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CAPÍTULO 151

last update publish date: 2026-10-22 23:12:58

MELISSA NARRANDO

Oito meses depois...

O grande dia finalmente chegou. O morro inteiro estava em clima de festa para o meu casamento com o Breno.

Eu estava sentada no banco de trás do carro, vestida em um vestido branco dos meus sonhos, sentindo o meu coração martelar com tanta força contra o peito que parecia que ia saltar pra fora a qualquer segundo. O carro parou logo em frente à entrada decorada do salão de festas no topo da comunidade. Ao meu lado, a minha mãe arrumava com carinho o caiment
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    MELISSA NARRANDOTrês anos depois...Três anos se passaram e, às vezes, ainda me pego pensando naquela garota que subia e descia cada viela do morro com roupa velha e um saco de náilon nas costas, catando latinhas debaixo do sol quente pra conseguir comprar um simples alimento e uma caixa de remédios pra mãe... e que hoje vive uma vida totalmente diferente. Terminei os meus estudos, comecei a fazer faculdade, aprendi a dirigir e agora ninguém mais me segura — nem mesmo o Breno!Eu abri uma ONG no morro pra ajudar as pessoas necessitadas da comunidade. Porque, se eu tivesse tido uma ajuda dessas no passado, a saúde da minha mãe e a minha não teriam chegado ao ponto em que chegaram. É por isso que faço questão de fornecer alimentos, roupas, produtos de higiene, médicos, dentistas, escola para as crianças e oportunidade de trabalho para os pais. Só eu sei o quanto cada uma dessas coisas faz a diferença na vida de cada uma dessas pessoas humildes.Sou eternamente grata aos meus filhos, a

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    BARÃO NARRANDOA festa de casamento tava estourada, o salão lotado com a rapaziada toda comemorando, mas pra mim o mundo tinha se reduzido só a nós dois.Eu tava com a minha mulher colada no meu peito, com os braços envoltos na cintura dela, dançando bem devagar no meio do salão ao som de uma música suave. Olhei pro rosto perfeito da Melissa, me inclinei e selei a nossa boca num beijo profundo e demorado. Quando nos afastamos devagar, não aguentei: fui descendo os beijos pelo queixo dela e segui pela curva macia do seu pescoço. Senti o corpo dela todinho se arrepiar na hora sob os meus lábios.— Breno... para com isso — a Melissa sussurrou com a voz falhada, dando uma risadinha gostosa e tentando afastar a cabeça. — A gente tá no meio da festa, todo mundo vendo!— Papo reto, amor... por mim a gente já metia o pé daqui agora mesmo pra nossa lua de mel — murmurei bem no ouvido dela, dando uma mordidinha leve no lóbulo da orelha.Ela levantou os olhos pra mim, com aquele brilho apaixonad

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    MELISSA NARRANDOOito meses depois...O grande dia finalmente chegou. O morro inteiro estava em clima de festa para o meu casamento com o Breno.Eu estava sentada no banco de trás do carro, vestida em um vestido branco dos meus sonhos, sentindo o meu coração martelar com tanta força contra o peito que parecia que ia saltar pra fora a qualquer segundo. O carro parou logo em frente à entrada decorada do salão de festas no topo da comunidade. Ao meu lado, a minha mãe arrumava com carinho o caimento do meu véu.Percebendo a minha respiração descompassada, ela se virou pra mim, segurou as minhas duas mãos trêmulas entre as dela e me encarou com os olhos brilhando de orgulho:— Minha filha... olha pra você. Você tá a noiva mais linda que esse mundo já viu — a minha mãe falou, com a voz embargada pela emoção. — Tudo o que você passou, cada dor, cada lágrima e cada obstáculo só serviu pra moldar a mulher gigante e a mãe maravilhosa que você se tornou. A partir de agora, é só felicidade, paz e

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    BARÃO NARRANDOEu encarava aquele meninão dormindo sereno no meu colo e, papo reto, não conseguia nem assimilar o tamanho de tudo isso. Quem me viu lá atrás, brutalizado pela vida, achando que minha caminhada seria só guerra e correria, nunca imaginaria me ver assim: parado no meio do quarto, com o peito explodindo de um orgulho e de uma felicidade que nem cabiam dentro de mim. Segurar aquele pedacinho da minha própria carne, sentir o calor da respiração dele contra o meu peito... era como se o mundo inteiro tivesse parado só pra eu contemplar a perfeição de Deus. Eu era o homem mais rico, mais forte e mais abençoado desse mundo inteiro.Olhei pra Melissa na cama, dando de mamar pra nossa menininha com aquele jeito calmo e radiante, e a ideia me veio na hora.— Amor, tive uma visão aqui... Vamos puxar os dois berços deles e colocar no nosso quarto — falei, ajustando o garoto no meu braço.A Melissa parou o que tava fazendo, olhou pra mim com a sobrancelha erguida e deu um sorrisinho d

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    TÂNIA NARRANDODois dias depois do nascimento dos gêmeos...Eu estava em casa me arrumando pra ir até a casa da minha amiga conhecer os bebês. A Melissa tinha recebido alta do hospital hoje, e eu resolvi esperar ela chegar no conforto do lar pra poder conhecer aquelas duas fofuras com calma. A minha gravidez não está sendo nada fácil: vivo passando mal, a pressão baixa num piscar de olhos e fora os enjoos constantes que não me dão trégua... Mas, graças a Deus, eu tenho o Tilápia, que é um homem maravilhoso e está sempre ao meu lado me cuidando e me paparicando.Hoje ele precisou sair cedo pra resolver uns problemas de rotina do morro, já que o Barão não sai do lado da Melissa e dos filhos de jeito nenhum — o homem virou um pai babão de primeira qualidade.Terminei de ajeitar a minha roupa quando o Tilápia entrou no quarto.— Tá de boa aí, amor? Tá se sentindo bem? — ele perguntou, vindo até mim.— Tô sim. Hoje o enjoo deu uma trégua, tá bem mais tranquilo.— Graças a Deus! Vim te avis

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    MELISSA NARRANDOO silêncio suave do quarto de hospital era o único som que preenchia o ambiente. Meu corpo ainda estava pesado, abatido e muito fraco pelo esforço absurdo do parto, mas a minha alma nunca tinha se sentido tão leve e completa.Virei o rosto devagar pro lado e vi um dos meus bebês dormindo feito um anjinho no berço de acrílico bem ao lado da minha cama. Em seguida, mudei o olhar pro canto do quarto e meu peito simplesmente transbordou de emoção.O Breno estava em pé, com aquele tamanho todo, forte e impetuoso... segurando com a maior delicadeza do mundo aquele pedacinho de gente no colo. Ele nem notava que eu estava acordada. Estava totalmente hipnotizado, babando pelo filho, com um sorriso bobo, emocionado e bobalhão estampado no rosto, admirando cada traço do rostinho do nosso menino. Ver aquele homem, que todo mundo temia na rua, totalmente rendido e derretido por um serzinho tão indefeso, me fez sorrir de orelha a orelha. Fiquei ali, caladinha, só apreciando a cena

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