LOGINCAIM LEE
O resto do dia passou arrastado. Cada minuto pareceu uma hora. Terminei três matérias até as 17h30, todas perfeitas. James passou por mim uma vez, parou por dois segundos, olhou a tela,olhou pra mim e disse só: “Vê se não escreve besteira.” E seguiu andando. Não se aproximou o suficiente. Não sentiu o cheiro. Graças a Deus.
Dezoito horas em ponto desliguei o computador . Guardei minhas coisas apressado já colocando a mochila nas costas e me levantei.
— Ei, Caim! — Bia gritou do outro lado da sala, alto, propositalmente, pra todos ouvirem. — Saindo cedo? Encontro marcado?
Virei pra ela, fingindo leveza.
— Vida. Coisa que você não tem, fofoqueira! — Gritei de volta, e minha voz saiu firme, quase natural. Dei de ombros. — Sexta-feira, né? Ninguém merece esse chiqueiro.
Ela fez cara de ofendida e riu. Os outros riram também. Ninguém percebeu que eu tremia.
Saí correndo, descendo as escadas de dois em dois degraus. O ar da rua, úmido e quente, bateu na minha cara, me fazendo sentir aquele mormaço mesmo depois das dezoito horas. Liberdade e pânico ao mesmo tempo. Meu coração batia tão forte que eu ouvia no próprio ouvido.
Antes de seguir para o destino final, parei em um posto de gasolina que ficava no caminho. Enchi o tanque completamente, sem me preocupar com o preço alto do combustível — dessa vez, valia a pena gastar cada centavo.
A última coisa que eu precisava era ficar parado no meio do caminho, perdido em um lugar desconhecido, sem gasolina para voltar ou seguir em frente. Afinal, eu era repórter, não policial, e não tinha ninguém para me ajudar se algo desse errado.
Depois de pagar o combustível, fui até a lanchonete do posto e comprei uma coxinha grande e um refrigerante bem gelado. Voltei para o carro, sentei no banco do motorista e comi devagar, aproveitando cada mordida, sabendo que provavelmente seria a minha última refeição por um bom tempo.
Enquanto comia, peguei o celular, abri o aplicativo de navegação e digitei o endereço exato que tinha conseguido com a minha fonte, aquele que tinha me dado toda a informação sobre o laboratório.
Quando o mapa carregou e mostrou o caminho, eu suspirei, desanimado, mas não surpreso.
Tá de brincadeira comigo, né? — murmurei para mim mesmo, olhando para a tela. — Isso fica do outro lado da cidade, quase na divisa com a zona rural.
Mas fazer o quê, né? Se quisesse descobrir a verdade, teria que ir até lá, não importava o quanto fosse longe ou difícil. Liguei o som do carro baixo,e comecei a dirigir, seguindo as coordenadas que apareciam na tela.
O caminho foi muito mais longo do que eu imaginava. Saí da área central da cidade, passei por bairros cada vez mais afastados, ruas que eu nunca tinha visto antes, até que o asfalto acabou e eu comecei a percorrer uma estrada de terra, esburacada e cheia de poeira, com mato alto dos dois lados.
O céu, que ainda estava claro quando eu tinha saído do trabalho, já estava completamente escuro, coberto por nuvens grossas e cinzentas que prometiam chuva a qualquer momento. A única luz que eu tinha vinha dos faróis do carro, que iluminavam só um pequeno trecho da estrada à frente.
Não sei quanto tempo passou, mas parecia que eu estava dirigindo há horas, quando finalmente a voz do GPS avisou: “Chegou ao destino”.
Estacionei o carro devagar, no final da estrada e desliguei o motor. O silêncio que se seguiu foi imenso, um silêncio que eu não estava acostumado a ouvir na cidade, cheia de barulhos, carros, vozes. Aqui, só se ouvia o vento passando pelas folhas das árvores altas e um som distante, de algum animal que eu não sabia identificar.
Saí do carro e fechei a porta devagar, sem fazer barulho. Olhei ao redor e percebi que a estrada realmente terminava ali, bem na entrada do que parecia ser uma floresta densa, fechada, com árvores que pareciam tocar o céu e arbustos que cresciam por todo lado.
A escuridão era tão grande que eu mal conseguia ver além dos faróis do meu carro.
Dei uma risada seca, passando a mão pelo cabelo, que já estava bagunçado por causa do vento.
— Tá de sacanagem, né? — falei baixo, para mim mesmo. — O laboratório fica dentro dessa floresta?
