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CAPÍTULO 83

Autor: Alan Rios
last update Data de publicação: 2026-10-24 00:49:07

Fiquei olhando para a mensagem de Bianca com a mesma sensação de quando alguém faz uma pergunta absurda demais para receber resposta imediata.

“Porque ele quer ser.”

Eduardo.

Padrinho de um dos meus filhos.

Tomás saiu do banheiro secando o cabelo com uma toalha e percebeu minha cara antes mesmo de chegar perto.

— O que foi agora?

— Antes de eu falar, quero deixar registrado que eu não tive participação nenhuma.

Ele parou.

— Péssimo começo.

— Foi exatamente o que pensei quando a Bianca escreveu
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  • MEU MARIDO ME TROCOU PORQUE ENGORDEI   CAPÍTULO 88

    Dormir no meu apartamento sem o anel foi pior do que eu esperava.Não porque eu tivesse terminado com Tomás.Eu não tinha.Nem queria.O problema era justamente esse.Eu continuava amando o homem que estava na casa onde eu morava, provavelmente acordado, provavelmente olhando para o anel dentro da mão e provavelmente se torturando com uma carta escrita por uma mulher morta sete anos antes.E eu estava ali.Na minha cama antiga.Na minha cozinha antiga.Com minha escova de dentes antiga.Aquela era a parte que me incomodava mais.Eu tinha mantido o apartamento exatamente para poder voltar quando quisesse.Agora que tinha voltado, não gostei.Parecia menos liberdade do que lembrança de uma vida que já não cabia direito.Mesmo assim, fiquei.Precisava conseguir fazer isso.Precisava saber que podia amar Tomás sem transformar a casa dele numa gaiola bonita demais para abandonar.Meu celular vibrou às sete e onze.Tomás.Olhei a mensagem antes de abrir.“Bom dia. Não vou perguntar se você

  • MEU MARIDO ME TROCOU PORQUE ENGORDEI   CAPÍTULO 87

    Daniela apareceu às nove da manhã com a caixa.Nem café eu tinha terminado.Tomás abriu a porta e ficou alguns segundos olhando para ela como se os sete anos entre os dois tivessem se condensado no corredor da nossa casa.Daniela segurava a caixa contra o corpo.— Eu trouxe.Tomás desviou os olhos para mim.— Entra.Não houve abraço.Nem tentativa.Ela entrou, colocou a caixa sobre a mesa da sala e tirou o envelope primeiro.“Para a mulher que vier depois de mim.”Ao vivo, a letra de Marina me incomodou mais do que na fotografia.Porque era real.Uma mulher tinha sentado em algum lugar sete anos antes, grávida de Lívia, e escrito para uma desconhecida que um dia poderia dormir na cama dela, morar na casa dela e amar o homem que ela amava.Eu.Ou qualquer outra.Mas agora era eu.Tomás permaneceu em pé.— Eu nunca vi isso.Daniela assentiu.— Eu sei.— Onde estava?— No fundo de uma caixa que Marina tinha deixado comigo.— Por que você nunca abriu?— Porque não era para mim.Ele quase

  • MEU MARIDO ME TROCOU PORQUE ENGORDEI   CAPÍTULO 86

    Olhei para Tomás antes de responder à minha mãe.Ele tinha ficado parado no meio do quarto que, cinco minutos antes, nós imaginávamos cheio de dois berços. O rosto dele não estava exatamente assustado. Parecia tentando percorrer mentalmente todas as mulheres que tinham conhecido Marina e descobrir qual delas poderia estar ligando para minha mãe tantos anos depois.— Ela disse o nome? — perguntei.— Daniela.Tomás fechou os olhos.Foi rápido, mas eu vi.— Você conhece.Ele respirou fundo.— Conheço.Minha mãe continuava do outro lado.— Filha, eu não gostei dessa ligação. Ela sabia meu nome, sabia que vocês estão noivos e falou da Marina como se tivesse intimidade.— Tinha — Tomás respondeu perto do telefone.Minha mãe ouviu.— Tomás?— Estou aqui.— Quem é ela?Ele demorou um pouco.— Irmã da Marina.Parei.Eu não sabia que Marina tinha irmã.Ou talvez Tomás tivesse mencionado em algum momento e eu não tivesse registrado, embora tivesse certeza de que lembraria.— Irmã? — minha mãe pe

