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8 – A FUGA

Author: Bianca C. Lis
last update publish date: 2026-03-06 22:15:37

POV: BLAKE

— Puta merda, o que aconteceu aqui? — A voz de Tayler rompeu o silêncio. — Irmãozinho, Alguém te atacou? foi consensual?

Abri os olhos devagar, a cabeça pesada. O corpo estava mole, relaxado de um jeito que eu não sentia há anos.

Desde aquele dia maldito.

— Por que você tá gritando, Tayler? — resmunguei, rouco. Me sentei no sofá desnorteado, esfregando as têmporas. — O que faz aqui?

Ele adentrou olhando em volta, cruzando os braços com a sobrancelha arqueada, parando a minha frente, me medindo de cima a baixo com um sorriso maldoso nos lábios.

— Ual, parece que você brigou com uma leoa e perdeu feio. — Ele apontou para meu corpo: abdômen riscado por arranhões longos e vermelhos, tórax coberto de chupadas roxas e inchadas, ombro marcado por mordidas fundas que ainda ardiam.

Seu cheiro ainda permanecia grudado em minha pele e no ar: Doce, Forte, Viciante!

“Precisamos de mais.” A voz do meu lobo veio grave, satisfeito, inquieto. “Quero mais daquele mel.”

Passei a língua pelos lábios, absorvendo o que restava do sabor dela, soltando o ar lentamente.

— Então… aquilo foi real — murmurei, um sorriso lento subindo no canto da boca. — Ela era real?

Tayler, soltou um suspiro exagerado.

— Pelas marcas em teu corpo, posso garantir que foi super real. — disse, colocando a mão no peito, dramático. — Estou até com invejinha agora… — Fazendo biquinho. — Talvez eu devesse marcar acidentalmente uma humana, quem sabe tenho uma noite marcante como a sua.

Rosnei com uma risada curta e seca, esticando os músculos, sentindo o protesto bom.

— Deveria te matar pelo que fez ontem — Declarei frio, o encarando de solado.

O veneno ainda pesava: músculos latejando, fraqueza irritante.

Tayler se encostou no batente, com um sorriso travesso.

— Melhor recuperar suas forças primeiro, garanhão, parece que ela sugou cada gotinha de sua energia. — Rindo divertido, apontou para mim. — Isto aconteceu antes ou depois da transformação da garota?

Franzi o cenho, congelei. Não lembrava da transformação dela.

Ela tinha mutado completamente? Quando isso aconteceu?

— Ah, não… Eu não acredito — Tayler arregalou os olhos rindo alto, debochado. — Você está me dizendo que o grande futuro Alfa, cauteloso, frio, marcou uma humana… e ainda dormiu com ela sem verificar se a transformação estava completa?

— Não enche, Tayler! — rosnei, impaciente, me levantando de uma vez. — Onde ela está?

Avancei até ele, parando perto demais.

— O que você fez com ela, Tayler?

Ele ergueu as mãos na hora, recuando alerta.

— Ei, calma aí, irmãozão. — Riu nervoso. — Eu teria que ser louco para mexer com uma presa sua. Gosto da minha cabeça no lugar!

Bufei alto, cerrando os punhos com força, virei para o reflexo da janela, de fato... Parecia que havia levado a maior surra... Do jeito mais prazeroso e marcante possível. Meu ombro, havia marcas profundas de mordidas, apesar disto, não havia marca de companheiro, nada de vínculo oficial.

Ela havia deixado suas marcas de um jeito peculiar e interessante. Muito interessante.

— Não estou com muita paciência com você depois do que fez, Tayler — rosnei baixo, feroz, olhando diretamente para ele. — O que você fez com a garota?

— Nada, juro pela minha vida miserável — respondeu rápido, erguendo os ombros com uma pressa que não combinava com a pose relaxada.  — Quando cheguei aqui ela já havia sumido.

Ele fez uma breve pausa, o meio sorriso sarcástico voltando mais afiado.

— Meu palpite? Você acabou assustando a garota… e ela aproveitou que te derrubou e fugiu. — O brilho divertido brincava em seus olhos. — Admito, foi uma jogada inteligente. Se a alcateia descobrir que o futuro Alfa marcou uma humana e ainda deixou ela fugir… boa sorte explicando para o conselho, irmãozinho.

