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Magda: A Princesa Bastarda e os Três Semideuses
Magda: A Princesa Bastarda e os Três Semideuses
Author: Krystal Pires

O Exílio da Princesa

Author: Krystal Pires
last update Petsa ng paglalathala: 2026-09-15 02:36:11

No Reino de Umbra, a princesa Magda teve seu descanso interrompido logo ao amanhecer. A pedido do rei Arturo, a dama de companhia bateu suavemente à porta do aposento.

​— Vossa Alteza, acorde — pediu Amélia.

​Magda abriu os olhos, ainda tomada pelo sono:

​— O que aconteceu, Amélia?

​— Seu pai ordenou que a levasse imediatamente até ele.

​— Se é uma ordem de meu pai, preciso me apressar — respondeu a jovem. — Ajude-me a me vestir.

​Pouco depois, as duas cruzavam os imponentes corredores do castelo. Enquanto caminhavam, Magda tentava adivinhar o motivo de tanta urgência. Ao entrar no salão de conselho, encontrou o rei Arturo ao fundo, sustentando um olhar severo e distante.

​— Vossa Majestade, meu pai... mandou me chamar?

​— Sim. Preciso falar com você.

​Com um gesto rígido, o rei dispensou todos os servos e guardas para que ficassem a sós.

A jovem se aproximou:

​— Diga o que houve, pai. Estou ficando aflita.

​— O assunto que temos a tratar deixará você ainda mais aflita — respondeu ele, levantando-se devagar, com a voz carregada de decepção. — Magda, como pôde trair seu próprio rei?

​A princesa arregalou os olhos, em choque:

​— O quê? Eu jamais o trairia! O senhor é meu rei e meu pai!

​— Chegou ao meu conhecimento que você se deitou com o príncipe Heitor, seu noivo.

​Magda sentiu o rosto queimar de vergonha.

​— Como... como o senhor soube?

​— Então é verdade? Nem vai negar?

​— Nós nos amamos! Podemos adiantar o casamento, pai. Depois de casados, isso não será um problema...

​— Que casamento? — esbravejou Arturo. — Uma princesa deshonrada não se casa!

​— Mas Heitor me quer como esposa! Ele me ama!

​— Amor? Casamentos reais são alianças políticas — debochou o rei. — Se Heitor a amasse, por que cancelaria o noivado?

​— Ele não cancelou! Ontem mesmo esteve aqui e disse que marcaria a data!

​— Ele enganou você. E mais: ele já sabe que você não tem sangue real.

​Magda empalideceu:

​— Como assim? Ele jurou que isso não mudaria nada! Eu confiei nele...

​— Confiou na pessoa errada! Foi imprudente ao revelar que não era filha legítima da rainha Isabel — um segredo que sua mãe guardou até o túmulo.

​— Pai, deixe-me falar com Heitor — pediu a jovem, desesperada. — Deve ser um engano!

​— Heitor partiu ontem. Deixou apenas esta carta, e o conteúdo dela muda tudo.

​O rei tirou um envelope da gaveta e o entregou à filha. Com as mãos trêmulas, Magda leu as palavras que despedaçavam seu coração:

​Vossa Majestade, rei Arturo, peço desculpas por partir sem me despedir. Contudo, preciso registrar minha indignação. Magda não é uma princesa digna. Ela revelou ser sua filha bastarda, criada como se fosse da rainha Isabel, e não possui a pureza esperada de uma noiva real. Não me casarei com ela. Todos os reinos saberão a verdade.

​A traição de seu primeiro amor a destruiu por dentro.

​— Pai, perdoe-me! Eu imploro! Eu não sabia...

​— Perdoar você? Você é uma vergonha para a realeza. Todos sabem que não é digna de estar aqui.

​— Papai, podemos superar isso! — suplicou Magda, aos prantos.

​— Você superará... mas sozinha.

​O rei virou-se para a porta e ordenou:

​— Guardas!

​Dois soldados adentraram a sala, fazendo o sangue de Magda gelar.