Olhei novamente para o endereço no celular, e o aplicativo indicava claramente que o destino estava a apenas alguns quilômetros de distância, mas todo dentro da área fechada de mata.
Olhei para o céu, sem estrelas, escuro como breu.
— Só falta chover agora… — resmunguei, balançando a cabeça. Mas logo depois, pensei melhor: — De certo modo, também não seria tão ruim assim. O barulho da chuva ia ajudar a abafar o som dos meus passos, e se eu precisasse me esconder, ia ser mais fácil de passar despercebido.
Voltei para dentro do carro, abri a mochila que estava no banco do passageiro e comecei a vasculhar até encontrar a lanterna. Peguei-a, verifiquei se as pilhas estavam boas e coloquei-a no bolso da calça. Ajustei o brilho da tela do celular para o mínimo, para que não chamasse atenção, e respirei fundo.
— Agora é só seguir em frente — disse, tentando me convencer. — Se por algum motivo eu achar que está perigoso demais, ou que tem algo errado, eu só preciso voltar para o carro e ir embora. Ninguém sabe que eu estou aqui, ninguém vai me obrigar a ficar.
Mas a verdade é que eu já sabia: não ia voltar sem ver, sem confirmar, sem trazer alguma prova.
Senti o coração bater tão forte que parecia que ia sair pela boca. As mãos estavam um pouco suadas. Dei dois t***s leves no meu próprio rosto, tentando me acalmar, tentando afastar o nervosismo que começava a tomar conta de mim.
— Vamos, Caim, não seja um covarde — falei alto, como se estivesse falando com outra pessoa.
— Pense na cara do James quando eu esfregar todas as provas na cara dele. Aquele sujeito que acha que sabe tudo, que acha que eu não sou nada, vai implorar para eu continuar trabalhando naquele chiqueiro com ele.
Repeti essas palavras como se fossem um mantra, várias vezes, até que a coragem voltasse a encher o meu peito. Respirei fundo mais uma vez, tirei a lanterna do bolso, liguei-a com um clique suave, e comecei a caminhar em direção à floresta, seguindo as setas que apareciam na tela do celular.
Cada passo que eu dava era um passo para fora da minha vida comum, um passo em direção a algo que poderia mudar tudo — ou me colocar em um perigo que eu nem imaginava. Mas não importava: eu era repórter, e a verdade era o meu compromisso.E eu ia encontrá-la,custe o que custar.
Não consigo responder. Hunter me puxa de volta pelo cabelo, tomando a minha boca outra vez, e agora ele não é mais devagar. Me beija com urgência, mordendo o meu lábio, sugando a minha língua, e as mãos descem pelo meu peito.Dou um grito pequeno quando sinto as mãos do Luke abrindo a minha bunda, os dedos grandes me separando, e depois a língua dele quente e molhada,encostando na minha entrada.O grito sai abafado pela boca de Hunter.Luke me lambe devagar. Passa a língua de baixo para cima, circula a entrada, volta a enfiar, e eu me desfaço. A entrada está tão molhada que a língua dele desliza sem esforço, e cada toque faz mais líquido escorrer. Inclino o quadril para trás, instintivo, querendo mais, enquanto agarro os ombros de Hunter para não cair.— Ah — escapa de mim. — Luke...Ele responde com um rosnado baixo contra a minha pele, e o som reverbera dentro de mim.Hunter não me dá trégua.Os dedos dele descem até os meus mamilos e brincam com eles, girando, apertando de leve, e
CAIM LEENão sei o momento exato em que eu dormi. A última coisa que me lembro foi de Hunter contando um pouco do horror que é a história da vida dele— a mãe que ele mal chegou a conhecer, os choques no porão. Depois disso, o cansaço foi maior do que eu, e acabei caindo no sono.Quando abro os olhos, está tudo escuro.Tateio o futon ao meu lado sentindo o espaço vazio e frio . Não tem ninguém ali comigo. Estico a mão pro lado, procurando o calor dos alfas , mas não acho nada.— Onde vocês estão? — minha voz sai rouca, fina, engolida pela escuridão.Ninguém responde.Me sento com cuidado, e o movimento faz o teto girar por um segundo. Encosto a mão na parede até passar. O ar da cela está espesso, quente, grudento, e demora um instante até eu entender que aquele cheiro denso que impregna tudo é meu. É o meu próprio cio impregnado nas paredes, no tecido, na minha pele suada.A febre não passou. Piorou.E tem mais. Tem um vazio latejando no fundo da minha barriga, uma umidade escorrendo p
