Home / LGBTQ+ / Matriz Ômega / CAPITULO 6

Share

CAPITULO 6

last update publish date: 2026-06-05 05:49:38

CAIM LEE

Começei a avançar pela floresta, erguendo a lanterna para iluminar o caminho que se abria diante de mim. O feixe de luz fraco cortava a escuridão , mas mal conseguia alcançar além de alguns metros, pois as árvores eram altas e muito próximas umas das outras, formando uma espécie de teto natural .

A vegetação rasteira era espessa — e, para qualquer pessoa comum, andar ali seria uma tarefa exaustiva, cheia de tropeços, arranhões e dificuldades para encontrar uma passagem. Mas comigo era diferente.

Eu me movia com uma facilidade surpreendente, como se cada passo fosse guiado por um instinto antigo. Caminhava com firmeza, evitando buraco, raízes e pedras escorregadias sem precisar olhar para baixo o tempo todo.

Minhas mãos afastavam os galhos que vinham em minha direção com um movimento suave e prático. Não era habilidades que tinha aprendido em livros ou reportagens; vinha de dentro. Desde criança sempre preferi lugares verdes, arborizados.

Lembrava de passar tardes inteiras na pequena mata que existia perto de casa quando era menino: subia em árvores, explorava trilhas estreitas, observava os pássaros e os insetos, e sentia uma paz que não encontrava em nenhum outro lugar. Para mim, a floresta não era um lugar de medo ou perigo — era um lugar de vida, de silêncio, de verdade.

E naquele momento, caminhando na escuridão, essa sensação de pertencimento era ainda mais forte, como se a natureza o recebesse e me protegesse, como se estivesse dizendo que estava no caminho certo.

Mas como nem tudo na vida são flores, o que já temia começou a acontecer .Primeiro, foram apenas algumas gotas grossas e espaçadas, que caíram sobre o meu rosto. Ergui os olhos para o alto, através das frestas entre os galhos, e vi que o céu, que já estava escuro, agora parecia ainda mais fechado.

— Ah, não… — murmurei baixinho, apertando o cabo da lanterna com mais força. Apressei o passo, andando o mais rápido que conseguia , tentando aproveitar o pouco tempo que ainda tinha antes que a chuva se tornasse forte. Torci que fosse apenas uma chuva passageira, daquelas que caem com força por alguns minutos e depois desaparecem. Mas o desejo foi em vão.

Em poucos instantes, as gotas se transformaram em uma cortina densa e contínua de água, que caía com violência, fazendo um barulho ensurdecedor ao bater nas folhas— um som que enchia todo o espaço, abafando qualquer outro ruído.

A água escorria pela minha roupa, que logo ficou encharcada e pesada, grudando no meu corpo e tornando cada movimento um pouco mais difícil. — Eu devia ter olhado a previsão do tempo hoje de manhã… que idiota que eu sou — pensei sentindo uma pontada de raiva de mim mesmo.

A chuva não parava, pelo contrário: parecia aumentar a cada segundo, como se o céu tivesse se aberto de vez. E o pior ainda estava por vir: o solo, que já era úmido por causa da sombra e da vegetação, rapidamente se transformou em lama escura e pegajosa.

Meu tênis, que tinha escolhido por serem resistentes e firmes, agora afundavam a cada passo.

A trilha que seguia, que antes era apenas estreita, agora se tornava um caminho escorregadio, cheio de poças de água que se formavam nas partes mais baixas.

— Se continuar assim, não vou conseguir chegar nem perto do destino, muito menos voltar depois — refleti, mas mesmo assim continuei .A decisão que tinha tomado na noite anterior, era firme: iria até o fim, custasse o que custasse. E a chuva, a lama, o frio, eram apenas obstáculos — e obstáculos existiam para ser superados.

__________________________________________

Laboratório de Pesquisas Genéticas

A cerca de três quilômetros dali, escondido no coração daquela floresta densa e remota, ficava o que, nos documentos de Caim, era chamado apenas de “Laboratório de Estudos Avançados”. Na realidade, era um complexo grande, construído com materiais resistentes e de alta tecnologia, mas projetado de forma a se misturar com o ambiente ao redor: as paredes externas eram revestidas de pedras e madeira, e as estruturas mais altas eram cobertas com telhados que imitavam a cor e o formato das copas das árvores, para que, vistas de cima, não parecessem nada mais do que parte da floresta.

O lugar ficava a dezenas de quilômetros do centro da cidade, numa região de difícil acesso, escolhida com uma estratégia impecável por aqueles que idealizaram o projeto.

