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CAPÍTULO 4

Penulis: Montanha Rio
Quando cheguei ao escritório, já eramquase onze da noite. As luzes ainda estavam acesas. No instante em que entrei, percebi que a situação era pior do que eu tinha imaginado.

Sete ou oito pessoas se apertavam ao redor da mesa de reuniões, todas à beira do pânico. Quando me viram entrar, levantaram a cabeça ao mesmo tempo, e os olhos de todos se encheram de alívio, como se eu fosse a salvação deles.

— Madre!

A secretária correu até mim, com os olhos vermelhos.

— A senhora finalmente chegou! Nós não entendemos as cláusulas do contrato, e o advogado da outra parte não cede de jeito nenhum. Eles vão embarcar amanhã de manhã. Se isso não for assinado, a família vai ter que pagar isso aqui...

Ela fez um gesto indicando um valor exorbitante.

Passei os olhos por ela sem dizer nada e fui direto até a mesa pegar o contrato. Na terceira página, encontrei o problema.

— Aqui. — Apontei para uma das cláusulas. — A tradução está errada. O que eles querem dizer, na verdade, é pagamento parcelado, não pagamento à vista.

Várias pessoas se inclinaram para olhar. Depois de encarar o trecho por um tempo, finalmente entenderam.

— Eu vou pedir para o tradutor refazer...

— Não dá tempo. — Coloquei o contrato de volta na mesa. — Me tragam minha caneta.

Sentei e comecei a corrigir linha por linha. Quando cheguei à quarta cláusula, a porta da sala de reuniões se abriu. O som de saltos altos ecoou pelo chão. Eu não levantei os olhos, mas soube imediatamente quem era.

— Ora, ora... se não é a primeira Madre da nossa família a pedir um tribunal.

A risada de Bianca transbordou falsa doçura. Ela se aproximou carregando o bebê e se apoiou na beirada da mesa, olhando para mim de cima.

— Por que minha querida irmã não está em casa descansando durante a gravidez? O que está fazendo aqui? Não me diga que veio pedir pensão para o bebê.

A secretária ficou vermelha de raiva, pronta para rebater, mas eu a silenciei com um olhar. Continuei revisando as cláusulas, tratando as palavras de Bianca como mero ruído de fundo.

Quando Bianca viu que eu não ia cair na provocação, o sorriso dela congelou por um instante. Ela baixou os olhos para a caneta na minha mão, e algo mudou em sua expressão.

— Que caneta bonita. — De repente, ela estendeu a mão. — Posso ver?

Antes que eu pudesse reagir, ela já tinha arrancado a caneta da minha mão. Era uma caneta-tinteiro de luxo, de uma marca de nicho. Cesare a tinha me dado no nosso primeiro ano de casamento. Já não valia muito, mas esteve comigo por dez anos.

— Devolve.

Levantei os olhos para ela, franzindo a testa. Bianca ergueu a caneta e a girou entre os dedos.

— É só uma caneta velha. Por que você está tão nervosa? Só estou olhando. Não vou ficar com ela.

Ela deu um passo para trás.

— Vai, termina o seu contrato. Quando eu acabar de olhar, devolvo.

Respirei fundo, reprimindo a irritação.

— Bianca, larga essa caneta.

— Nossa, você está mesmo ficando brava? — Ela arregalou os olhos de forma teatral. — É só uma caneta. Isso é tão sério assim?

Ela se virou como se fosse sair andando.

Foi aí que perdi a paciência. Levantei, contornei a mesa e caminhei até ela. No instante em que estendi a mão, Bianca soltou um grito.

— Madre, o que a senhora está fazendo?

No segundo seguinte, os braços dela afrouxaram ao redor do bebê. A criança escorregou dos braços dela, e um choro dilacerante explodiu no ambiente.

Nesse exato momento, a porta do escritório foi escancarada, e Cesare entrou como uma tempestade.

Bianca também tinha caído. Estava sentada no chão, com o cabelo desgrenhado e o rosto coberto de lágrimas.

— Meu bebê! Don, veja o meu bebê!

Cesare avançou correndo. Pegou o bebê que chorava com um braço e ajudou Bianca a se levantar com o outro.

— O que aconteceu?

Bianca desabou contra ele, tremendo da cabeça aos pés e soluçando de forma histérica. Com o dedo trêmulo, apontou para mim.

— Eu só achei a caneta da Madre bonita e quis brincar um pouco com ela. Não imaginei que ela jogaria meu bebê no chão!

O bebê continuava chorando. O som agudo cortava a sala como uma faca atravessando o coração de todos.

Cesare levantou os olhos para mim. Aquele olhar lançou gelo pelas minhas veias, e então ele falou, com a voz rouca:

— Giulia, esse bebê tem só seis meses. Você me odeia, e odeia a mãe dele. Deveria ter vindo atrás de nós. Mas foi atrás de uma criança?

— Eu não toquei nela.

— Então como ela caiu?

— Ela mesma soltou o bebê.

— Ela mesma soltou o bebê? — Cesare riu ao me interrogar, debochadamente.

Ele me encarou como se eu fosse absurda.

— Giulia, escuta o que você está dizendo. Ela estava segurando o bebê, em pé, na sua frente. E você quer dizer que ela deixou o próprio filho cair de propósito? Que fez isso intencionalmente? Que jogou a própria criança no chão?

Eu não disse nada. O que eu poderia dizer? Para qualquer pessoa olhando de fora, meu gesto para pegar a caneta de volta não era diferente de um empurrão.

Cesare entregou o bebê a alguém ao lado e caminhou até a caneta caída no chão. Então veio um estalo seco quando a caneta se partiu. A tinta jorrou dos pedaços quebrados e se espalhou pela sola do sapato dele.

Dez anos...

Ele tinha acabado de esmagar sob os pés a caneta que simbolizava o nosso tempo juntos e a reduziu a pedaços.

A voz dele ficou fria como gelo ao dizer:

— Giulia, já que você insiste tanto em abrir um tribunal da família... então eu vou realizar o seu desejo.
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