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Capítulo 5

Penulis: Pequeno P
Ao final da peça de teatro, Fábio e Cecília já haviam desaparecido, sabe-se lá para onde. Com um gosto amargo na boca e o rosto impassível, Flora chamou um táxi e voltou para casa sozinha.

Assim que entrou, começou a fazer as malas. O celular vibrou sobre a cama com uma mensagem do pai: [Os trâmites para a retirada do capital estão concluídos. A medida entra em vigor em três dias. Mandarei alguém buscá-la.]

Flora respondeu com um breve "Certo" e continuou a dobrar as roupas, empilhando-as metodicamente na mala.

Fábio não apareceu a noite toda. Apenas enviou uma mensagem seca: [Surgiu um imprevisto. Vá dormir.]

Na manhã seguinte, Flora mal havia terminado sua higiene matinal quando a porta do quarto foi escancarada com violência. Fábio invadiu o cômodo, com os olhos injetados de sangue, e agarrou o pulso dela com força.

— Venha comigo! — Ordenou ele.

— O que você está fazendo? — Gritou Flora, tropeçando enquanto era arrastada para fora.

Sem responder, Fábio a empurrou brutalmente para dentro do carro. Ele dirigia como um louco, furando vários sinais vermelhos. Flora logo reconheceu o caminho.

Eles iam para a escola onde Cecília trabalhava.

Havia uma pequena multidão aglomerada no portão. Cecília estava sentada no chão, com as roupas imundas e lágrimas escorrendo pelo rosto, compondo uma imagem desoladora. Ao vê-los chegar, ela se levantou num salto e se ajoelhou diante de Flora.

— Flora, eu juro que não seduzi o Fábio! Por favor, me deixe em paz! — Implorou ela, com a voz embargada.

— E agora, Flora? O que você tem a dizer? — Trovejou Fábio, a voz carregada de ódio.

— Eu não fiz nada. — Flora soltou a mão dele com um puxão brusco.

Fábio soltou uma risada fria e puxou um menino de óculos pelo braço, trazendo-o para o centro da roda.

— Diga. Quem mandou vocês fazerem isso?

O garoto olhou para Flora, tremendo de medo, e gaguejou:

— Foi... foi essa tia. Ela nos deu dinheiro para jogar tinta na professora Cecília.

— Você está mentindo! — Flora tremia de raiva. — Eu nem conheço você!

— Chega! — Cortou Fábio, ríspido. — Peça desculpas à Cecília. Agora.

Flora balançou a cabeça, incrédula.

— Por que eu pediria desculpas por algo que não fiz?

Com o rosto fechado, Fábio arrastou Flora até o pátio da escola, sob o sol escaldante do meio-dia. Cecília os seguia, mancando, com o vestido empoeirado e os joelhos roxos.

— Fábio, a culpa é toda minha... — Soluçou Cecília.

Suas pernas cederam como se fossem falhar, mas Fábio a amparou prontamente. Seus olhos se fixaram nos hematomas nos joelhos dela, e seus dedos apertaram o braço de Flora com violência.

— Flora, você sabia que ela está grávida? — A voz dele era um sussurro perigoso. — Acho que você também merece provar desse sofrimento.

— Você não ousaria. — Retrucou Flora, elevando o tom. — Meu pai não vai perdoar isso!

— Ah, a grande herdeira! — Fábio explodiu, agarrando-a pelo colarinho. — Acha que pode fazer o que quiser só porque tem papai para te bancar?

Ele se virou para os seguranças que aguardavam ao lado.

— Segurem ela!

Dois homens imediatamente imobilizaram os ombros de Flora. Ela se debatia violentamente, tentando se soltar.

— Fábio! Tem câmeras por toda parte!

— Mandei desligar todas. — Zombou ele, inclinando-se para sussurrar no ouvido dela. — Você machucou a Cecília. Agora aguente as consequências.

— Fábio, não faça isso... — Fingiu Cecília, fazendo menção de intervir.

— Não se meta, Cecília. — Disse ele com uma suavidade assustadora ao afastá-la, antes de mudar o tom para os guardas. — Façam ela se ajoelhar!

Os seguranças forçaram Flora para baixo com brutalidade. Seus joelhos colidiram contra o concreto duro, e a dor foi tanta que sua visão escureceu por um instante. Ela mordeu o lábio para não gritar, sentindo o gosto metálico de sangue escorrer pelo canto da boca.

— Agora sim, é justo.

— Uma hora. — Sentenciou Fábio aos seguranças. — Fiquem de olho nela. A Cecília tem a saúde frágil, vou levá-la para o carro. Considere isso uma boa ação para garantir o futuro do nosso filho.

Pressionada contra o chão, Flora sentiu uma pontada aguda e terrível no baixo ventre. O suor frio encharcou suas costas instantaneamente.

— Fábio... — Chamou ela, com a voz fraca e trêmula. — Minha barriga... está doendo muito.

Fábio parou e olhou para trás, a hesitação visível em seu olhar. Foi quando Cecília desabou suavemente em seus braços.

— A gravidez deixa a gente mais sensível... Flora é diferente de mim, ela é forte, ela aguenta... — Murmurou a amante.

A expressão de Fábio congelou novamente.

— Ela faz isso com você e você ainda a defende? Hoje vou exigir o respeito que você merece.

Ele virou as costas e entrou no carro. Pelo vidro, Flora viu Fábio pousar a mão carinhosamente sobre a barriga de Cecília. Sua visão ficou turva, o mundo girou e, finalmente, a escuridão a engoliu.
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