LOGINLizandra se afasta do parapeito da ponte e ajeita os longos cabelos escuros, que estavam presos em um rabo de cavalo, com certeza o vento os havia bagunçado.
— Por que não? Afinal não tenho nenhum motivo para voltar para casa agora. — Não tem medo de acompanhar um estranho? — O homem pergunta ajeitando o boné sobre a cabeça. — Posso te fazer a mesma pergunta — Lizandra o olha sorrindo, era engraçado, apesar de estar destruída por dentro, a presença daquele homem desconhecido a fazia se sentir melhor. Ao observá-lo pôde ver o quanto ele era bonito, e a sua atitude de ir até ela para ajudá-la, mostrou que ele tinha uma aura boa. — Então vamos, mas precisei parar o carro depois da ponte. — Sem problemas, eu estava correndo, parei aqui para descansar um pouco, e também porque não queria ir para casa, sendo assim, andar um pouco não será nenhum problema. — Também gosto de correr, mas geralmente faço isso na esteira, em casa mesmo. — Se eu for tentar correr em casa, eu nem me levanto do sofá — Ela ri com vontade, pois quando estava em casa o que menos queria fazer era exercícios físicos, por isso frequentava academia três vezes na semana e corria quase todos os dias. — Será que eu devo? — Lizandra pergunta ao se aproximarem do carro estacionado logo depois da ponte. — Acho que se eu fosse um marginal, já teria te assaltado — Ele abre a porta de trás para ela, a fazendo ver que ele não estava sozinho e pelo carro ele era um homem rico, pois, tinha até motorista. — Seja o que Deus quiser, com um carro desse, jamais me assaltaria. Eu só peço que não me mate, tenho assuntos pendentes e se me matar tirará de mim o prazer de me vingar de um verme. — Pode deixar, vamos apenas beber alguma coisa e conversar mais um pouco. Aliás, me chamo Darlan. — Liz, muito prazer — Lizandra lhe estende a mão e as mãos do homem eram mais macias do que as suas, ela constata. Ao entrarem no carro, Darlan tira o boné e a jaqueta, e logo entrega ao motorista, isso ele faz com Lizandra o observando. — Ele é o dono do boné e da jaqueta, peguei emprestado para descer do carro. — Você por um acaso é algum artista? — Lizandra pergunta curiosa. — Realmente não sabe quem eu sou? Nunca me viu em nenhum filme ou comercial? — Darlan pergunta como se estivesse decepcionado. — Me desculpe, mas eu realmente nunca o vi antes, mas talvez seja porque o carro está um pouco escuro — Lizandra tenta amenizar as coisas, mas Darlan acaba soltando uma risada. — Eu não sou nenhum artista, sou empresário, e não costumo andar a pé por cima de uma ponte, principalmente a essa hora da noite. — É claro, mas saiba que eu também não costumo correr de madrugada. — Para onde iremos? — O motorista pergunta, olhando pelo retrovisor. — Você disse que não tem motivos de ir para casa, posso te levar para o meu apartamento? É apenas por já ser tarde, apenas isso. — Você realmente confia assim em mim? Acabou de dizer que é um empresário, olha que eu posso querer me aproveitar disso. — Quero correr o risco — Ao vê-lo sorrir para ela, Lizandra sorri de volta — Para o apartamento na cidade. Logo eles estavam no prédio onde Darlan tinha um apartamento. Lizandra se acha uma louca por acompanhar um homem que ela nunca tinha visto antes, mas estava cansada de fazer tudo certinho, tudo bem planejado e calculado. Ao entrarem no elevador ela o olha e vê o quanto ele era bonito, diria que lindo, alto, barba por fazer, cabelos escuros e os seus olhos eram de um azul intenso. O apartamento de Darlan era uma bela cobertura, com uma vista panorâmica da cidade. O lugar era bonito e aconchegante, e também muito luxuoso. — Nossa! Você realmente deve ser muito rico — Lizandra nunca havia entrado em um apartamento tão