A chuva castigava o vidro do carro, criando uma barreira líquida entre Flora e o mundo lá fora. Fábio esmurrava a janela do motorista, e sua voz chegava abafada pelo temporal:— Flora! Abra! Me deixe explicar!Sentada ao volante, Flora tamborilava os dedos no volante, observando a cena patética dos dois encharcados na chuva. Um riso amargo, sem humor algum, escapou de seus lábios. Ela baixou o vidro lentamente.— Você chegou quando? — Perguntou Fábio, invadindo o espaço com sua ansiedade.— Acabei de chegar. — Respondeu ela, com um sorriso gélido.A expressão de Fábio mudou, e ele começou a despejar palavras numa velocidade desesperada:— Ela é como uma irmãzinha para mim, uma vizinha antiga! A casa dela ficou sem luz e eu só vim dar uma olhada, juro!Cansada daquelas mentiras esfarrapadas, Flora estendeu a mão para fechar o vidro.— Flora, espera! — Cecília surgiu de repente, colocando-se na frente do carro. O vestido branco, agora molhado e transparente, colava-se ao corpo, dando-lhe
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