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CAPÍTULO 4

last update publish date: 2026-09-12 09:59:23

CONTINUAÇÃO...

Quando finalmente achei o endereço, parei na frente do prédio confusa. Olhei de um lado pro outro da rua.

Não tinha placa.

Não tinha nome.

Nada.

Só um portão discreto e uma porta de vidro escura.

Franzi a testa.

Aquilo realmente parecia uma clínica?

Por alguns segundos pensei até que tinha vindo no lugar errado. Mas quando conferi o papel outra vez, o endereço tava certo.

Respirei fundo e entrei mesmo assim.

O lugar era gelado por causa do ar-condicionado forte. Limpo demais também. O chão brilhava tanto que deu até vergonha do meu tênis sujo pisando ali.

Tinham algumas mulheres sentadas nas cadeiras espalhadas pela recepção.

Todas arrumadas.

Bonitas.

Cheirosas.

Assim que entrei, algumas levantaram os olhos na minha direção.

E me olharam daquele jeito. De cima abaixo.

Como quase todo mundo olhava.

Senti meu rosto esquentar na mesma hora.

Baixei a cabeça e fui direto pra cadeira mais afastada, no fundo.

Sentei apertando as mãos nervosa no colo.

Parte de mim queria levantar e ir embora dali.

Aquilo não parecia lugar pra gente como eu.

Mas então lembrei da dor estranha que tava sentindo fazia dias.

Lembrei da minha mãe.

E fiquei.

Os minutos foram passando devagar enquanto mulheres eram chamadas uma por uma.

Foi aí que percebi uma garota sentada mais perto da porta.

Ela parecia nova também.

Bonita.

Bem vestida.

Mas tava nervosa igual eu.

Sacudia a perna sem parar enquanto mexia no celular.

Até que levantou rápido e entrou no banheiro do corredor.

Na mesma hora uma mulher apareceu perto das portas e chamou:

— Melissa.

Levantei automaticamente.

Olhei pros lados, mas ninguém respondeu.

Então fui.

Meu coração batia rápido enquanto eu caminhava pelo corredor comprido.

Tinham duas portas abertas.

Parei na primeira e coloquei a cabeça devagar pra dentro:

— Licença… foi aqui que chamaram Melissa?

O médico tava de costas mexendo no computador.

Nem virou direito:

— Foi sim. Pode entrar.

Entrei fechando a porta atrás de mim.

Ele continuou digitando:

— Pode vestir a roupa que está no banheiro e aguardar na maca, por favor.

Assenti meio nervosa:

— Tá bom.

Fui até o banheiro pequeno da sala e encontrei uma roupa fina descartável dobrada.

Meu rosto queimou de vergonha.

Nunca tinha feito exame ginecológico na vida.

É só um exame, repeti pra mim mesma.

Tirei a roupa devagar e vesti aquilo.

Me senti nua mesmo estando coberta.

Respirei fundo e voltei pra sala.

Subi na maca. O papel por cima fez um barulho seco. Deitei de costas, olhando pro teto branco. As pernas tremendo um pouco.

Minhas mãos suadas seguravam a beirada da maca.

O médico finalmente virou um pouco pra mim, depois olhou pra ficha na mão:

— Já vamos começar.

Meu coração acelerou.

Ele se levantou. Veio na minha direção. Mas continuou sem olhar direito na minha cara. Só pegou um negócio na bancada, sentou num banquinho com rodinhas e se posicionou na minha frente.

— Relaxa as pernas pra mim.

Obedeci morrendo de vergonha.

Fechei os olhos.

Preventivo, pensei. É só um preventivo. É rápido. Toda mulher faz.

Senti ele mexer lá embaixo. Algo frio. Depois veio uma pressão estranha. Não chegava a doer, mas incomodava por dentro.

Mordi o lábio e contei até dez.

Ele fez alguma coisa que eu não consegui ver. Ouvi um barulho de equipamento. Um clique. Depois, silêncio.

O médico trabalhou rápido. Frio. Profissional.

— Prontinho — ele disse, se afastando.

Abri os olhos.

— Tá… tá tudo certo?

Ele já tinha virado de costas, lavando as mãos na pia.

— Você é uma garota saudável. Tá tudo certo sim.

Ainda deitada, senti um alívio enorme.

Não tem nada de errado comigo, pensei. Graças a Deus.

— Pode se vestir.

Levantei da maca, voltei pro banheiro e troquei de roupa. Ainda tava morrendo de vergonha daquilo tudo.

Quando saí, o médico tava sentado de novo anotando algo e então falou:

— A gente é muito grato a você por ter aceitado — ele disse, sem levantar a cabeça. — Não é toda garota da sua idade que aceita isso.

Abri a boca pra perguntar o que ele queria dizer com "isso", mas fechei na mesma hora.

É melhor não perguntar nada. Só sai daqui.

— Obrigada — respondi baixo.

Saí da sala, voltei pelo corredor, passei pela sala de espera.

A garota nervosa ainda não tinha voltado.

A mulher de jaleco me entregou um saquinho com um lanche.

— Ah… obrigada — agradeci.

E saí dali rápido, porque já bastava a humilhação de ter precisado abrir as pernas pra exame. Eu definitivamente não queria continuar nem mais um minuto naquele lugar.

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