Tayler riu, estalando a língua.

— Eles vão adorar saber que o grande Blake, o puro, o que se guardou pela Deusa, acabou marcando a humana errada e perdendo o controle da própria presa!

A frase acertou em cheio.

Eu me guardei por anos pela Deusa… esperei pacientemente pela verdadeira Destinada, a Luna perfeita que a Lua me prometera. E agora uma humana roubou meu controle, minha marca e talvez minha chance de redenção?

Isso é castigo ou destino?

Cerrei os dentes, a culpa queimava no peito.

A Deusa não perdoava os que se entregam ao erro. Lobos que não se guardam para suas verdadeiras companheiras são punidos, ficavam sem par, sem bênção, sem herdeiros dignos.

E eu? Que jurei pureza, marquei uma humana fraca, incompleta, que nem sabe o que carrega no sangue!

— Você acha isso engraçado? — rosnei, irritado, o agarrando pelo colarinho. — Essa humana não sabe que existimos, não faz ideia de como controlar a própria fera e pode estar por aí sozinha, semitransformada, fora de controle!

— Eu diria que você apresentou muito bem a ela a fome e a força de um Lycan. — Ele estalou a língua, ácido, com aquele humor irritante.

O ergui do chão sem esforço, os dedos cravados no tecido da camisa. Meu rosto a centímetros do dele, presas expostas, o rosnado grave vibrando no peito. O chão tremeu sob meus pés. A fera pressionava por dentro, pronta para avançar.

— Quer que eu te envie diretamente para o inferno, Tayler? — rosnei, baixo e perigoso, cada palavra uma ameaça clara. — Você faz ideia do problema em que me meteu?

— Não é tão ruim assim… — Arregalando os olhos, o sorriso sarcástico vacilou. — Se queria a garota de verdade, era só ter amarrado ela na cama antes de apagar. Problema resolvido!

O empurrei com força, o fazendo cambalear e bater contra a parede.

— Quanto de veneno você me deu?

— Melhor se acalmar primeiro, ainda sou seu irmãozinho mais novo — disse Tayler, se levantando rápido. — Te dei um pouco mais do que o dobro da dose recomendada. Tipo… bem mais.

— Você fez o quê? — Explodi em um rugido feroz. — Estava tentando me matar, seu filho da puta?

— Não seja dramático! — Tentou se defender. — Sabe o quanto é difícil te derrubar, só queria que você relaxasse de verdade pela primeira vez em anos!

— Por causa da verbena que você me deu, meu lobo saiu do controle e marcou uma humana inocente — falei, parando no meio da sala. Cerrei os punhos com tanta força que as unhas afundaram nas palmas. Respirei fundo, contendo a fera que rosnava dentro de mim, pronta para despedaçar meu irmão ali mesmo. — A colocamos em perigo. Tem ideia do que os outros Lupinos vão fazer se a encontrarem com o meu cheiro? Ou se os humanos a virem primeiro?

Ele coçou os cabelos com força, bagunçando, soltando um suspiro longo e frustrado.

— Já sei, já sei… Fiz merda — admitiu, baixo. — Porra... Podem descobrir sobre nossa existência. Vão nos caçar. A matilha inteira vai cair em cima da gente por causa de uma humana que nem devia estar no nosso caminho.

— A morte seria um privilégio neste cenário… Se meus inimigos a capturarem, irão a torturar sem piedade; e aqueles que desconhecem nossa existência a transformariam em mera cobaia. — rosnei entre os dentes, impaciente. — Quero que descubra tudo sobre essa mulher… Preciso saber exatamente quem foi marcada pelo meu lobo e por quê. O que ela tem de tão especial para o ter feito renunciar à própria destinada?

Abri a porta da sala e falei por cima do ombro:

— E, Tayler… — chamei, sentindo a fera subir à superfície. — Mantenha isso em sigilo. Você sabe o que acontecerá se a Ordem descobrir!

Ele assentiu, sério, ciente da gravidade.

— Entendido. Considere feito!

Saí farejando o ar, puxando o fôlego com força. O cheiro dela ainda estava nítido, misturado à gasolina e borracha.

Virei para a garagem vazia.

— Ah, que humana atrevida… — murmurei rouco, umedecendo os lábios devagar, um sorriso predatório surgindo no canto da boca. — Ela roubou meu carro!

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