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Capítulo 2

Author: Quinn Adora Coentro
Rafael me soltou de repente, parecendo mais assustado do que se eu fosse a verdadeira intrusa.

André e Pedro avançaram na direção dela, frágeis como dois passarinhos recém-saídos do ninho.

— Mamãe, se você não voltar, vamos apanhar!

Gabriela os abraçou, com o coração partido, denunciando sua dor.

— Rafael, você me prometeu que nunca deixaria as crianças sofrerem nem um pouco. Como pôde quebrar sua palavra?

Mesmo com mais de trinta anos, Gabriela ainda conservava uma pureza encantadora.

Eles haviam vivido um amor intenso: ele, um dos herdeiros mais conhecidos de Marisola, e ela, a rainha das corridas, delicada por fora e forte por dentro.

Todos apostavam neles, mas Gabriela terminou o relacionamento em busca da própria carreira.

Rafael então me pediu em casamento, se ajoelhando, com os olhos parecendo conter toda a galáxia.

— Renata, foi você quem me ensinou o que é um lar.

Eu acreditei.

Mas depois, naquela festa, quando o assassino mirou e disparou contra nós, o instinto dele foi se jogar sobre Gabriela.

Eu caí em um mar de sangue, e naquele vermelho intenso, vi sua coragem solitária ao proteger quem carregava nos braços.

Naquele dia, perdi muito sangue.

E lágrimas? Eu derramei ainda mais.

Rafael ficou em silêncio por um longo instante. Quando se voltou para mim, percebi meu destino.

— Renata, peça desculpas.

Talvez antes eu tivesse argumentado, defendido meu ponto.

Mas naquele momento, só queria apaziguar a situação e sair.

Sem hesitar, disse a Gabriela com calma:

— Desculpe, foi tudo culpa minha. Este lar, eu devolvo a você.

A sala mergulhou em um silêncio absoluto.

Rafael, que jamais demonstrava emoção, ficou pálido pela primeira vez.

Antes que ele pudesse falar, as lágrimas de Gabriela caíram.

— Renata Pereira, você está me esnobando? Eu já te dei o lugar, e você ainda finge essa superioridade? Está tentando me machucar de propósito!

Pedro, ao vê-la chorar, me empurrou com força.

Com meus saltos de seis centímetros, torci o pé e caí no chão.

Uma dor lancinante se espalhou pelo tornozelo.

Pedro ficou surpreso por um instante e depois bufou:

— Que fingimento.

André olhou para mim apenas por dois segundos e voltou a consolar Gabriela.

— Mamãe, não chore. Nós já vingamos você.

Meu coração latejou de dor como se fosse perfurado por agulhas. Ao presenciar a cena, não pude deixar de lembrar de sete anos atrás.

Gabriela lançou um olhar rápido para as crianças e partiu com seu amante apaixonado.

Os dois pequenos choravam desesperadamente, correndo atrás do carro, gritando:

— Mamãe, mamãe, não vá, por favor, não vá!

Meu coração se partiu. Corri atrás deles, perdendo as sandálias, com os pés em carne viva.

No fim, exausta, caí no chão.

Os dois se deitaram sobre mim, soluçando sem fôlego.

— Mamãe, não vamos mais atrás dela. Você será nossa mãe daqui para frente.

Naquele momento, chorei, acreditando que finalmente havia conquistado o coração deles.

Mas três anos depois, Gabriela voltou, após um desempenho desastroso nas competições.

Uma única explicação foi suficiente para que as crianças a aceitassem novamente, e eu me tornei a inimiga.

Dez anos de esforço não valiam mais que uma simples justificativa dela.

De repente, Rafael se aproximou, levantando meu pé e aplicando gelo no tornozelo.

— Renata, por que tanta irritação? Tenha um pouco de paciência e tudo vai passar.

Senti um leve tremor nas pontas dos dedos. Por um instante, achei que ele se importasse comigo, mas a realidade me atingiu logo em seguida.

— Como vai comparecer ao baile assim? Todos vão achar que eu te machuco.

Olhei para baixo e respondi tranquilamente:

— Então não irei.

Ir seria apenas motivo de zombaria.

Todos me elogiavam:

— Sra. Monteiro, que sorte! Dois filhos tão lindos!

Mas viravam as costas e zombavam:

— Essa madrasta se acha demais, logo será expulsa.

Gabriela, sorrindo por dentro, tinha os olhos vermelhos.

— É por minha causa? Renata, nunca quis te substituir, não precisa me insultar assim. — Dito isso, soltou as crianças e se virou para sair.

André e Pedro entraram em pânico, o medo de quando foram abandonados na infância os tomou de novo.

Eles barraram o caminho de Gabriela, olharam para mim com ódio e gritaram:

— Velha bruxa! Por que quer expulsar ela? Ela é nossa verdadeira mãe!

Rafael gritou para eles:

— Caiam na real! Quem ensinou vocês a xingar assim? — Depois olhou para mim. — Se está machucada, fique em casa e descanse.

Mas nos olhos dele não havia preocupação comigo, e sim a alegria de ter a oportunidade de se aproximar de Gabriela.
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