แชร์

Dois

ผู้เขียน: Laura Ivanish
last update วันที่เผยแพร่: 2026-07-21 00:55:22

Yasmin

Estar de volta a esse quarto ainda me parece errado. Não é só estranho, é como se cada parede, cada móvel, cada detalhe silencioso estivesse me observando, me lembrando exatamente quem eu fui e de tudo que eu destruí no caminho.

Sento-me na beirada da cama, com os dedos entrelaçados no colo e o olhar perdido em algum ponto do chão que eu nem enxergo de verdade.

Já faz um ano. Um ano inteiro morando aqui de novo, sob o teto dos meus pais, no mesmo quarto que um dia foi refúgio e agora parece mais um espelho cruel. Nada em mim encaixa mais aqui e, ao mesmo tempo, eu não me encaixo em lugar algum.

As sessões de terapia ajudam, sei que me dão algum tipo de estrutura, um fio mínimo de lógica no meio do caos que minha cabeça ainda é. Mas não é suficiente para calar a voz que insiste em repetir, todos os dias, que fui responsável por tudo: pelo fracasso, pelas escolhas erradas, pelo afastamento, pela perda. Principalmente pela perda.

Meu peito aperta só de pensar nela. Mila. O nome ecoa dentro de mim como algo que não deveria doer tanto ainda, mas dói.

Dói como se fosse recente, como se eu ainda tivesse tempo de fazer diferente, de ligar, de aparecer, de a abraçar e dizer o quanto sinto falta, ou quanto eu a amo, mas não faço isso. Eu não estava lá, e agora nunca mais vou estar.

Fecho os olhos por um instante, sentindo a garganta apertar, mas me recuso a chorar. Não de novo. Eu já chorei demais por coisas que não têm mais conserto.

Levanto-me da cama quase no automático, meu corpo assumindo o controle no lugar da mente, e pego o vestido largado na poltrona. O tecido escorrega entre meus dedos, leve, bonito e completamente deslocado da forma como me sinto por dentro.

Sigo para o banheiro. O caminho é curto, familiar demais, assim como tudo aqui, assim como as lembranças que tento evitar, mas que sempre encontram um jeito de voltar. Paro em frente à pia, apoio as mãos na borda e encaro meu reflexo no espelho. Por um segundo, quase não me reconheço. A imagem é bonita, arrumada e controlada, mas eu sei o que tem por trás. Eu sei quem fui. E isso é o pior.

— Como você foi burra — minha voz sai baixa, amarga e carregada de um desprezo que eu nunca imaginei sentir por mim mesma.

Burra. Cega. Idiota.

Eu realmente acreditei que Denis era o amor da minha vida, que o cuidado, a atenção e a forma como ele me olhava eram reais. Eu construí minha vida inteira em cima disso, ou melhor, destruí minha vida inteira por causa disso.

Denis foi perfeito. Perfeito demais. Um lobo disfarçado de tudo que eu sempre achei que queria. Ele se moldou e se esforçou, fez questão de parecer o homem ideal, e eu aceitei tudo sem questionar. Era fácil, bonito e um conto de fadas que vivi como uma idiota.

Nós éramos o casal invejável. Na faculdade, todo mundo olhava. No baile de formatura, quando ele me pediu em casamento, foi como uma cena de filme com luzes, aplausos e emoção. Até chorei de felicidade.

Hoje, quase sinto vergonha dessa lembrança, porque enquanto eu acreditava que estava começando a minha história perfeita, as pessoas que realmente me amavam já viam o que eu me recusava a enxergar.

Meus pais nunca gostaram dele. Nunca. Tentaram me avisar de todas as formas possíveis, mas eu não quis ouvir. Sempre tinha uma desculpa, achava que era exagero, implicância, medo de me ver crescer.

Mila… Aperto os olhos por um segundo e a dor vem com mais força. Ela tentou também. No começo, até parecia gostar dele, mas depois começou a implicar, a questionar, a dizer que tinha algo errado. Lembro-me de revirar os olhos e dizer que ela estava sendo infantil.