A cidade onde Caim vivia — e onde o laboratório estava instalado — era um lugar curioso: tinha ruas asfaltadas, comércio variado, hospitais, escolas, todos os sinais de desenvolvimento, mas ainda mantinha as características de uma cidade do interior, pequena, tranquila, muito longe de ser uma grande metrópole barulhenta ou movimentada.

E foi exatamente isso que atraiu os responsáveis pelo projeto. Nada melhor, para esconder atividades proibidas e perigosas, do que uma floresta fechada, numa cidade do interior de um país subdesenvolvido, onde a fiscalização era fraca, a lei não era sempre cumprida e, principalmente, onde o governo era conhecido por ser profundamente corrupto. Dinheiro, favores, promessas de poder e desenvolvimento eram suficientes para fazer com que autoridades olhassem para o lado, assinassem papéis que não liam e deixassem que coisas terríveis acontecessem ali, longe dos olhos do mundo.

Para quem passava perto ou via a região de longe, parecia ser apenas uma floresta como qualquer outra: cheia de árvores, animais, silêncio e natureza. Mas essa era apenas a aparência. Na realidade, todo aquele território era uma área altamente vigiada, protegida por sistemas de segurança que custavam milhões.

Havia câmeras de vigilância escondidas em troncos de árvores, arbustos, no alto de galhos, em todos os caminhos e trilhas, com lentes que captavam imagens mesmo na escuridão total. Havia sensores de movimento que detectavam qualquer passo, qualquer vibração. E, acima de tudo, havia drones que sobrevoavam a região dia e noite, silenciosos e rápidos, com câmeras térmicas que conseguiam identificar o calor do corpo de um ser humano ou de um animal, mesmo que estivessem escondidos debaixo de folhagens ou buracos.

Para justificar toda essa segurança, e também para manter pessoas comuns afastadas, o governo tinha criado uma lei oficial, publicada nos jornais e divulgada na televisão: declarava toda a extensão da floresta como uma “Reserva Ecológica de Proteção Integral”, onde existiam espécies raras de plantas e animais em risco de extinção, e que, por isso, ninguém poderia entrar, sob pena de multa, prisão ou processos judiciais.

E essa explicação servia perfeitamente: ninguém achava estranho ver homens armados patrulhando os arredores,  ou placas de “PROIBIDO ENTRAR — RISCO DE MORTE”. Todos aceitavam que era para proteger a natureza, e ninguém perguntava mais nada.

Continue to read this book for free
Scan code to download App

Latest chapter

  • Matriz Ômega   CAPITULO 54

    Não consigo responder. Hunter me puxa de volta pelo cabelo, tomando a minha boca outra vez, e agora ele não é mais devagar. Me beija com urgência, mordendo o meu lábio, sugando a minha língua, e as mãos descem pelo meu peito.Dou um grito pequeno quando sinto as mãos do Luke abrindo a minha bunda, os dedos grandes me separando, e depois a língua dele quente e molhada,encostando na minha entrada.O grito sai abafado pela boca de Hunter.Luke me lambe devagar. Passa a língua de baixo para cima, circula a entrada, volta a enfiar, e eu me desfaço. A entrada está tão molhada que a língua dele desliza sem esforço, e cada toque faz mais líquido escorrer. Inclino o quadril para trás, instintivo, querendo mais, enquanto agarro os ombros de Hunter para não cair.— Ah — escapa de mim. — Luke...Ele responde com um rosnado baixo contra a minha pele, e o som reverbera dentro de mim.Hunter não me dá trégua.Os dedos dele descem até os meus mamilos e brincam com eles, girando, apertando de leve, e

  • Matriz Ômega   CAPITULO 53

    CAIM LEENão sei o momento exato em que eu dormi. A última coisa que me lembro foi de Hunter contando um pouco do horror que é a história da vida dele— a mãe que ele mal chegou a conhecer, os choques no porão. Depois disso, o cansaço foi maior do que eu, e acabei caindo no sono.Quando abro os olhos, está tudo escuro.Tateio o futon ao meu lado sentindo o espaço vazio e frio . Não tem ninguém ali comigo. Estico a mão pro lado, procurando o calor dos alfas , mas não acho nada.— Onde vocês estão? — minha voz sai rouca, fina, engolida pela escuridão.Ninguém responde.Me sento com cuidado, e o movimento faz o teto girar por um segundo. Encosto a mão na parede até passar. O ar da cela está espesso, quente, grudento, e demora um instante até eu entender que aquele cheiro denso que impregna tudo é meu. É o meu próprio cio impregnado nas paredes, no tecido, na minha pele suada.A febre não passou. Piorou.E tem mais. Tem um vazio latejando no fundo da minha barriga, uma umidade escorrendo p

