MasukNo quarto, a porta se fechou com um clique suave. O som ecoou mais alto do que deveria no silêncio que se seguiu ao jantar. Alessandro tirou a camisa social com movimentos mecânicos, ficou apenas com a camiseta escura, e deitou ao lado dela. O colchão afundou sob o peso dele. Sem pedir permissão, puxou Isabella para perto, o braço envolvendo o corpo dela com uma firmeza que não admitia distância, a mão grande se acomodando sobre a barriga. O menino chutou sob a palma, um golpe firme e deliberado, como se reconhecesse o toque. Alessandro deixou a mão quieta ali, sentindo, o polegar começando a desenhar círculos lentos, quase inconscientes, o mesmo gesto que repetia todas as noites desde que o ultrassom confirmara o sexo.Isabella ficou em silêncio por um tempo. O calor do corpo dele a envolvia, o cheiro de sabão e de pele familiar preenchia o espaço entre os dois. A respiração dele era constante contra o alto da cabeça dela. Mas a tensão do jantar ainda queimava sob a pele. As farpas d
As horas passaram rapidamente desde o confronto entre Alessandro e Donatella.Desde então, ele não viu Isabella. Não por falta de vontade, mas por cálculo. Se ela o olhasse nos olhos naquele momento, perceberia que algo havia acontecido — algo pesado o suficiente para deixar marcas no rosto e na voz. E isso era exatamente o que ele não desejava. Donatella mentira com a mesma tranquilidade de sempre. Chiara fora visitada. O dispositivo no carro confirmara o endereço e o tempo. E agora o jantar se aproximava como um campo minado que ninguém poderia evitar.Alessandro passou a tarde no escritório, revisando relatórios que não conseguia concentrar-se o suficiente para entender. Enzo entrava e saía com atualizações curtas: nenhuma movimentação nova no acostamento, nenhuma ligação suspeita nos números monitorados, nenhuma saída adicional de Donatella. Ainda assim, a certeza permanecia. A conversa em Brooklyn Heights não fora inocente. E Donatella, pela primeira vez em anos, mentira para o r
Alessandro não deixou Donatella subir. Antes que o primeiro degrau da escada principal fosse alcançado, a voz dele cortou o saguão, baixa, clara e definitiva: — Escritório. Agora. Donatella parou. Não se virou de imediato. A mão ainda repousava no corrimão de madeira escura, os dedos impecáveis sobre o verniz. Por um segundo, apenas o silêncio do saguão respondeu — o silêncio de homens que fingiam não ouvir e de paredes que já tinham presenciado conversas piores. Depois, ela inclinou levemente a cabeça, como se avaliasse o tom da ordem, e obedeceu sem palavra. Os passos dela ecoaram pelo corredor do primeiro andar com a mesma elegância de sempre, mas havia uma rigidez nova nos ombros, quase imperceptível para quem não a conhecesse há décadas. Alessandro a seguiu de perto. Não tocou nela. Não elevou a voz. Não precisava. A presença dele atrás da tia era suficiente para transformar o trajeto em uma escolta silenciosa. Dentro do escritório, a porta foi fechada com um clique seco. O s
Chiara não se moveu por um longo tempo depois que a porta se fechou. O apartamento parecia menor. O ar, mais pesado. As palavras de Donatella ainda ecoavam, não como consolo, mas como uma lâmina afiada que finalmente encontrara um cabo. "O momento do seu retorno está cada vez mais próximo." "Eu tenho um plano." "Eu nunca falho nos meus propósitos." Chiara caminhou até a janela e apoiou a testa no vidro frio. Lá embaixo, a rua seguia indiferente. Pessoas caminhavam. Carros passavam. Ninguém sabia que, três andares acima, uma Vitale relembrava cada humilhação desde o dia em que Alessandro a expulsara. O jardim. O olhar de Isabella. A ordem fria do Don. A forma como Sofia, a caçula mimada, olhara para ela com algo próximo de alívio. "Ela nunca vai ocupar o lugar que por direito deveria ser meu." A frase que Chiara dissera em voz alta agora se repetia em silêncio, como uma oração invertida. Desde criança lhe disseram que seria a esposa de Alessandro. Desde criança prepararam-na p
O apartamento ficava num prédio antigo de Brooklyn Heights, longe o suficiente da mansão Vitale para não levantar suspeitas e perto o suficiente para que as notícias chegassem rápido. Chiara estava de pé perto da janela quando a porta se abriu. Não se virou de imediato. Continuou observando a rua três andares abaixo, os braços cruzados, o corpo tenso sob o vestido preto simples que escolhera naquela manhã. O cabelo, antes sempre impecável, estava preso num coque baixo, severo. Desde que Alessandro a expulsara da casa — desde que a humilhação pública no jardim e a ordem fria do Don a colocaram do lado de fora dos portões —, Chiara aprendera a esperar. E a odiar em silêncio.Donatella entrou sem se anunciar. O perfume discreto e caro preencheu o ambiente antes mesmo da voz. A porta foi fechada com cuidado por um dos homens que a acompanhavam, e os passos elegantes da tia ecoaram no assoalho de madeira.— Você está mais magra — disse Donatella, parando no centro da sala. A voz era contro
Enquanto Isabella e Sofia finalizavam a organização das gavetas, dois andares abaixo Alessandro estava no escritório. A tela do computador mostrava as imagens das câmeras externas em tempo real: a estrada secundária vazia sob a luz da manhã, o portão principal, o jardim interno onde as roseiras balançavam com o vento, a entrada de serviço. Enzo estava de pé diante da mesa, o relatório da manhã nas mãos, a expressão profissional e fechada. — Nenhuma movimentação suspeita nas últimas setenta e duas horas — disse o capo. — O carro não voltou. As placas falsas não deram em nada rastreável. Os contatos que temos do lado de Rossi confirmam que Lorenzo está em Nova York, mas não na propriedade. Está se movendo. Cauteloso. Mudando de lugar. — Cauteloso não significa distante — respondeu Alessandro. A voz estava baixa, controlada, cada palavra medida. Os olhos não saíam das telas. — Significa que ele está esperando. Medindo rotina. Medindo resposta. Eu quero os homens da secundária em turnos