Infantil.

Solto uma respiração pesada, sentindo o gosto amargo dessas lembranças. Ela só estava tentando me proteger e eu me afastei. Me afastei deles, um por um, como se estivesse fazendo a coisa certa, como se estivesse escolhendo o amor. Mas não era amor. Nunca foi.

Eu me mudei com ele para Curitiba, deixei tudo para trás sem pensar duas vezes: a empresa, o plano, o nosso futuro. Nosso. Eu quase rio. Aquilo nunca foi nosso, era dele. Sempre foi. Porque, no fundo, eu tinha outros planos. Eu queria terminar meu curso, ajudar meu pai, estar perto da minha família, mas abri mão de tudo por ele. Porque eu achava que isso era amar.

Jogo a água fria no rosto, deixando escorrer pela pele como se pudesse levar junto um pouco dessa sensação sufocante que insiste em ficar. Mas não leva. Nunca leva.

Levanto o rosto devagar e encaro meu reflexo de novo. Os olhos ainda são os mesmos, mas a mulher ali não é. E talvez nunca volte a ser.

— Você é patética — digo mais uma vez, sem suavizar, sem tentar ser gentil.

Continuo encarando meu reflexo, como se fosse possível encontrar alguma resposta ali, escondida atrás da imagem de uma mulher que, por fora, ainda parece inteira. E isso é o mais irônico, porque eu já fui feliz. De verdade. Ou pelo menos foi o que acreditei por muito tempo.

Denis era um ótimo marido. Atencioso, presente dentro do que eu entendia como presença, sempre cuidadoso com as palavras, fazendo o possível para que eu não sentisse falta da minha família. Ele preenchia os espaços com uma facilidade quase impressionante, como se soubesse exatamente onde tocar, o que dizer, como agir. E, ao mesmo tempo, deixava claro, de uma forma sutil, quase imperceptível, o quanto eu o magoaria se escolhesse retomar o contato com os meus pais. Nunca foi uma proibição direta, era pior. Era emocional, e eu cedi. Escolhi ele, escolhi acreditar que ele bastava, que nós bastávamos. Como eu fui idiota e egoísta.

Respiro fundo, sentindo o peito apertar enquanto as lembranças vêm, uma atrás da outra, como um filme que eu não consigo pausar. Eu realmente acreditava que ele era a minha única família. Ele e os pais, que me acolheram bem, me trataram como parte de algo que eu achei que era seguro. E foi nesse cenário que o desejo de ser mãe começou a crescer dentro de mim de forma mais intensa.

Mas a verdade é que sempre esteve ali, desde sempre. Eu sempre quis, imaginei e senti. Denis não compartilhava do mesmo entusiasmo, mas eu aceitava. Eu entendia. A empresa estava crescendo, tomando proporções que nós nem imaginávamos, no início filiais, clientes maiores, mais responsabilidade.

E eu sentia orgulho. Um orgulho genuíno, porque sabia o quanto eu tinha lutado por aquilo, o quanto eu tinha me dedicado, me doado, me moldado para fazer tudo funcionar. Era nosso. Ou pelo menos era o que eu acreditava.

Cinco anos de casamento, e meses tentando engravidar. Expectativa, frustração, esperança tudo misturado, até que veio o diagnóstico.

Ainda sinto o cheiro característico, o silêncio desconfortável, o olhar da médica que demorou meio segundo a mais do que deveria antes de falar: tumor. Avançado.

O ar falta só de lembrar.

Tudo virou um borrão depois disso. Exames, tratamentos, médicos, decisões rápidas demais para uma mente que não estava pronta para nada daquilo.

O tratamento foi agressivo, duro e exaustivo. Eu precisei ser forte a maior parte do tempo, e sozinha, porque Denis precisava estar na empresa. Sempre precisava, e eu entendia. Eu sempre entendia.

Meses depois, a decisão final, a única possível, que segundo eles era a retirada do útero.