  • Matriz Ômega   CAPITULO 52

    HUNTEROs treinos começavam antes de acenderem as luzes e só terminavam muito depois do toque de recolher. E não era treino normal, não. Era no porão, lá no subsolo, um lugar escuro, manchado de sangue seco, que fedia a ferro e pólvora.Eu tinha doze anos quando me jogaram na arena pela primeira vez. Do outro lado, um garoto de dezoito. Instável, drogado, faminto por carne. Não me deram arma, não me deram instrução. Só abriram a porta e disseram: "Sobreviva ou morra."O garoto veio pra cima rosnando. E eu congelei. Lembro disso, de não conseguir mover um músculo. Ele me acertou primeiro com um soco na boca que abriu meu lábio e me jogou no chão. O gosto de sangue na língua... porra, eu lembro como se fosse ontem. Mas foi justamente esse gosto que acordou o leão dentro de mim.Alguma coisa estalou na minha cabeça. Foi instinto puro, animal, selvagem. Eu me transformei. Não inteiro, mas o suficiente. As garras saíram das pontas dos dedos, os dentes afiaram, os músculos incharam de adren

  • Matriz Ômega   CAPITULO 51

    HUNTEREu não lembro qual foi a última vez que chorei. Talvez quando eu era tão pequeno que nem me lembro mais — antes de aprender que lágrimas são fraqueza e fraqueza é punida com dor. Antes de me ensinarem que um alfa dominante não chora, não sente, não precisa de porra nenhuma além de obedecer e matar.Mas agora, sentado nesse futon de merda, com o rosto molhado e a garganta apertada, eu não consigo parar. As lágrimas escorrem quentes, desafiando tudo que me fizeram acreditar sobre mim mesmo.Caim está na minha frente me olhando com aqueles olhos estreitos cheios de ternura . Ele não fala nada — só passa os dedos finos pelo meu rosto, limpando as lágrimas que não param de cair.— Shh — ele sussurra.— Deixa sair, Hunter. Não tem vergonha nenhuma.Eu quero dizer que não é assim que funciona. Que eu sou um soldado, uma máquina, uma arma ambulante que não deveria estar quebrando em pedaços . Mas as palavras não saem. Só saem mais lágrimas, mais essa merda de sentimento que eu enterre

  • Matriz Ômega   CAPITULO 50

    HUNTERO penetro de uma vez só. Forte. Sem piedade. O grito dele rasga o ar da cela — alto, estridente, cheio de dor e êxtase. Ele arqueia as costas, tentando se afastar instintivamente, mas eu seguro ele firme, imobilizando aquele quadril com força, empurrando até o fim.— Aguenta — rosno, inclinando-me sobre ele, mordendo as costas nuas. — Aguenta, meu ômega. Aguenta porque eu vou te foder até você não conseguir andar direito amanhã.— Você é tão grande... — ele ofega, a respiração entrecortada. — Você aguenta — digo, começando a mover o quadril, puxando para fora e empurrando para dentro com força. — Esse cu nasceu para me levar. Nasceu para ser fodido por mim. Fala que é verdade.— É verdade... — ele grita, as unhas arranhando o futon. — Nasceu para você... só para você…— E quem é que te fode? — grunho, segurando seus cabelos e puxando, obrigando ele a arquear as costas. — Quem é que possui esse cu apertado?— Você... — ele grita, a voz falhando. — Hunter... meu alfa... meu do

  • Matriz Ômega   CAPITULO 49

    HUNTERPuxo ele em minha direção com uma brutalidade que nem eu mesmo esperava. Caim cambaleia, perdendo o equilíbrio, e cai sentado no meu colo . Ele é leve — porra, tão leve que parece que não pesa nada contra as minhas coxas grossas , mas o impacto me atravessa como um raio, fazendo meu pau pulsar .O cheiro dele me atinge em cheio agora. É denso, animal, uma fragrância que gruda nas paredes do meu nariz e desce direto para as minhas bolas, fazendo elas contraírem de necessidade. Enterro o rosto no pescoço fino dele, inalando fundo, deixando aquele cheiro invadir meus pulmões, minha corrente sanguínea, minha porra de sanidade que já estava em frangalhos há semanas.— Porra, Caim — rosno contra a pele dele, sentindo o gosto salgado do suor na língua. — Você tá fedendo a puta no cio. — Hunter... — ele ofega, o corpo tremendo no meu colo. — Eu não consigo... tá doendo demais... preciso...— Precisa do quê? —digo dando pequenas mordidas no pescoço dele — Fala direito, ômega. O que esse

More Chapters
Explore and read good novels for free
Free access to a vast number of good novels on GoodNovel app. Download the books you like and read anywhere & anytime.
Read books for free on the app
SCAN CODE TO READ ON APP
DMCA.com Protection Status