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Capítulo 2 — O cliente que voltou

last update publish date: 2026-08-20 08:24:29

No segundo dia, Da-on chegou ao Café Dajeong vinte minutos antes do horário de abertura.

Não porque estivesse ansiosa pelo encontro do dia anterior.

Muito menos porque esperasse que Kang Keaton aparecesse novamente.

Ela apenas tinha acordado cedo.

Era uma explicação perfeitamente razoável, embora não explicasse por que havia preparado um americano sem açúcar antes mesmo de ligar a máquina de espresso.

Da-on observou a xícara sobre o balcão e franziu a testa.

— Isso é ridículo.

Min-ji, que organizava os sachês de açúcar, ergueu os olhos.

— O café?

— O fato de eu lembrar o pedido dele.

— Você lembra o pedido de todos os clientes frequentes.

— Ele não é um cliente frequente.

— Ainda.

Da-on lançou-lhe um olhar.

Min-ji respondeu com um sorriso inocente e voltou a trabalhar.

Às sete e cinquenta e oito, a porta do Dajeong se abriu.

Kang Keaton entrou.

Ele usava outro terno escuro, outra gravata impecável e a mesma expressão de homem que não havia dormido por causa de uma fusão empresarial. Da-on percebeu, no entanto, que o cabelo dele estava um pouco menos arrumado.

Talvez tivesse sido penteado às pressas.

Talvez tivesse acordado cedo.

Talvez ela estivesse prestando atenção demais.

— Bom dia — disse ele.

— Ainda não abrimos.

Keaton olhou para o relógio.

— Faltam dois minutos.

— Exatamente. Ainda não abrimos.

Ele fez uma pequena reverência.

— Vou esperar.

Da-on cruzou os braços.

— O senhor veio cedo de propósito?

— Sim.

— Por quê?

— Você abre às oito.

— Eu sei o horário do meu próprio café.

Keaton pareceu considerar que havia respondido de maneira inadequada.

— É um bom horário.

Da-on não conseguiu encontrar uma resposta para aquilo.

Ele caminhou até a mesa sete e sentou-se no mesmo lugar do dia anterior. Não tirou o celular do bolso, não abriu o notebook e não fez nenhuma ligação. Apenas ficou sentado, com as mãos sobre a mesa, esperando.

Da-on pegou a xícara que havia preparado e levou até ele.

— Americano quente, sem açúcar.

Keaton olhou para a bebida.

Depois olhou para ela.

— Você se lembrou.

— É meu trabalho lembrar pedidos.

— Entendo.

Ele segurou a xícara com as duas mãos.

Da-on voltou para trás do balcão, mas continuou observando-o pelo canto dos olhos. Keaton bebeu o café devagar, como se estivesse avaliando uma bebida em uma competição internacional. Ao terminar, colocou a xícara exatamente no centro do pires.

No dia anterior, ele havia feito a mesma coisa.

No terceiro dia, apareceu às oito em ponto.

No quarto, às sete e cinquenta e sete.

No quinto, chegou carregando um guarda-chuva preto, embora não estivesse chovendo.

— Há previsão de chuva — explicou, quando Da-on perguntou.

— A previsão diz que só choverá à tarde.

— Então é uma previsão ruim.

Da-on encarou o guarda-chuva.

— Você trouxe isso até aqui apenas para provar que a previsão estava errada?

— Não.

— Então por quê?

Keaton olhou para o objeto como se também não soubesse.

— Precaução.

— É claro.

Ele pediu o mesmo café.

Sempre o mesmo.

Americano quente, sem açúcar.

Nunca pedia sobremesa. Nunca experimentava os bolos. Nunca aceitava os biscoitos que Da-on deixava ao lado da xícara para os clientes que pareciam prestes a desmaiar de fome.

Também nunca se sentava em outra mesa.

A mesa sete havia se tornado território de Kang Keaton.

Min-ji começou a chamá-lo de “cliente do terno”.

— Ele chegou — anunciou no sexto dia, assim que ouviu a porta.

— Não precisa narrar cada movimento dele.

— Você olhou para a porta antes de ele entrar.

— Porque ouvi a porta.

— A porta abriu há três segundos.

Da-on virou-se para a máquina de café.

— Prepare os pedidos da mesa três.

— Você quer que eu leve o americano dele?

— Não.

— Por quê?

— Porque estou ocupada.

— Você está parada.

Da-on pegou um pano e começou a limpar o balcão que já estava limpo.

Min-ji sorriu.

— Ocupadíssima.

Kang Keaton aproximou-se do balcão.

— Bom dia, Da-on-ssi.

— Bom dia, Kang-ssi.

— O americano.

— Eu sei.

Ele permaneceu diante dela.

Da-on ergueu os olhos.

— Mais alguma coisa?

— Não.

— Então pode sentar.

Keaton obedeceu.

Era isso que mais a incomodava. Ele obedecia sem reclamar, mas também sem parecer submisso. Fazia tudo com a solenidade de quem aceitava uma ordem militar.

No sexto dia, porém, algo diferente aconteceu.

Keaton chegou molhado.

Não muito. Apenas os ombros do paletó e algumas mechas do cabelo estavam cobertos por pequenas gotas de chuva.

Da-on olhou para a rua. A chuva caía forte, formando uma cortina cinzenta diante das janelas.

— Você veio andando?

— Sim.

— Da estação?

— Sim.

— Por que não chamou um carro?

Keaton tirou o paletó e o pendurou no encosto da cadeira.

— Não era necessário.

— Agora você está molhado.

— Não estou.

— Está.

— É apenas água.

Da-on respirou fundo.

Pegou uma toalha pequena e jogou sobre a mesa sete.

