CAIM LEEAcordei antes do despertador. O relógio digital no criado-mudo marcava 04h47. O quarto ainda estava escuro, abafado pelo calor que não vai embora nem de madrugada. E acordei assim: ofegante, grudado no chão de cerâmica fria, com a boca seca como se tivesse engolido pó, e a calça presa à pele da virilha, úmida e pegajosa.Não foi sonho erótico. Não foi desejo. Foi o meu corpo de novo, se entregando sozinho, sem que eu pedisse, sem que eu quisesse.Afundei a palma da mão na barriga e senti: uma contração baixa, espremendo por dentro . Fechei os olhos e respirei pelo nariz devagar, sem conseguir abafar o gemido que me escapou baixo, rouco. Faz dois dias que não tomo o chá. No primeiro dia foi só dor de cabeça, uma pressão atrás dos olhos que fazia o mundo parecer distante. No segundo, ontem, foi a febre que me queimou na frente do James. Hoje é isso. O cobertor velho que eu uso de lençol está manchado, úmido, e não é suor. É outra coisa ,um líquido transparente, escorregadio, fr
Última actualización : 2026-06-05 Leer más