LOGINLeonardo Cross Eu tinha acabado de terminar o meu banho, sentindo os músculos ainda doloridos, quando ouvi batidas leves na porta. Carmela entrou no quarto um pouco relutante, mas a intensidade dos olhos dela entregava a saudade imensa que sentia — o mesmo reflexo do que queimava em meu peito. — Bom dia! Eu estava com um medo danado de te acordar... mas ainda bem que você já está de pé. Conseguiu dormir bem? — ela sussurra, aproximando-se a passos curtos antes de se jogar em meus braços e me abraçar com força comedida. — Eu só não dormi cem porcento bem porque você não estava aqui colada em mim — resmungo, afundando o rosto em seus cabelos. — E é bom você contar logo para o seu pai e para o Enzo que nós estamos juntos de verdade. O Lorenzo já sabe de tudo e achou o máximo sermos cunhados em dobro — provoco, cobrando uma atitude, mas usando um tom brincalhão para não estragar o nosso momento. — Nós acabamos de chegar ao litoral, calma... e eu já aproveitei para sondar o terreno
Lorenzo Bianchi Eu estava de volta a Florença após organizar a transferência de Leonardo e da minha irmã para a segurança e o conforto do litoral, permitindo que eles se recuperassem do trauma recente em Milão. Apesar de todos os esforços e da pressão que exerci sobre meus contatos, ainda não tivemos nenhuma notícia concreta sobre a localização e a prisão do desgraçado do Lucca Marone. Essa incerteza me preocupa, pois sei exatamente do que um lunático obcecado é capaz quando se vê acuado, colocando em risco a vida da minha irmã e do meu cunhado. — Bom dia, minha morena linda! — sussurro, puxando-a para perto e beijando-lhe os lábios assim que Diana desce as escadas para a cozinha onde preparo o nosso café. — Notei que você passou uma madrugada bem agitada, virando-se de um lado para o outro na cama... — comento, acariciando os cabelos dela. — Com os nossos bebês crescendo a cada dia aqui dentro, está cada vez mais difícil encontrar uma posição confortável para dormir com eles ch
Enzo Bianchi Era impressionante como a mera presença dela tinha o poder de despertar algo avassalador e primitivo dentro de mim. Um único toque de seus dedos era suficiente para fazer minha alma entrar em estado de dependência e meu corpo arder em brasa. — Por que você não me contou naquela noite, quando a levei para o hotel, que o Tomazo era quem cometia essas atrocidades contra você? — pergunto, sério. Continuo fitando a imensidão espumosa do mar à nossa frente, sem coragem para encará-la neste exato segundo. — E por que eu deveria contar isso a você? Por que eu iria abrir a boca e contar que estava sendo espancada por um sádico para outro sádico? — ela rebate. Sua voz carrega uma revolta dolorosa e cortante, embora o que realmente rasgue meu peito seja ouvi-la me rotular de sádico, colocando-me no mesmo patamar daquele psicopata asqueroso. Fecho os meus punhos com tanta força que as unhas cravam fundo na palma da mão, tentando conter a fúria cega que ameaça transbordar. O s
Enzo Bianchi Eu estava aflito com a situação da minha irmã e do Cross em Milão, mas as últimas atualizações que o Lorenzo me enviou conseguiram piorar o cenário. Além de estarmos na mira implacável do psicopata do Tomazo, agora teremos que caçar outro desgraçado de mente diabólica chamado Lucca Marone. — Pai, o Lorenzo ligou agora pouco avisando que a Carmela virá com ele e com o Cross para o litoral, então o senhor pode se acalmar um pouco — tento tranquilizá-lo. — Minha nossa... Sua mãe com certeza já está a caminho de lá para infernizar a vida da minha menina, que já passou dos limites do suportável — meu pai desabafa, massageando as têmporas. Ele conhece perfeitamente a índole controladora de Constanza e sabe o quanto o veneno dela pode destruir a estabilidade emocional da Carmela. — Eu já orientei o Lorenzo a montar um bloqueio psicológico e físico para blindar a Carmela das manipulações baratas da nossa mãe — sirvo uma xícara de café fumegante. Entrego ao meu velho, que a
Leonardo Cross O médico havia acabado de sair do quarto após me examinar minuciosamente, avisando com tom profissional que só me daria alta em quarenta e oito horas. Ele queria acompanhar de perto a evolução pós-cirúrgica antes de autorizar minha transferência para Castiglioncello, conforme o plano de Lorenzo. — Sua irmã já avisou aos seus pais sobre tudo o que houve, e eles estão de malas prontas para o litoral assim que confirmarmos a sua alta — Lorenzo avisa, encerrando a ligação. — Espero sinceramente não estar atrapalhando os preparativos para o casamento de vocês... — suspiro, sentindo o peso do cansaço físico e mental. — Já está mais do que na hora de vivermos um tempo de paz depois de tanta turbulência — resmungo, massageando as têmporas. — Não se preocupe com nada disso, Cross. Tudo está sob controle e teremos tempo de sobra para a sua recuperação — Lorenzo sorri de canto. — E faça chuva ou faça sol, você vai estar lá de pé para participar da nossa cerimônia como nosso
Leonardo Cross Estava sentindo um cheiro forte de éter e de produtos hospitalares impregnando o ar. O frio no quarto era intenso, e minhas pálpebras pesavam tanto que eu mal conseguia abri-las. Lembranças fragmentadas do que aconteceu começaram a inundar a minha mente, fazendo-me questionar há quanto tempo eu estava apagado naquele leito de hospital. Carmela! Como ela está? Eu fui baleado e me lembro perfeitamente do desespero dela ao me ver sangrando em seus braços. Mesmo me esvaindo em sangue na calçada, eu tentei de tudo para acalmá-la, mas a dor lacerante no abdômen era tão brutal que imaginei que morreria ali mesmo. — Até que enfim a bela adormecida resolveu acordar para a vida... — ouço a voz grave de Lorenzo ecoar bem perto da minha cama. — Seja bem-vindo de volta ao mundo dos vivos, meu irmão. Você nos deu um susto dos infernos! — ele desabafa, respirando aliviado. — Eu não deveria ter sido acordado com o beijo carinhoso de um príncipe? Vem cá, dá um beijinho no seu cu







