LOGINMarcela Salazar Eu estava há dois dias prostrada na cama, tentando juntar os cacos e me recuperar da última sessão de espancamento gratuito do Rafael. Todo o meu corpo latejava em dores insuportáveis, mas o estrago mais profundo e incurável estava na minha alma, completamente dilacerada. Onde estavam os meus pais nesse momento de horror? Por que fui entregue por eles a esse monstro para morrer sozinha e abandonada? Sentia-me completamente esquecida pela minha própria família e... pela única alma que um dia pareceu perceber o meu calvário: Enzo Bianchi — Você precisa comer algo, menina! Precisa reagir a isso tudo! — ouço a voz sussurrada e aflita de Lina, a cozinheira, quebrando o silêncio do quarto. Ela devia ter voltado para trazer uma nova refeição ou recolher a bandeja anterior, intocada desde a véspera sobre a mesinha de cabeceira. Eu já não guardava nenhuma migalha de esperança de conseguir sair viva daquele inferno, e por isso decidi simplesmente acelerar o fim. Não pret
Leonardo Cross Eu ainda não havia saciado a fome voraz que sentia da companhia e do corpo de Carmela. Tínhamos acabado de passar por uma maratona de sexo intenso, e eu só esperava meu corpo recuperar o fôlego para voltar a mergulhar nela. Mas, antes disso, preciso esclarecer uma ferida aberta: saber quem era o homem que a rondava no camarim com intimidade demais. A demora dela em me responder sobre a identidade daquele sujeito prova que ele não é apenas um mero desconhecido inconveniente. Ele é alguém que já fez parte da vida íntima dela — ou que, pelo jeito, ainda tenta fazer. — Pelo seu silêncio, percebo que ele é muito mais do que um simples modelo que usou suas peças na passarela — insisto, com a mandíbula travada. — Eu e o... Lucca fomos namorados por um bom tempo, lá atrás, quando vim morar em Milão para estudar design de moda — ela confessa. A resposta vem carregada de relutância, e eu me mantenho em absoluto silêncio, estreitando os olhos enquanto aguardo o resto da hi
Carmela Bianchi Eu estava deitada completamente nua sobre o corpo imponente e de músculos rígidos de Leonardo, recuperando o fôlego após uma maratona de sexo selvagem. Aquele momento era marcado pelo alívio e pela carga intensa de saudades que finalmente conseguíamos matar exaustivamente. — Por que demorou tanto para vir me procurar, Cross? — pergunto, enquanto traço desenhos imaginários com a ponta dos dedos em seu peito forte. — Pelo visto, você não se inteirou dos acontecimentos caóticos que rolaram após o resgate da minha irmã — ele responde, com um sorriso de canto. Leonardo começa a brincar distraidamente com os meus cabelos, enrolando as mechas longas entre os dedos. — Tivemos dias de pura tensão na busca pelos sequestradores da Diana. Eu e o Lorenzo acompanhamos tudo de perto e sem trégua. — Graças a Deus os malditos foram pegos e agora estão apodrecendo onde deveriam estar — ele acrescenta, com a voz carregada de triunfo. — Além disso, eu tinha pendências familiares u
Lorenzo Bianchi Acabo de chegar à sede da Valmont, após acompanhar Diana a mais uma consulta médica de rotina para acompanhar a gestação. Faço questão de estar presente em cada ultrassom e procedimento, zelando por cada detalhe, mas sempre respeitando o espaço dela. — Oi, Lorenzo... — Enzo invade o meu escritório de surpresa, com o semblante eufórico e visivelmente tomado por um nervosismo palpável. — Eu finalmente descobri onde a Marcela está, e nós precisamos tirá-la de lá com urgência máxima! — ele dispara, sem ao menos respirar. Ouço cada palavra, compreendendo instantaneamente a causa daquela agitação e da obsessão repentina que tomou conta do meu irmão pela nossa ex-assistente. — Onde ela está escondida e por que motivo precisa ser resgatada com toda essa pressa? — pergunto, mantendo a voz calma. Encaro Enzo com firmeza, tentando conter o ímpeto de um homem que parece prestes a perder totalmente o controle de suas ações. — Ela está presa na cobertura de um figurão chamad
Enzo Bianchi Eu estava em minha sala, atolado de relatórios complexos e decisões importantes, quando ouço batidas firmes na porta e Pietro pede licença para entrar. — Sim, entra... — respondo, mantendo a voz fria e cortante moldada pelas pressões diárias como CEO da maior importadora e exportadora da Europa. — Espero que me traga boas notícias, Pietro. Já não aguento mais essa espera angustiante por respostas — cobro, voltando toda a minha atenção para ele. — Trago novidades importantes, senhor — ele diz, estendendo um tablet e desbloqueando a tela em um vídeo nítido da fachada do hotel onde hospedei Marcela antes do seu sumiço. — Essas são as imagens que você conseguiu rastrear do hotel? — pergunto, estendendo o dedo para dar o play e assistir à gravação com atenção cirúrgica. Vejo um homem cujo porte físico me desperta a impressão de que já o conheça, embora a resolução das câmeras não permita distinguir perfeitamente o seu rosto. Ele entra no saguão acompanhado por outros d
Leonardo Cross Eu acompanhei o desfile diretamente da plateia lotada, deslumbrado com o talento nato e a elegância de Carmela. Fiz questão de não aparecer antes, imaginando a tensão e a adrenalina intensa que envolvem os bastidores desse tipo de evento. Vê-la surgir na passarela no grand finale, caminhando com classe e orgulho ao lado dos modelos, encheu meu peito de uma admiração absurda. Permaneci na espreita até notar que a multidão começava a se dispersar, usando o passe VIP enviado por Dhin para circular livremente. Assim que me aproximei da área dos camarins, escutei a voz alterada de Carmela debatendo com alguém e apressei o passo pelo corredor. Abri a porta de supetão, deparando-me com aquele idiota abusado tentando agarrá-la à força, enquanto ela se contorcia visivelmente incomodada. Depois de tirá-lo do meu caminho com toda a grosseria que ele merecia, ainda tive que engolir o fel da ira dela por ter reaparecido depois do hiato de tempo. — Não gostei nem um pouco da