Fecho os olhos por um instante, sentindo aquela dor antiga reaparecer com uma força que nunca realmente foi embora. Ali, acabou o meu sonho, a possibilidade, a escolha. Arrancaram de mim não só um órgão, mas tudo que projetei como futuro. Aquilo me destruiu em partes tão pequenas que eu nem sei dizer quando deixei de ser inteira.

Denis estava lá tecnicamente, mas eu o sentia distante, frio em lugares onde eu precisava de calor. E mesmo assim eu aceitei, como sempre.

Então veio o pior momento da minha vida.

Durante a recuperação, o telefone tocou. Meu pai. Anos sem me ligar, respeitando a escolha que eu fiz de me afastar… e naquele dia ele ligou. Eu já sabia que não era coisa boa. Ninguém rompe um silêncio de anos por algo simples.

Mila estava morta. Overdose.

Minha respiração falha só de reviver esse momento. Não faz sentido. Nunca fez. Mila odiava álcool, reclamava do cheiro. Era intensa, sim, difícil às vezes, mas droga?

Aquilo não encaixava na imagem que eu tinha dela. Ela era minha irmãzinha, minha garotinha, e eu não estava lá. Eu nem tive chance de dizer adeus, porque Denis não deixou.

“Você precisa de repouso.”

“Você está debilitada.”

“Não é seguro.”

As justificativas vinham uma atrás da outra, sempre muito racionais, sempre muito bem colocadas. E eu, mais uma vez, aceitei.

Eu perdi a minha irmã e perdi a chance de me despedir.

A culpa me atravessa como uma lâmina, porque não foi só a morte, foi tudo antes. A ausência. O abandono.

Quando finalmente voltei para Goiânia, eu entendi como ela se perdeu. As festas, as companhias erradas, as escolhas impulsivas desde o primeiro período da faculdade. Engenharia civil era o sonho dela desde adolescente. Meus pais tentaram de todas as formas possíveis, mas Mila sempre foi intensa demais para ser contida.

Eu me pergunto todos os dias se eu estivesse aqui teria sido diferente. Se eu não tivesse escolhido aquele homem, se tivesse ficado, se eu tivesse sido irmã de verdade.

Talvez eu pudesse ter acolhido, ter impedido. Talvez ela ainda estivesse viva.

O peso disso é insuportável, e, ainda assim, não foi o fim. Porque enquanto eu estava quebrada, pesquisando sobre adoção, tentando encontrar algum sentido, alguma forma de reconstruir, ele estava me traindo com a Samila. A mulher que eu considerava amiga.

Solto uma risada fraca, amarga. Amiga. Eu nem tinha amigas. Minha vida era aquela empresa e aquele casamento, e nada daquilo era real.

Ela estava grávida dele de três meses. Esse foi o argumento, a justificativa, o motivo para o divórcio. Como se não bastasse a traição, veio o golpe final ao descobrir que eu não tinha nada. Nem um por cento da empresa que eu ajudei a construir com anos da minha vida.

Fico em silêncio, olhando para mim mesma no espelho, sentindo tudo isso passar de novo, como uma avalanche que nunca termina. O baque foi tão forte que eu quis desaparecer, e eu tentei. Três cartelas diferentes. Uma mistura perigosa o suficiente para não acordar. Pelo menos era o plano, mas eu acordei. E quando abri os olhos, as únicas pessoas ali eram aquelas que eu abandonei, os meus pais. Eles vieram até Curitiba e me tiraram daquele inferno sem me cobrar nada, sem me julgar, sem me dizer “eu avisei”. Só deram amor. E isso dói mais do que qualquer outra coisa, porque eu não mereço.

Abaixo o olhar, apoiando as mãos na pia com mais força, precisando me segurar em alguma coisa. Já faz um ano que estou vivendo aqui e ainda não consigo olhar para eles de verdade, porque a vergonha é grande demais. A raiva de mim mesma é constante e, às vezes, eu preciso lutar contra a vontade de simplesmente deixar de existir, porque viver com tudo isso cansa. A culpa, raiva e vergonha não vão embora, são minhas companheiras mais fiéis, e estou perdida nelas. Completamente.

