem fosse cumprida até o último segundo.Ela desceu os degraus de mármore com a mesma elegância de sempre. O casaco preto impecável caía sobre os ombros como uma armadura. A bolsa pequena e discreta pendia da mão direita. O rosto era uma máscara serena, os lábios sem expressão, os olhos fixos no caminho à frente. Não olhou para trás. Não pediu para falar com Sofia. Não tentou um

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