LOGINZIAN * Me aproximei lentamente dela, embora, por dentro, estivesse lutando contra uma vontade quase absurda de avançar de uma vez, segurá-la pela cintura e descobrir até onde aquela provocação toda poderia me levar, porque desde o momento em que a vi atravessar a festa eu vinha imaginando como seria me enterrar nela, sentir suas mãos sobre mim e fazer dela minha, pelo menos naquela noite, mas não podia permitir que ela percebesse o quanto havia conseguido me afetar. Eu precisava manter o controle. Ou, pelo menos, fazer parecer que ainda o tinha. Parei diante dela, mantendo uma distância pequena o bastante para sentir sua presença, mas grande o suficiente para não parecer um homem desesperado diante de uma mulher que havia decidido brincar com a minha paciência. — Eu sabia que você não iria resistir. Assim que terminei de falar, ela soltou uma risada debochada, baixa e provocadora, e aquilo me atingiu de uma maneira que eu não esperava. Não gostei exatamente da reação, embora ta
Eu já tinha colocado os olhos naquele homem no momento em que ele entrou na festa, e talvez ele tivesse acreditado que tinha sido ele quem me encontrou no meio daquela multidão, mas a verdade era bem diferente, porque eu o observei antes mesmo que ele percebesse a minha presença, acompanhei seus movimentos discretamente, reparei na maneira como caminhava, na postura, no jeito como parecia completamente confortável naquele ambiente e, principalmente, naquele olhar que tinha parado em mim por tempo suficiente para me dizer exatamente o que eu precisava saber.Ele tinha me notado, e eu gostei disso.Não porque eu precisasse da atenção de um homem para me sentir bonita, muito menos porque estivesse procurando alguém para levar para casa naquela noite, mas porque eu gostava do jogo, gostava daquela troca silenciosa de olhares, daquela disputa quase infantil para descobrir quem perderia a paciência primeiro, e aquele homem tinha exatamente o tipo de presença que despertava em mim uma vontad
LAIKA*Finalmente eu tinha chegado ao fim da minha vida universitária, e, sinceramente, ainda parecia estranho pensar que depois de tantos trabalhos, provas, noites maldormidas, professores que pareciam acreditar que nós não tínhamos absolutamente mais nada para fazer além de estudar e aquela quantidade absurda de coisas que eu precisava decorar para depois esquecer assim que saísse da sala, eu finalmente estava prestes a concluir aquela etapa da minha vida, mas, se existia uma coisa que eu estava esperando com muito mais ansiedade do que a própria formatura, era a tão famosa festa sigilosa de máscaras.Era praticamente um evento obrigatório para quem estava chegando ao fim da universidade, embora ninguém dissesse isso oficialmente, é claro, porque oficialmente aquela festa sequer existia, e talvez fosse justamente esse o motivo de todo mundo ficar tão interessado nela, afinal, tudo aquilo que é proibido, escondido ou simplesmente não deveria acontecer costuma despertar uma curiosida
Como uma obsessão que eu ainda não conseguia explicar, passei praticamente metade da festa acompanhando todos os passos daquela garota, e quanto mais eu tentava convencer a mim mesmo de que aquilo era apenas curiosidade, mais difícil ficava acreditar na minha própria desculpa, porque eu a observava beber, dançar, rir, provocar, flertar e caminhar pelo salão como se soubesse exatamente o efeito que causava nas pessoas ao redor, enquanto vários caras não faziam sequer questão de disfarçar que estavam de olho nela, alguns tentando se aproximar, outros apenas acompanhando seus movimentos de longe, e ela parecia se divertir com aquilo, como se toda aquela atenção fosse apenas mais uma parte da noite que havia decidido aproveitar.Algumas vezes nossos olhares se cruzaram no meio daquela multidão, e todas as vezes ela fazia a mesma coisa, inclinava levemente a cabeça e deixava escapar aquele sorriso irônico por trás da máscara, como se soubesse perfeitamente que eu estava observando e, pior,
Assim que cheguei à festa, percebi que aquela noite seria exatamente como as outras, ou pelo menos foi o que pensei nos primeiros minutos, porque bastava olhar ao redor para perceber que ninguém estava realmente interessado apenas em dançar, beber ou aproveitar a última grande noite antes da formatura, no fundo, todos queriam descobrir quem estava escondido por trás das máscaras, e aquela curiosidade pairava no ar como uma brincadeira silenciosa entre desconhecidos que se observavam o tempo inteiro, tentando reconhecer uma voz, um jeito de andar, um gesto ou qualquer pequeno detalhe capaz de entregar uma identidade.Eu também fazia parte daquele jogo, embora tivesse uma vantagem que a maioria deles não possuía, eu sabia exatamente quem era quando colocava aquela máscara, enquanto eles jamais imaginariam que o professor que encontravam todos os dias pelos corredores estava ali, misturado entre eles, aproveitando uma festa que oficialmente eu sequer deveria saber que existia.Não demoro
ZIAN*Meu nome é Zian Montclair, tenho trinta anos e sou professor universitário na área de Arquitetura Paisagística da Universidade da Califórnia, ou, pelo menos, é assim que gosto de me apresentar quando alguém pergunta quem sou, porque a verdade é que, dependendo de quem está fazendo a pergunta, meu nome costuma vir acompanhado de uma segunda informação que parece despertar muito mais interesse do que deveria...sou o professor mais jovem da universidade.Eu não sei exatamente quando as pessoas começaram a transformar a minha idade em uma espécie de atração à parte, mas aprendi cedo que ser jovem demais em um ambiente onde a experiência costuma ser medida pelos fios brancos e pelos anos acumulados pode ser tão inconveniente quanto vantajoso, principalmente quando você está diante de uma sala cheia de universitários e percebe que alguns deles ainda estão tentando decidir se devem me chamar de professor ou simplesmente descobrir quantos anos eu tenho antes de decidir como me tratar.