— Se ficar doente, não venha reclamar no meu café.

Keaton segurou a toalha.

— Você está preocupada?

— Estou preocupada com o sofá. Pessoas doentes costumam deixar lenços usados em qualquer lugar.

Ele a observou por alguns segundos.

Da-on percebeu que ele parecia satisfeito.

— O que foi?

— Nada.

— Então pare de olhar.

Keaton abaixou os olhos.

Da-on voltou ao balcão, mas sentiu o rosto aquecer de maneira irritante. Não havia dito nada de especial. Qualquer pessoa teria emprestado uma toalha a um cliente encharcado.

Qualquer pessoa com um mínimo de educação.

Talvez fosse isso.

Kang Keaton simplesmente não estivesse acostumado a receber educação sem que houvesse alguma intenção por trás.

Essa possibilidade fez Da-on observá-lo com mais atenção.

Ele era educado, mas parecia sempre esperar que as pessoas lhe pedissem alguma coisa. Quando ela entregava o café, ele examinava seu rosto como se aguardasse uma solicitação. Quando ela perguntava se estava tudo bem, ele olhava para o cartão de crédito. Quando ela dizia que o dia estava frio, ele parecia pronto para chamar alguém e comprar um aquecedor para todo o bairro.

Era um homem estranho.

Naquela manhã, ele abriu o notebook.

Da-on ficou aliviada. Finalmente ele trabalharia em vez de observar o balcão.

A sensação durou menos de cinco minutos.

Keaton digitou alguma coisa, apagou, olhou para ela, voltou a digitar e tornou a olhar para ela.

Na quarta vez, Da-on não aguentou.

— Kang-ssi.

— Sim?

— Você está esperando alguma coisa?

— Não.

— Então por que está olhando para cá?

Keaton fechou o notebook.

— Estou tentando encontrar o momento adequado para conversar.

Da-on apoiou as duas mãos no balcão.

— Sobre o quê?

— Sobre o nosso encontro.

Ela fez uma careta.

— Já conversamos sobre isso.

— Não conversamos o suficiente.

— Nós dois concluímos que foi estranho.

— Você concluiu.

— Você não?

— Foi estranho.

— Então chegamos à mesma conclusão.

Keaton ficou de pé e se aproximou do balcão.

Mesmo do outro lado, Da-on percebeu que ele era muito mais alto do que parecia sentado. O paletó escuro, a camisa branca e a postura perfeitamente reta faziam com que ele parecesse ainda mais inacessível.

— Você não gostou de mim? — perguntou ele.

A pergunta foi tão direta que Da-on piscou.

— Não é assim que funciona.

— Como funciona?

— Não sei. Nunca fui boa nesse tipo de coisa.

— Você parece boa em tudo.

Da-on ficou em silêncio.

Kang Keaton aparentemente percebeu que havia dito alguma coisa diferente do habitual, pois desviou o olhar para a máquina de café.

— Quero dizer… você trabalha bem.

— Ah.

A decepção que sentiu foi pequena, mas irritante.

— Obrigada.

— Você é eficiente, conhece os clientes e administra bem o espaço.

— Você está me avaliando de novo?

— Não.

— Parece.

— Eu só estou sendo honesto.

Da-on cruzou os braços.

— E o que exatamente você quer saber?

Keaton pensou.

— Se você se arrependeu de ter aceitado o encontro.

Ela olhou para ele. Havia algo incomum em sua expressão naquele momento. A seriedade continuava ali, mas havia também uma espécie de cautela.

Como se Kang Keaton, que parecia capaz de fazer uma sala inteira se calar, não soubesse o que fazer diante de uma possível rejeição.

Da-on suspirou.

— Não me arrependo. Só acho que não combinamos.

— Por quê?

— Você é muito sério.

— Eu consigo ser menos sério.

— Não parece.

— Posso tentar.

A sinceridade inesperada fez Da-on perder a resposta.

Atrás dele, Min-ji fingiu organizar as colheres enquanto ouvia tudo.

— Kang-ssi — disse Da-on, escolhendo as palavras —, não precisa tentar nada. Você pode vir ao café, beber seu americano e continuar sendo exatamente como é.

— Você quer que eu continue vindo?

— Eu quis dizer que você pode.

— Não foi o que eu perguntei.

Da-on estreitou os olhos.

Ele estava aprendendo a fazer perguntas difíceis.

— Venha se quiser.

Keaton assentiu.

— Eu quero.

E voltou para a mesa sete.

Da-on ficou olhando para suas costas.

Ele realmente era estranho.

Parecia um gato que havia descoberto o horário exato em que recebia comida e agora retornava todos os dias, fingindo que não estava esperando por carinho.

A comparação surgiu tão naturalmente que Da-on quase riu.

Quase.

Naquela tarde, Kang Keaton cancelou o café da manhã com três executivos, transferiu uma reunião para as nove e meia e avisou ao secretário que não estaria disponível entre oito e oito e vinte.

— O senhor tem um compromisso fixo? — perguntou o secretário.

Keaton olhou para a agenda.

Depois para a fachada do Café Dajeong, visível através da janela do carro.

— Tenho.

— Com quem?

Kang Keaton pensou em Da-on, no avental terracota, na toalha jogada sobre a mesa e no modo como ela fingia não esperar sua chegada.

— Com um café — respondeu.

O secretário anotou a informação sem questionar.

No dia seguinte, Keaton chegou às sete e cinquenta e seis.

Da-on já havia preparado o americano.

Dessa vez, acrescentou um pequeno biscoito ao lado da xícara.

Quando ele se sentou, fingiu não perceber.

Mas comeu tudo antes de ir embora.

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