  • MEU MARIDO ME TROCOU PORQUE ENGORDEI   CAPÍTULO 85

    Por alguns segundos, nenhum de nós fez nada.Eu continuava de pé no banheiro, olhando para aquela pequena mancha na calcinha como se ela pudesse aumentar só porque eu respirava. Tomás estava diante de mim com o rosto completamente sem cor, e foi exatamente aquilo que me obrigou a falar primeiro.— Não entra em pânico.A frase saiu ridícula.Ele apontou para a mancha.— Clara, tem sangue.— Eu estou vendo.— A gente vai para o hospital.Dessa vez não discuti.Não queria.Peguei uma roupa limpa enquanto Tomás ligava para o médico. Eu o ouvi explicar rápido demais, voltar duas vezes na mesma informação e corrigir a idade gestacional como se errar um dia pudesse decidir alguma coisa.— Ele mandou ir? — perguntei.Tomás desligou.— Sim.— Então vamos.Ele ficou me olhando por um instante, aparentemente esperando que eu começasse a minimizar.Não comecei.Talvez fosse uma das poucas vezes em que o medo dele e o meu estavam exatamente do mesmo tamanho.---No carro, eu não quis falar.Tomás

  • MEU MARIDO ME TROCOU PORQUE ENGORDEI   CAPÍTULO 84

    Tomás dirigiu em silêncio.Não aquele silêncio controlado que ele vinha aprendendo a fazer quando estava nervoso. Era outro. Eu sentia na forma como segurava o volante, na mandíbula dura e principalmente no fato de não ter feito uma única pergunta desde que saímos de casa.Eu também não falei.Sabia exatamente onde a cabeça dele tinha ido.Sangue.Gravidez.Hospital.Marina.Lívia.Dessa vez, porém, não havia nada que eu pudesse dizer para apagar a associação. E talvez nem devesse tentar.Segurei a mão dele quando paramos num sinal.Tomás olhou rapidamente.— Estou bem.— Não está.Ele respirou.— Estou funcional.— Melhor definição.A mão dele virou sob a minha e nossos dedos se entrelaçaram.— Eu não vou fazer isso ser sobre mim.— Não precisa fingir que não mexe.— Mexe muito.A resposta veio imediata.— Só não quero chegar lá e Bianca estar apavorada enquanto eu estou revivendo outra mulher, outra gravidez e outra morte.Meu peito apertou.— Então não revive sozinho.Tomás olhou p

  • MEU MARIDO ME TROCOU PORQUE ENGORDEI   CAPÍTULO 83

    Fiquei olhando para a mensagem de Bianca com a mesma sensação de quando alguém faz uma pergunta absurda demais para receber resposta imediata.“Porque ele quer ser.”Eduardo.Padrinho de um dos meus filhos.Tomás saiu do banheiro secando o cabelo com uma toalha e percebeu minha cara antes mesmo de chegar perto.— O que foi agora?— Antes de eu falar, quero deixar registrado que eu não tive participação nenhuma.Ele parou.— Péssimo começo.— Foi exatamente o que pensei quando a Bianca escreveu “não surta”.— Bianca?— Sim.— Então já estou contra.Virei o telefone para ele.Tomás leu uma vez e não reagiu. Depois leu de novo, provavelmente na esperança de que a frase tivesse outro significado.— Não.Foi tão rápido que comecei a rir.— Eu ainda nem respondi.— Responde não.— Tomás.— Clara, seu ex-marido quer ser padrinho do meu filho.— Nosso.— Piorou.Ele largou a toalha sobre a cama e começou a andar pelo quarto. Não estava realmente furioso, mas havia uma indignação quase infanti

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