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CAPÍTULO 5

作者: Ara Pereira
last update 公開日: 2026-09-09 08:12:29

Eu já tinha colocado os olhos naquele homem no momento em que ele entrou na festa, e talvez ele tivesse acreditado que tinha sido ele quem me encontrou no meio daquela multidão, mas a verdade era bem diferente, porque eu o observei antes mesmo que ele percebesse a minha presença, acompanhei seus movimentos discretamente, reparei na maneira como caminhava, na postura, no jeito como parecia completamente confortável naquele ambiente e, principalmente, naquele olhar que tinha parado em mim por tempo suficiente para me dizer exatamente o que eu precisava saber.

Ele tinha me notado, e eu gostei disso.

Não porque eu precisasse da atenção de um homem para me sentir bonita, muito menos porque estivesse procurando alguém para levar para casa naquela noite, mas porque eu gostava do jogo, gostava daquela troca silenciosa de olhares, daquela disputa quase infantil para descobrir quem perderia a paciência primeiro, e aquele homem tinha exatamente o tipo de presença que despertava em mim uma vontade enorme de brincar um pouco.

Então passei por ele, não foi por acaso, eu poderia ter escolhido qualquer outro caminho, poderia ter ficado onde estava ou simplesmente ignorado a existência dele, mas fiz questão de passar perto o suficiente para que ele percebesse, sem entregar demais, apenas o bastante para plantar aquela primeira dúvida na cabeça dele, porque eu queria saber se aquele olhar que ele tinha lançado para mim era apenas curiosidade ou se havia realmente interesse por trás dele.

No fundo, eu já sabia a resposta.

Mas precisava ter certeza.

Foi por isso que decidi sair da festa, caminhei pelos corredores como quem não tinha absolutamente nenhuma intenção além de procurar um lugar mais tranquilo, sem olhar para trás, embora cada parte da minha atenção estivesse voltada para o som dos passos que poderiam ou não aparecer atrás de mim, e quando percebi que ele tinha vindo, precisei controlar o sorriso que ameaçou surgir no meu rosto.

Pronto.

Agora eu tinha certeza, ele tinha me seguido.

Eu poderia ter pensado que aquilo era assustador, poderia ter acelerado o passo ou simplesmente voltado para a festa, mas não fiz nada disso, porque eu sabia que aquele homem não era nenhum maníaco, pelo menos não parecia ser, e, sinceramente, havia alguma coisa na maneira como ele se aproximava que me dizia que ele acreditava estar conduzindo aquela situação.

Talvez ele pensasse que eu era a presa, e ele, o caçador, quase tive vontade de rir, eu deixei que ele acreditasse nisso.

Era muito mais divertido dessa maneira.

Eu sabia exatamente o que estava fazendo desde o primeiro instante, e talvez essa fosse a parte que ele ainda não tivesse percebido, porque enquanto ele provavelmente acreditava estar seguindo uma mulher que havia despertado seu interesse, eu estava apenas conduzindo os passos dele na direção que eu queria.

Ele só não sabia que a presa era ele.

Eu confiava muito bem no meu taco, sempre confiei, nunca precisei fingir ser uma mulher indefesa para chamar a atenção de alguém, nunca precisei correr atrás de homem algum e muito menos implorar por atenção, porque eu sabia jogar aquele jogo como ninguém, e naquela noite eu estava disposta a brincar um pouco mais do que o habitual.

Primeiro, eu o confrontei, depois, eu o esnobei.

Fiz questão de deixar claro que ele tinha chamado minha atenção, mas, ao mesmo tempo, dei a impressão de que aquilo não significava absolutamente nada para mim, porque eu queria que ele ficasse naquela zona desconfortável entre a certeza e a dúvida, ondem homem começa a se perguntar se realmente está sendo correspondido ou se simplesmente está imaginando coisas.

Eu fiz ele pensar que eu não estava interessada.

E funcionou.

Depois, comecei a dar atenção para outros caras.

Nada exagerado, nada que precisasse ser planejado demais, apenas o suficiente para que ele percebesse, porque eu sabia que, quando alguém acredita que pode perder aquilo que acabou de desejar, a curiosidade costuma se transformar rapidamente em interesse, e o interesse, quando encontra uma boa dose de provocação, pode se transformar em uma obsessão muito mais facilmente do que as pessoas gostam de admitir.

Então eu dancei, conversei, sorri, flertei com outros caras.

E, de vez em quando, deixava meus olhos encontrarem os dele.

Era sempre rápido, um segundo, talvez dois.

O suficiente para ele saber que eu sabia que estava sendo observada.

E então eu sorria daquele jeito irônico que parecia irritá-lo e diverti-lo ao mesmo tempo, antes de simplesmente voltar minha atenção para outra pessoa.

Eu queria que ele corresse atrás de mim com os olhos, queria que ele tentasse entender o que eu estava pensando.

Queria que ele se perguntasse por que uma mulher que claramente havia percebido seu interesse parecia tão pouco preocupada em facilitar as coisas.

E ele fez exatamente isso.

Durante boa parte da festa, eu senti aquele olhar sobre mim, mesmo quando não estava olhando diretamente para ele, e quanto mais eu percebia a atenção dele, mais divertida ficava, porque havia alguma coisa deliciosamente satisfatória em saber que eu tinha conseguido ocupar a cabeça de um homem sem sequer precisar tocar nele.

Eu o fiz esperar, fiz ele observar, fiz ele duvidar, se sentir rejeitado, e somente depois de tudo isso eu decidi ceder um pouco.

Não porque ele tivesse vencido.

Muito pelo contrário.

Eu apenas queria mudar as regras do jogo, foi então que caminhei até ele.

Dessa vez, não havia acidente, não havia coincidência e muito menos qualquer dúvida sobre a minha intenção, porque eu sabia exatamente para onde estava indo e sabia exatamente o que queria provocar quando parei diante dele.

O drink estava na mão dele, eu olhei para o copo, depois para ele.

E, antes que pudesse perguntar qualquer coisa, simplesmente tirei a bebida de sua mão e dei um gole,

devagar, sem pressa.

Mantive os olhos nos dele enquanto fazia isso, porque queria que ele entendesse que aquilo não era um gesto inocente, embora também não fosse uma promessa de nada.

Era apenas mais uma provocação, mais uma pequena vitória, depois devolvi o copo à mão dele e me virei.

Não expliquei, não sorri, não disse uma palavra, apenas comecei a caminhar.

Eu sabia que ele viria.

Assim como tinha me seguido pela primeira vez, ele me seguiria novamente, porque eu já tinha passado tempo suficiente observando aquele homem para saber que sua curiosidade estava longe de ter sido satisfeita.

E agora que ele estava vindo atrás de mim outra vez, eu finalmente tinha conseguido exatamente o que queria.

O desejo dele.

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