LOGINOs dias seguintes foram os melhores que eu já vivi em Beaufort. Eu e Luna planejávamos o futuro como se ele fosse garantido. Conversávamos sobre faculdades próximas, sobre dividir um apartamento pequeno, sobre finais de semana juntos e noites estudando um ao lado do outro. Tudo parecia possível. Tudo parecia certo.Até o dia em que deixou de ser...Foi numa terça-feira à tarde. Eu estava esperando Luna no banco de sempre, debaixo da árvore, quando ela chegou com o rosto pálido e os olhos vermelhos. Segurava um envelope branco contra o peito como se fosse algo perigoso.— O que aconteceu? — perguntei preocupado, levantando-me imediatamente indo até ela.Ela não respondeu de imediato. Apenas estendeu o envelope para mim com as mãos trêmulas. Abri. Era uma carta oficial, com o brasão de Harvard no topo.“Parabéns, Luna Sanches Smith"Temos o prazer de informar que você foi selecionada para a bolsa integral de estudos pré-medicina…”Li as palavras duas vezes,três.O chão pareceu sumir sob
No dia seguinte, acordei cedo para me despedir do tio Patrick. Ele havia ficado mais um dia na cidade devido um problema com o carro dele. Quando fui até ele, já estava com a mala pronta ao lado da caminhonete.— Vai embora mesmo tão cedo? — perguntei, ainda com a voz rouca de sono.— Tenho um compromisso em Charleston, já fiquei um dia a mais por aqui, mas prometo que assim que possível eu volto aqui.Ele me puxou para um abraço curto e firme.— Cuida dessa menina. E cuida de você também. Seu pai não está mais aqui para te dar uns puxões de orelha quando você fizer besteira… então eu vou ter que fazer o papel.Sorri.— Pode deixar.— E Josh… — ele parou com a mão na porta do carro —, não tenha medo de ser feliz. Seu pai queria isso pra você mais do que qualquer outra coisa.Assenti, sem conseguir responder. Observei a caminhonete sumir pela rua até o som do motor desaparecer.Na escola, o clima com Daniel continuava frio, mas menos explosivo. Ele me evitava, e eu fazia o mesmo. Luna,
Os três dias de suspensão passaram mais rápido do que eu esperava.Passei a maior parte do tempo em casa com meu tio Patrick. Certa tarde, enquanto consertávamos a cerca do quintal, ele parou de martelar e me olhou de lado.— Seu pai também tinha esse temperamento quando mais jovem, sabia?— Tinha?— Tinha. Protegia quem amava com unhas e dentes. Às vezes de forma… digamos que impulsiva.Sorri sem graça.— Não foi a melhor forma de resolver, eu sei...— Não foi. Mas mostra que você se importa de verdade com a menina. Isso já é alguma coisa.Sorri sem jeito.— Luna é muito importante pra mim, não vejo um futuro sem ela.— Eu percebi. Mas vocês são muitos jovens, pode ser que essa paixão continue no futuro, ou não — Como não?— Quero dizer que, talvez vocês não se casem ou talvez sim, só o futuro que sabe. Vocês tem muito o que viver ainda.Fiquei pensativo.Naquela noite, depois que Rebeca foi dormir, meu tio e eu ficamos na varanda. Ele acendeu um cigarro e ficou em silêncio por um t
Os dias com Luna sempre são estranhamente de um jeito bom.Eu e Luna mal nos desgrudávamos. Caminhávamos juntos para a escola, almoçávamos juntos, fazíamos as tarefas juntos e, quando não estávamos juntos, estávamos trocando mensagens. Parecia que o mundo tinha encolhido até caber só nós dois.Na manhã de sexta-feira, enquanto eu preparava o café, ouvi o som de uma caminhonete parando em frente à nossa casa. Rebeca foi até a porta e voltou com um sorriso largo.— Josh… tem alguém aqui pra te ver.Saí da cozinha e me deparei com meu tio Patrick, irmão do meu pai. Alto, cabelo grisalho nas laterais, o mesmo olhar vivo que meu pai tinha.— Tio? — falei, surpreso.Ele me puxou para um abraço forte.— Feliz aniversário atrasado, sobrinho. Vim passar uns dias. Rebeca me contou que você estava se adaptando… e que até tem uma namorada agora.Senti o rosto esquentar.— É… tenho...— Quero conhecer essa menina. Garota de sorte — disse ele.— Eu que tenho sorte em ter ela tio. Ela é incrível.—
Acordei no dia seguinte com um sorriso no rosto.Pela primeira vez em muito tempo, não precisei de despertador. O sol entrava pela janela e, por alguns segundos, fiquei quieto, relembrando tudo.O aniversário, a festa.O “sim” de Luna.E o abraço de Rebeca...Peguei o celular. Já tinha uma mensagem dela que me fez esboçar um sorriso de orelha a orelha.Luna: Bom dia, namorado.Josh: Bom dia, namorada. Ainda acho estranho escrever isso.Luna: Estranho bom?Josh: Muito bom.Sorri sozinho.Fiquei conversando por um tempo com ela, planejando o dia, me despedi e logo segui para a cozinha. Rebeca já estava lá, preparando o café. Quando me viu, ergueu uma sobrancelha.— Olha só quem acordou sorrindo, e nenhum pouco atrasado.— Bom dia — respondi, tentando disfarçar.— Bom dia, meu filho de dezoito anos. Dormiu bem?— Dormi.Ela me entregou uma xícara de café e se apoiou na bancada.— Ontem foi… especial, não foi?Assenti.— Foi.— Eu gostei de te ver você assim. Mais leve. Mais… presente.F
Acordei com o som do alarme, mas por alguns segundos fiquei parado, encarando o teto, tentando entender se tudo o que tinha acontecido com Luna era real.A lembrança veio em ondas. O toque, os olhares, o jeito como ela pronunciou meu nome.Meu peito apertou e uma sensação quente tomou conta de mim.Era como se o mundo tivesse mudado, e eu ainda estivesse aprendendo a viver dentro dele.Me levantei devagar, ainda com o corpo leve, mas a mente cheia.Cada movimento me trazia de volta aqueles momentos e o quanto eles significaram.Não era só desejo. Era algo maior, mais profundo.E, ao mesmo tempo, havia o medo.O medo de que ela se arrependesse.O medo de que eu tivesse ido longe demais.Olhei meu reflexo no espelho e suspirei.— O que você fez, Josh? — murmurei para mim mesmo, meio rindo, meio nervoso. Mil pensamentos me invadiam naquele momento.Será que ela também estava pensando em mim? Será que estava bem?Peguei o celular e abri o chat. Nenhuma mensagem.Escrevi um “bom dia” e ap