luxuoso como aquele. — Mérito do meu pai, que construiu tudo o que temos. O que quer beber? — Vinho. Acredito que vinho seja uma boa opção para o momento. — Eu já volto — Darlan logo volta com uma garrafa de vinho nas mãos. — Confesso que conheço esse vinho somente de nome — Lizandra responde rindo, aceitando a taça que ele lhe serve — Olha, confesso que não pensei ser tão bom — Diz ao primeiro gole, saboreando outro em seguida — É uma delícia. — Que bom que gostou. Eles bebem conversando sobre assuntos banais, Lizandra só queria esquecer o que tinha vivido horas antes, e naquele momento só queria aproveitar a companhia agradável de Darlan, e aquele vinho maravilhoso. Depois de algumas taças eles ficam se olhando, como se os dois lutassem para não avançarem o sinal, mas um pensamento invade a mente de Lizandra. Darlan era lindo e não podia negar estar se sentindo atraída por ele, talvez pelo vinho ou pelo desejo de vingança. Com uma coragem que pensou não ter, ela se aproxima de Darlan e o olha nos olhos. — O que está fazendo? — Darlan se assusta ao ver Lizandra se aproximar dele. — Você tem namorada? Não quero ser a vilã nessa história — Lizandra fala em um sussurro. — Não, eu não tenho namorada. — Eu sempre fui muito rígida comigo mesma, por isso hoje eu só quero continuar fazendo o que nunca fiz antes. — Como o que por exemplo? — Darlan pergunta sem tocá-la — Isso...— Lizandra sorri maliciosa, antes de roçar os seus lábios nos dele.Lizandra estava arrumando a filha para o aniversário de cinco anos. Muitas coisas haviam acontecido, entre elas eles tinham Afonso, que estava dando os seus primeiros passos. Assim como Beatrice, nasceu com os olhos do pai, mas não apenas os olhos, mas ele era uma cópia perfeita de Darlan. — Oi Amor... precisa de ajuda? — Darlan pergunta entrando no quarto com Afonso no colo. — Olha papai, como eu estou linda — Beatrice fala dando voltinhas — Meu vestido é de princesa. — E está tão linda quanto uma princesa — Darlan fala sorrindo para a filha. — Pensei que mamãe estivesse com Afonso... — Lizandra fala ao ver o filho descer do colo do pai para ir até ela que o pega no colo. — Estava, mas diferente de Beatrice, esse daí não consegue ficar dez segundos sem ver a mãe dele — Darlan conta rindo — É meu bebê? — Afonso faz festa ao ver a mãe brincando com ele — Então vamos, precisamos ser os primeiros a chegar na festa. Eles tinha alugado um espaço para a festa de aniversário
O jantar de noivado foi entre risos e brincadeiras, e Rafael aproveitou a ocasiao para contar sobre ele e Leonor. Lara fez festa, feliz pelo pai e por ela mesma, isso por ter alguém que a tratava como filha, não podia negar que elas se davam muito bem e que, se antes considerava Lizandra uma irmã, agora muito mais. Darlan não manifestou opinião, mas parabenizou o pai pela coragem de recomeçar e demonstrou estar feliz com a decisão dos dois. — Sabemos que não temos mais idade para ficarmos indecisos, por isso que decidimos nos assumir... — Leonor vai vir morar com a gente? — Lara pergunta já pensando nessa possibilidade. — Ainda não — Leonor é quem responde — Está bom assim, cada um em sua casa... — Mas isso não quer dizer que será sempre assim... — Rafael contesta e Leonor não perde a chance de rebater. — Não foi isso que combinamos, hoje seria apenas para contar aos nossos filhos sobre a gente, quanto a mora aqui ou acolá, nem conversamos sobre isso. — Mas como eu disse, já te
