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O Homem Da Pasta Azul

last update publish date: 2026-10-30 06:54:21

O doutor Ramos chegou à casa de Cecília pouco antes do anoitecer.

Estacionou na esquina, longe da fachada, e caminhou até o portão com a pasta presa contra o corpo. Antes de entrar, olhou para a rua, para as janelas das casas vizinhas e para o espaço onde o homem da pasta azul havia desaparecido.

— Ele ainda pode estar por perto — disse Ian.

— Pode — respondeu o advogado. — Mas não vi ninguém seguindo meu carro.

Cecília abriu o portão.

— O homem não tentou falar conosco. Apenas ficou obser
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    Meu pai perguntou se eu queria sair no sábado de manhã. Não explicou para onde. Disse apenas que deveríamos levar um casaco e que voltaríamos antes do anoitecer. Eu aceitei sem perguntar muito. Depois de tantas semanas em que cada convite parecia esconder uma pista ou uma preocupação, havia algo reconfortante em não saber exatamente o que nos esperava. O dia amanheceu claro, com nuvens finas espalhadas pelo céu. Minha mãe nos entregou uma sacola com sanduíches, duas maçãs e uma garrafa térmica de café. — Vocês vão voltar com fome — disse ela, colocando a sacola no banco de trás. — Sempre voltamos com fome — respondeu meu pai. Ele dirigiu para fora do centro, seguindo uma estrada que acompanhava o rio. Eu conhecia aquele caminho, embora não soubesse de onde. As casas foram ficando para trás, depois vieram árvores altas, pequenas lojas e trechos de água que apareciam entre os galhos. — Onde estamos indo? — perguntei. — Para o lugar onde costumávamos passar os sábados, quando você

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