Encaro meu reflexo mais uma vez, tentando encontrar algum resquício de esperança naquela mulher que ainda está de pé.

— Será que um dia consigo viver de novo? — Minha voz sai baixa, quase um sussurro. — Será que eu consigo me perdoar?

E o silêncio que vem depois é a única resposta que eu tenho.

อ่านหนังสือเล่มนี้ต่อได้ฟรี
สแกนรหัสเพื่อดาวน์โหลดแอป

บทล่าสุด

  • Me Apaixonei por um Cowboy Arrogante   Oitenta e quatro

    Fernando A música começa suave, lenta e perfeita. E, pela primeira vez desde o início da festa, tudo ao redor parece desaparecer e só existe Yasmin em meus braços. Eu deslizo uma mão por sua cintura enquanto a outra segura a dela e, por um instante, apenas observo a mulher que se tornou meu lar.O vestido branco parece ter sido feito para ela, com os detalhes delicados da renda, os cabelos presos de forma elegante, com algumas mechas escapando e moldando seu rosto, os olhos brilhando e o sorriso... aquele sorriso que me derrubou muito antes de eu admitir que estava apaixonado. Ela ergue o rosto, os olhos encontram os meus e eu sinto exatamente a mesma coisa da primeira vez que a vi sorrir de verdade. Uma sensação absurda de que o mundo ficou melhor só porque ela existe.— O que foi? — ela pergunta baixinho.— Nada. — Eu balanço a cabeça.— Mentira. — Ela arqueia uma sobrancelha.Rio, porque ela me conhece bem demais.— Eu só estava pensando no quanto você está linda.Ela dá

  • Me Apaixonei por um Cowboy Arrogante   Oitenta e tres

    Yasmin Se alguém me dissesse há dois anos que eu estaria aqui, eu teria rido. Provavelmente, teria achado cruel, uma piada de mau gosto, porque naquela época eu não conseguia enxergar futuro, felicidade ou amor. Eu sobrevivia um dia de cada vez carregando perdas, culpa e cicatrizes que acreditava que nunca desapareceriam.Mas a vida tem uma forma curiosa de nos surpreender. Às vezes ela quebra tudo e, depois, quando menos esperamos, começa a reconstruir de um jeito mais bonito e mais verdadeiro.Hoje, estou parada diante da janela observando as luzes espalhadas pelo jardim lá fora. O sol já desapareceu, a noite tomou conta do céu e o jardim inteiro parece saído de um sonho, com cordões de luzes douradas iluminando as árvores, música tocando ao fundo e risadas ecoando por toda parte. Pessoas dançam, conversam, brindam e celebram a nós, a nossa história, a nossa felicidade.Meus dedos deslizam inconscientemente pela aliança em minha mão. O ouro brilha sob a luz suave do quarto, e l

  • Me Apaixonei por um Cowboy Arrogante   Oitenta e dois

    Yasmin O céu de Goiânia está limpo. Depois da tempestade dos últimos dias, das lágrimas, dos medos e das verdades que vieram à tona, o mundo parece mais silencioso e mais calmo. O vento balança suavemente a copa das árvores ao redor do cemitério, e eu permaneço parada diante da lápide, observando o nome gravado na pedra.Mila Constantino.Por muito tempo, esse nome significou apenas dor, luto, culpa e saudade. Uma ferida que nunca cicatrizava completamente. Mas hoje existe algo diferente. A dor continua ali, sempre vai continuar, só que agora ela divide espaço com amor, gratidão e uma parte dela que continua viva.Engulo em seco e finalmente começo a falar.— Oi, Mila. — Minha voz falha imediatamente, como sempre acontece quando penso nela. Eu sorrio entre as lágrimas. — Faz tanto tempo.O vento sopra devagar, movendo alguns fios do meu cabelo, e por um instante consigo imaginá-la revirando os olhos com impaciência, dizendo para eu parar de chorar, exatamente como fazia quando é

