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Capítulo 8

Auteur: Ana Clara
— Grávida não pode nadar, é? — Lucas zombou. — Ela vive se aproveitando da gravidez, vive se apoiando no fato de que eu a amo e mimo demais. É por isso que nunca leva minhas palavras a sério! Mariana, vamos entrar. Não liga para ela! Mesmo que ela perca o bebê, será consequência das próprias atitudes dela!

Mergulhada na água gelada do lago, Sara observou a figura de Lucas se afastando enquanto ele protegia Mariana e, de repente, ela sorriu.

No entanto, lágrimas brotaram e escorreram de seus olhos.

Ela lembrou-se do dia em que descobriu a gravidez. Naquele dia, Lucas chorou até os olhos ficarem vermelhos.

— Sara, finalmente vamos ter um bebê! — Abraçando-a com força, repetia inúmeras vezes. — Agora você nunca mais vai me deixar. Eu juro que jamais vou deixar você e nosso filho sofrerem qualquer injustiça.

Por causa de uma mulher que mentia constantemente, ele havia empurrado sua esposa grávida para dentro do lago! E até a obrigou a mergulhar para recuperar a medalha do filho que outra mulher teve com ele.

— Sra. Sara. — Um dos subordinados, relutante, falou. — Encontre logo, por favor. A senhora está com nove meses. O bebê pode nascer a qualquer momento. Tenho medo de que aconteça alguma coisa.

Até um estranho conseguia se preocupar com ela, mas Lucas era capaz de ser tão cruel.

Sem dizer uma palavra, Sara mordeu os lábios e voltou a mergulhar, procurando pela tal medalha repetidas vezes.

Com o passar das horas, a água ficou cada vez mais gelada. Ela tremia de frio sem parar, mas não encontrava a medalha. Com o corpo pesado pela gravidez, cada mergulho até o fundo parecia despedaçar seus órgãos por dentro.

Os homens na margem já não conseguiam continuar assistindo.

— Já são dez horas. Se isso continuar, algo ruim vai acontecer com ela.

— Mas não podemos desobedecer à ordem do comandante.

Depois de quatro horas, suas mãos e pés estavam completamente pálidos e inchados de tanto ficar na água.

Quando já estava prestes a desmaiar de exaustão, o bebê em sua barriga começou a chutá-la repetidamente.

Os movimentos ficaram cada vez mais fortes, até que ela começou a sentir uma pressão intensa no baixo-ventre e contrações dolorosas. Uma dor tão intensa que fez suor frio escorrer por seu corpo. E, logo depois, sentiu um líquido quente escorrer entre suas pernas.

— Meu Deus, é sangue! — Um dos subordinados logo gritou, desesperado. — Rápido, tirem ela daí! Liguem imediatamente para o comandante Lucas!

A ligação foi atendida quase na hora, mas quem atendeu foi Mariana.

— O Sr. Lucas está com o meu filho. Ele não tem tempo. Ele mandou dizer que, enquanto Sara não encontrar a medalha, ela não pode sair da água.

A ligação foi encerrada.

Os subordinados olharam para Sara, quase inconsciente, e finalmente tomaram uma decisão.

— Esquece! Vamos levá-la à maternidade agora! Se demorarmos mais, tanto ela quanto o bebê vão morrer!

Eles a carregaram nos braços e correram para fora da casa.

Sara virou a cabeça e lançou um último olhar para a residência. Lá dentro, as luzes eram quentes e acolhedoras. Lucas provavelmente estava fazendo companhia a Mariana e ao filho dela, desfrutando da felicidade de uma família.

E ela?

Ela e seu bebê estavam à beira da morte.

Quando chegou à maternidade, já passava da meia-noite.

Seu ventre estava sendo consumido por uma dor lancinante, e tudo diante de seus olhos escurecia.

A enfermeira a empurrou às pressas para a sala de cirurgia.

— Rápido! A gestante está com hemorragia. Ela pode estar entrando em trabalho de parto!

Com os últimos resquícios de consciência, Sara murmurou:

— Salvem meu filho...

— Fique tranquila. Vamos fazer tudo o que pudermos. — A enfermeira olhou ao redor, aflita. — Cadê a família da paciente? Chamem os familiares imediatamente!

Sem ousar perder tempo, um dos subordinados voltou a ligar para Lucas. Mas, não importava quantas vezes ligassem, ele não atendia.

Na última tentativa, a ligação foi simplesmente rejeitada.

— O nosso comandante está ocupado... — O subordinado parecia constrangido.

— A Sra. Sara está nesse estado, o que poderia ser mais importante? — A enfermeira arregalou os olhos, incrédula. — Não atende o telefone e ainda rejeita a ligação? E se acontecer alguma coisa com ela durante a cirurgia?!

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