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Capítulo 7

Author: Ana Clara
Não importava o quanto Mariana a provocasse, Sara continuou em silêncio, de cabeça baixa, tricotando o casaquinho de lã.

Vendo que era ignorada, Mariana perdeu a paciência. Num movimento brusco, arrancou o tricô das mãos dela e o lançou direto no lago à beira da estrada.

— Você ficou surda? Não está ouvindo o que eu estou falando?

Sara ficou furiosa. Ela encarou o casaquinho flutuando na água e disse, fria:

— Desce e pega de volta.

— Eu não vou. E aí? O que você vai fazer? — Mariana cruzou os braços e sorriu com desprezo.

— Não vai pegar? Então não me culpe pelo que acontecer. — Sara avançou passo a passo, forçando Mariana a recuar até ficar à beira do lago.

Justo quando se preparava para empurrar Sara na água, ela viu, pelo canto dos olhos, Lucas caminhando em direção às duas.

Um sorriso estranho e astuto surgiu em seus lábios. Então, ela agarrou algo e atirou no lago.

— Sra. Sara, não! Por favor, não faça isso! — Mariana gritou de repente. — É a medalhinha de Nossa Senhora do meu filho! O Lucas mandou benzer especialmente para ele há poucos dias! A saúde dele anda frágil desde que você o machucou naquela queda. É essa medalhinha que protege a vida dele! Como você pode ser tão cruel?

— Do que você está falando? Foi você quem... — Sara franziu a testa.

Ela já sabia que chegar perto de Mariana nunca terminava bem.

Aquela mulher era especialista em fingir.

— Sara! — Antes que pudesse se defender, Lucas chegou tomado pela raiva e agarrou seu pulso com força. — O que você fez?

— Lucas, eu realmente não consigo mais viver nessa casa! A Sra. Sara quer que meu filho morra! Eu só fui cumprimentá-la e contei que você tinha ido benzer a medalhinha para o nosso filho. Ela arrancou a medalha e jogou no lago! Disse que meu filho não merecia usá-la, que ele devia morrer, e que, mesmo depois do divórcio, quando o bebê dela nascesse, o meu continuaria sendo apenas um bastardo!

— Você disse mesmo isso? Eu achei que você estivesse se divorciando para dar uma chance à Mariana. Então era tudo mentira?

— Eu nunca disse isso! — O pulso dela doía sob o aperto dele. — Foi ela quem jogou a medalha na água! Eu não tenho nada a ver com isso!

Lucas a interrompeu friamente.

— O padre disse que essa medalhinha não podia ser perdida antes do batizado. Se isso acontecesse, era um mau presságio para a criança! A Mariana jamais colocaria a vida do próprio filho em risco só para me enganar! — Ele a encarou, e seus olhos estavam cheios de um desprezo que ela nunca tinha visto. — Sara, como você pôde se tornar esse tipo de pessoa? Você também está grávida. Não tem medo de que o nosso filho seja castigado por Deus pelos seus atos?

Um gosto metálico de sangue subiu-lhe pela garganta. Ela ergueu os olhos, incrédula.

— Lucas, você está amaldiçoando o nosso bebê por causa do filho da Mariana? Você não faz ideia de quem ela realmente é! Ela foi capaz de deixar o próprio filho cair de propósito para me incriminar. Por que não jogaria uma medalha de proteção?

— Chega! Cala a boca! — Lucas ergueu a mão e deu um tapa violento no rosto dela.

Pega de surpresa, Sara perdeu o equilíbrio e caiu no lago.

Assim que seu corpo afundou, a água gelada invadiu seus ouvidos e nariz. Por um instante, ela realmente achou que fosse morrer.

— Para de fingir, Sara. — Na margem, Lucas permaneceu imóvel, com um tom frio e duro. — Eu sei que você sabe nadar. Já que foi você quem jogou a medalha, então vá buscá-la.

— Venham aqui! — Ele chamou seus subordinados. — Fiquem de olho nela. Ela só sai dessa água depois de encontrar a medalha. Se não achar, não deixem ela subir.

— Mas, comandante... Ela está grávida. — Um dos soldados hesitou, olhando para Sara, que se debatia na água, claramente com dor.

— É melhor deixar para lá. Tenho certeza de que a Sra. Sara não fez por mal. E se ela perder o bebê? — Mariana fingiu compaixão.

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