​— Pai, não! Por favor!

​— É tarde demais. Levem-na até a carruagem. Vendem seus olhos para que não ache o caminho de volta. Levem a dama de companhia junto e abandonem as duas na floresta mais distante.

​Magda caiu de joelhos, mas foi arrastada sem piedade pelos corredores.

​— Por favor, deixem-me falar com ele!

​— Esqueça, garota — debochou um dos guardas. — Você não é mais uma princesa, é só uma bastarda.

​A carruagem avançou por horas. A esperança de Magda de que aquilo fosse apenas uma lição se desfez a cada quilômetro. Quando o veículo finalmente parou, as duas foram jogadas no chão batido e abandonadas à própria sorte.

​— Alteza... o que será de nós? — perguntou Amélia, trêmula.

​— Chame-me de Magda. Já não sou princesa. Não tenho título, lar ou família.

​— O que fizeram foi desumano... Magda. Não sei se me acostumarei a chamá-la assim.

​— Acostume-se. Agora não sou nada — disse a jovem, olhando ao redor. — Sabe onde estamos?

​— Não. Nunca saí dos limites do reino.

​— Precisamos andar. Talvez encontremos abrigo.

​Caminharam até a exaustão, sem achar qualquer sinal de civilização. Quando se sentaram ao pé de uma grande árvore para descansar, uma voz masculina e grave ressoou atrás delas:

​— O que duas mulheres fazem sozinhas na floresta?

​Elas se levantaram num salto.

​— Não tenham medo. Eu não mordo... ainda — zombou o estranho com uma risada

sombria.

​Ao se virarem, depararam-se com um centauro — torso humano sobre o corpo de um cavalo.

​— Deixe-nos em paz, sua aberração! — gritou Magda.

​— Aberração? — rosnou a criatura. — Vou ensinar uma lição a vocês!

​Elas correram pela mata, mas a criatura era muito mais rápida. Ele alcançou Magda e a derrubou no chão, encurralando-a com um olhar feroz. Quando a princesa achou que seria o seu fim, três silhuetas surgiram entre as árvores.

​— Afaste-se dela, sua besta! — ordenou uma voz firme.

​— Sabe quem somos? — ameaçou outro. — Se não recuar, acabaremos com você!

​O centauro estancou, tomado pelo pavor:

​— Sim... os três irmãos semideuses. Perdoem-me, eu não sabia que ela estava com vocês.

​— Ela não estava — respondeu o primeiro. — Mas agora está. Desapareça!

​A criatura fugiu para a escuridão. Aliviada, Magda tentou se levantar, mas o esgotamento a fez desmaiar. Um dos homens a amparou nos braços antes que tocasse o solo.

​Quando despertou, Magda sentiu um pano úmido na testa. Amélia limpava a poeira de seu rosto.

​— Onde estamos, Amélia?

​— No castelo dos homens que nos salvaram. Eles insistiram para passarmos a noite aqui.

​Uma figura na porta chamou a atenção das duas:

​— Até que enfim acordou.

​— Quem é você? — perguntou Magda.

​— Sou Rodolfo. Eu e meus irmãos, Astolfo e Ulisses, a resgatamos.

​— Obrigada... Não sei como retribuir.

​Logo, os outros dois irmãos entraram no quarto. Magda os observou em silêncio: Rodolfo era alto, forte e loiro, de olhos azuis profundos. Astolfo, o do meio, tinha cabelos e olhos negros brilhantes. Ulisses, o mais novo, mantinha-se oculto sob um capuz, revelando apenas a pele alva e intensos olhos verdes.

​— Sente-se melhor? — perguntou Astolfo.

​— Sim, mas preciso descansar.

​— Conversaremos amanhã com calma — concluiu Rodolfo, guiando os irmãos para fora do quarto.

​A sós novamente, Magda fechou os olhos, torcendo para que ao acordar tudo aquilo não tivesse passado de um terrível pesadelo.

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