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Capítulo 07

Author: Ding
Agora ele estava parado no corredor da ala de cura, encarando o chão, tentando alcançar Selene através do elo mental.

Nada.

Ele ligou para a mãe.

— Sinceramente, Kane — disse Ilsa. — Por que você a empurrou daquele jeito? Tive que aguentar Mary gritando comigo durante uma hora inteira antes de ela se acalmar. Você sabe o quanto ela é protetora com aquela menina.

— Selene está ferida?

— Só um arranhão na testa. Já foi enfaixado. O noivo dela veio buscá-la. Ela está na casa dele agora.

Noivo
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    Três meses depois, Mary estava de pé sob o velho carvalho.As folhas haviam adquirido tons dourados e avermelhados. Caíam ao seu redor como chuva, desprendendo-se lentamente dos galhos e pousando sobre seus ombros.Kane estava a poucos metros dali, com as mãos nos bolsos, olhando para o céu.— Você deveria voltar para o Norte — disse Mary.Ele balançou a cabeça.— Este é o meu lar.— Não há mais nada para você aqui.— Ela está aqui.Ele olhou para o velho carvalho, para a grama sob seus galhos, para a trilha que levava à Fonte da Lua.— As lembranças dela estão aqui. Isso basta.Mary permaneceu em silêncio por um longo tempo. Então, enfiou a mão no bolso e retirou a pedra da lua.— Ela queria que você ficasse com isto.Kane olhou para a pedra.Ela emitia um brilho suave sob a luz do outono — quente e delicado, como um pequeno coração pulsando.— Guarde-a para mim — disse ele. — Até o dia em que eu a encontrar novamente.Os olhos de Mary se encheram de lágrimas. Ela apena

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    Três dias se passaram.Kane não saiu do meu lado nem por um instante.Dormia na cadeira ao lado da minha cama, com a cabeça inclinada para trás e a boca levemente aberta. Comia a comida do hospital — carne acinzentada e purê de batatas empelotado — sem reclamar. Segurava minha mão quando a dor ficava insuportável. Lia para mim um livro que encontrou na biblioteca da casa de cura, um velho romance de lombada rachada e páginas amareladas.Minha mãe entrava e saía do quarto. Trazia roupas limpas, meu chá favorito e uma fotografia do meu pai, que ficou sobre a mesa de cabeceira. Ela e Kane quase não conversavam, mas eu a via observando-o. Via a raiva em seus olhos amolecer... só um pouco.No terceiro dia, Vivra apareceu.Ela não estava sozinha.O Rei Alfa caminhava ao seu lado, com o rosto duro como pedra.Os dois pararam na porta do meu quarto.Os olhos do Rei percorreram meu corpo — o soro preso ao meu braço, o curativo na testa, a pele acinzentada —, mas sua expressão não mudou.

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    (Ponto de Vista de Kane)O quarto de Selene ficava no fim do corredor do terceiro andar. A porta estava fechada. Uma pequena placa ao lado da moldura dizia: "Quarto 317"Mary parou diante da porta e se virou para encarar Kane.— Ela não tem muito tempo — disse ela. — A bruxa falou que talvez um mês, mas... — Ela balançou a cabeça. — Ela está ficando mais fraca a cada dia.— Eu sei — respondeu Kane. — Eu sei.— E ela não sabe que você veio. Ela não queria que você a encontrasse. Queria que você seguisse em frente. Que vivesse a sua vida.Kane engoliu em seco.— Eu sei.Mary abriu a porta.O quarto era pequeno. Uma cama, um armário e uma cadeira. As cortinas estavam fechadas, mas um pequeno abajur sobre a mesa de cabeceira espalhava uma luz amarela e suave.Selene estava deitada na cama.Ela estava tão magra... Mais magra do que ele jamais a tinha visto. As maçãs do rosto se destacavam de forma dolorosa. As clavículas eram visíveis acima da borda do cobertor. Sua pele estava p

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    (Ponto de vista de Kane)O pacote chegou naquela tarde.Kane estava de volta à ala de cura da alcateia, sentado em uma cadeira de plástico ao lado da cama de Vivra. Ela dormia, respirando tranquila, com uma das mãos repousando sobre a barriga. O curandeiro havia dito que ela poderia voltar para casa no dia seguinte. Tinha sido apenas um susto. O filhote estava bem.Uma enfermeira entrou carregando uma pequena caixa.— Isso chegou para você — disse ela. — Não tem remetente.Kane pegou a caixa.Era leve. Não era maior do que a palma da sua mão.Ele a abriu. Seu coração parou.Lá dentro estava a pedra da lua.A mesma que ele havia dado a Selene quando ela fez dezessete anos. A mesma que ela usava no pescoço todos os dias.Ele a via refletindo a luz quando ela caminhava pela floresta. Sentia a pedra prensada entre os dois quando a abraçava durante a noite.Ela havia prometido que a usaria para sempre. Dentro da caixa havia um bilhete.Uma única linha, escrita com a caligrafia t

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    Kane não sabia da verdade. Não de verdade. Ele sabia que eu estava doente, mas não fazia ideia de quão grave era. Sabia que eu sofria de envenenamento por prata, mas não sabia que eu já estava morrendo. Que a bruxa havia me dado um mês de vida — talvez menos.Na noite em que voltei da taverna, minha febre disparou.Minha mãe correu pela casa inteira, colocando compressas frias na minha testa, trocando a fronha sempre que eu a encharcava de suor e chamando a bruxa da alcateia às duas da manhã.A bruxa veio. Era uma senhora de cabelos grisalhos e olhos bondosos, que me tratava havia sete anos. Ela me viu passar de uma jovem saudável de dezoito anos para uma mulher de vinte e cinco à beira da morte. Segurou minha mão durante todos os rituais de purificação. Chorou ao lado da minha mãe quando os tratamentos deixaram de funcionar.Naquela noite, bastou um único olhar para mim para que sua expressão endurecesse.— O veneno da prata alcançou a medula óssea dela — disse à minha mãe. — Nes

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    Agora ele estava parado no corredor da ala de cura, encarando o chão, tentando alcançar Selene através do elo mental.Nada.Ele ligou para a mãe.— Sinceramente, Kane — disse Ilsa. — Por que você a empurrou daquele jeito? Tive que aguentar Mary gritando comigo durante uma hora inteira antes de ela se acalmar. Você sabe o quanto ela é protetora com aquela menina.— Selene está ferida?— Só um arranhão na testa. Já foi enfaixado. O noivo dela veio buscá-la. Ela está na casa dele agora.Noivo. Casamento.As palavras o perfuraram como agulhas. Ele as sentiu atravessando seu peito, uma por uma.Saiu para o lado de fora. O ar da noite estava gelado. Lavou o rosto com a água de um bebedouro ao lado do prédio. Suas mãos tremiam.Então a voz de Vivra ecoou através do elo mental.— Kane, tive um pesadelo. Estou com medo. Volta para a cama.Ele voltou para o quarto dela. Sentou-se na beira da cama, e ela se aconchegou contra ele, apoiando a cabeça em seu peito.— Kane — sussurrou ela.

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