Lizandra ao chegar em casa, contou a Darlan o que descobriu, e mesmo querendo esquecer aquele assunto, se sentia aborrecida por ter sido enganada por anos. Ao final da narrativa, Lizandra enxuga as lágrimas que teimavam em sair, por pensar que passou anos se cobrnado por algo do qual não era culpada. — Não pense que eu estou chorando por estar me sentindo triste, eu estou chorando de raiva — Lizandra tentava enxugar os olhos sem sucesso — Muita raiva na verdade. Você sabe o que é sonhar com algo e um infeliz te fazer se sentir culpada por esse sonho não se realizar, sendo ele o culpado, por estar te enganando? Isso é revoltante Darlan, muito revoltante, na verdade o que ele cometeu foi um crime. — Não fica assim amor... — Darlan sabia que ela tinha motivos para estar daquele jeito, mas por um lado ele acreditava que Otávio havia feito um favor, pois ele nunca teria sido um bom pai, e homens como ele o melhor era não terem filhos, assim Darlan pensando, enquanto ouvia toda a narra
Lizandra estava passeando com Beatrice em um parque na cidade, ela tinha passado por uma das suas lojas antes de levar a filha para pessear. Lara antes gostava de ir com ela, mas como agora ela era uma pessoa ocupada, entre trabalho e faculdade não pôde ir. Lizandra caminhava tranquilamente, quando escuta alguém a chamando. — Lizandra! — Ao olhar na direção de quem a chamava, ela fica surpresa por ver quem é — Que bom te encontrar, como você está? — Clara falava como se elas fossem amigas, mas Lizandra se mantém neutra àquela empolgação — Há quanto tempo, estou feliz por ter se casado com Darlan, agora eu tenho certeza que não irá voltar para aquele traste. — Se está falando de Otávio, não havia motivos para se preocupar, eu nunca tive essa intenção — Lizandra não podia negar que Clara estava mais bonita, nem se parecia com a jovem desesperada que a procurou um dia com um filho nos braços. — Sua filha está enorme, ela é muito linda. É incrível como ela se parece com Darlan — Cl
A festa de casamento de Darlan é Lizandra não poderia ter sido mais perfeita, muitas fotos foram tiradas e tanto Lizandra quando Darlan não ficaram sabendo o que houve. Depois de Lizandra se trocar com a ajuda de Lara e de Kátia, ela vai até Leonor que estava cuidando de Beatrice. Ela já havia trocando a sua roupa, tirando o vestido e colocando um macacão mais quentinho. — Oi filha... — Lizandra pega a filha no colo ao ver a festa que ela faz quando a vê — Que mocinha mais bonita é essa? — Betrice a segurava pelo rosto, como se demonstrando estar com saudade — Vamos!? O seu papai está esperando. — Começo a achar que ela não conseguiria ficar sem vocês por tanto tempo, tive que me virar para distraí-la, sempre que ela queria chorar. — Obrigada, mamãe e me desculpe por te dar tanto trabalho. — Não foi trabalho nenhum, além disso, Lara me ajudou — Leonor ri — Se quer saber até Rafael me ajudou com a neta. — Hummmm Rafael —Lizandra sorri — E vocês? — Que vocês? — Leonor resp
Ao fim da cerimônia, a igreja se põe de pé esperando os noivos saírem da igreja. Lizandra vê a amiga colocar Beatrice no carrinho e ela sabia que logo a sua mãe tomaria conta da neta. Lizandra não estava errada, Leonor depois de ver a filha sair de braços dados com Darlan, vai até o carrinho para pegar a sua neta.Ao se aproximar do carrinho sorrindo, ela sente o ar lhe faltar ao ver que a neta não estava ali. Ela procura Naira, que havia se sentado perto de onde Beatrice estava mas também não consegue vê-la. — Ela dormiu... — A amiga começa a dizer, mas para ao ver que Beatrice não estava no carrinho, onde havia acabado de colocá-la — Eu a coloquei aqui...— Onde está a minha neta? Onde está a minha neta? — Leonor começa sentir o desespero tomar conta dela e fica sem saber o que fazer.— O que está acontecendo? — Rafael pergunta ao ver Leonor nervosa — Onde está Beatrice? — Rafael pergunta olhando para o carrinho vazio.— Ela levou a minha neta, Naira levou Beatrice — Rafael olha e