  • Me Apaixonei por um Cowboy Arrogante   Oitenta e um

    Yasmin A chuva continua caindo sobre nós, forte e fria, mas eu mal sinto, porque existe uma dor muito maior ocupando espaço dentro do meu peito. E também existe amor, tanto amor que chega a assustar.Fernando está diante de mim com os ombros curvados, os cabelos encharcados grudados na testa e os olhos vermelhos. Ele sempre pareceu tão forte, seguro, capaz de enfrentar qualquer coisa, mas agora eu vejo o homem por trás disso tudo. O homem que teve medo e que entrou em pânico, o homem que ama uma menina de cinco anos mais do que ama a própria vida. O homem que me ama.— Não se afaste de mim. Por favor, Yasmin — implora, com a voz falhando.— Fernando... — Uma lágrima escorre pelo meu rosto.— Eu sei que errei, eu sei. — A voz dele quebra — Eu sei que decepcionei você, eu sei que machuquei você. Eu sei. — Ele passa a mão pelo rosto molhado. — Mas eu preciso que você entenda uma coisa.Eu permaneço em silêncio, porque não confio na minha voz.— Eu não queria fugir de você. Não

  • Me Apaixonei por um Cowboy Arrogante   Oitenta

    FernandoA chuva cai forte sobre o para-brisa. As palhetas trabalham sem descanso, indo de um lado para o outro, mesmo assim, a água parece engolir tudo à minha frente. A estrada de terra está escura e escorregadia, o céu parece desabar sobre Morro Alto.Minhas mãos apertam o volante com força, porque eu não estou indo embora, não estou fugindo. Yasmin precisa saber a verdade e tem que ser por mim.Eu estava disposto a fugir da mulher que amo, da única mulher que conseguiu entrar no meu coração, da família dela, de pessoas que sequer tinham feito algo contra mim, tudo por causa do medo. E agora esse medo parece menor do que a vergonha que sinto de mim mesmo.Vejo uma caminhonete vindo em minha direção e parando mais à frente, atravessada na estrada. Meu coração dispara. Eu reconheceria essa caminhonete em qualquer lugar. Freio imediatamente e desço antes mesmo do motor desligar completamente, com a chuva encharcando minha roupa em segundos. Então eu a vejo vindo na minha direção c

  • Me Apaixonei por um Cowboy Arrogante   Setenta e nove

    Yasmin As lágrimas da minha mãe continuam caindo sem controle, silenciosas e pesadas. Meu pai permanece ao lado dela, com a mão apoiada em seu ombro, como se precisasse segurá-la no lugar. Então eu me agarro a essa imagem, a ideia de que eles estão enganados. Porque a outra possibilidade é absurda. Absurda demais.— Yasmin — Renatinho, que esteve em silêncio durante todo esse tempo, fala.Eu me viro e o vejo perto da porta, com os braços caídos ao lado do corpo. Seu rosto está pálido e os olhos estão carregados com uma tristeza que eu nunca vi nele. Pela primeira vez desde que o conheço, ele não parece o garoto que está sempre fazendo piadas, provocando Fernando ou transformando qualquer situação em brincadeira. Ele parece alguém que carrega um peso enorme, e isso faz meu estômago afundar.— O quê? — pergunto, com a voz falhando.— É verdade — responde depois de alguns segundos.Meu coração tropeça dentro do peito, como se tivesse tropeçado em algo invisível.— O que é verdade?

บทอื่นๆ
สำรวจและอ่านนวนิยายดีๆ ได้ฟรี
เข้าถึงนวนิยายดีๆ จำนวนมากได้ฟรีบนแอป GoodNovel ดาวน์โหลดหนังสือที่คุณชอบและอ่านได้ทุกที่ทุกเวลา
อ่านหนังสือฟรีบนแอป
สแกนรหัสเพื่ออ่านบนแอป
DMCA.com Protection Status