HUNTEROs treinos começavam antes de acenderem as luzes e só terminavam muito depois do toque de recolher. E não era treino normal, não. Era no porão, lá no subsolo, um lugar escuro, manchado de sangue seco, que fedia a ferro e pólvora.Eu tinha doze anos quando me jogaram na arena pela primeira vez. Do outro lado, um garoto de dezoito. Instável, drogado, faminto por carne. Não me deram arma, não me deram instrução. Só abriram a porta e disseram: "Sobreviva ou morra."O garoto veio pra cima rosnando. E eu congelei. Lembro disso, de não conseguir mover um músculo. Ele me acertou primeiro com um soco na boca que abriu meu lábio e me jogou no chão. O gosto de sangue na língua... porra, eu lembro como se fosse ontem. Mas foi justamente esse gosto que acordou o leão dentro de mim.Alguma coisa estalou na minha cabeça. Foi instinto puro, animal, selvagem. Eu me transformei. Não inteiro, mas o suficiente. As garras saíram das pontas dos dedos, os dentes afiaram, os músculos incharam de adren
HUNTEREu não lembro qual foi a última vez que chorei. Talvez quando eu era tão pequeno que nem me lembro mais — antes de aprender que lágrimas são fraqueza e fraqueza é punida com dor. Antes de me ensinarem que um alfa dominante não chora, não sente, não precisa de porra nenhuma além de obedecer e matar.Mas agora, sentado nesse futon de merda, com o rosto molhado e a garganta apertada, eu não consigo parar. As lágrimas escorrem quentes, desafiando tudo que me fizeram acreditar sobre mim mesmo.Caim está na minha frente me olhando com aqueles olhos estreitos cheios de ternura . Ele não fala nada — só passa os dedos finos pelo meu rosto, limpando as lágrimas que não param de cair.— Shh — ele sussurra.— Deixa sair, Hunter. Não tem vergonha nenhuma.Eu quero dizer que não é assim que funciona. Que eu sou um soldado, uma máquina, uma arma ambulante que não deveria estar quebrando em pedaços . Mas as palavras não saem. Só saem mais lágrimas, mais essa merda de sentimento que eu enterre
HUNTERO penetro de uma vez só. Forte. Sem piedade. O grito dele rasga o ar da cela — alto, estridente, cheio de dor e êxtase. Ele arqueia as costas, tentando se afastar instintivamente, mas eu seguro ele firme, imobilizando aquele quadril com força, empurrando até o fim.— Aguenta — rosno, inclinando-me sobre ele, mordendo as costas nuas. — Aguenta, meu ômega. Aguenta porque eu vou te foder até você não conseguir andar direito amanhã.— Você é tão grande... — ele ofega, a respiração entrecortada. — Você aguenta — digo, começando a mover o quadril, puxando para fora e empurrando para dentro com força. — Esse cu nasceu para me levar. Nasceu para ser fodido por mim. Fala que é verdade.— É verdade... — ele grita, as unhas arranhando o futon. — Nasceu para você... só para você…— E quem é que te fode? — grunho, segurando seus cabelos e puxando, obrigando ele a arquear as costas. — Quem é que possui esse cu apertado?— Você... — ele grita, a voz falhando. — Hunter... meu alfa... meu do
HUNTERPuxo ele em minha direção com uma brutalidade que nem eu mesmo esperava. Caim cambaleia, perdendo o equilíbrio, e cai sentado no meu colo . Ele é leve — porra, tão leve que parece que não pesa nada contra as minhas coxas grossas , mas o impacto me atravessa como um raio, fazendo meu pau pulsar .O cheiro dele me atinge em cheio agora. É denso, animal, uma fragrância que gruda nas paredes do meu nariz e desce direto para as minhas bolas, fazendo elas contraírem de necessidade. Enterro o rosto no pescoço fino dele, inalando fundo, deixando aquele cheiro invadir meus pulmões, minha corrente sanguínea, minha porra de sanidade que já estava em frangalhos há semanas.— Porra, Caim — rosno contra a pele dele, sentindo o gosto salgado do suor na língua. — Você tá fedendo a puta no cio. — Hunter... — ele ofega, o corpo tremendo no meu colo. — Eu não consigo... tá doendo demais... preciso...— Precisa do quê? —digo dando pequenas mordidas no pescoço dele — Fala direito, ômega. O que esse