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Capítulo 2

Author: Willow·hai
Na manhã seguinte, não havia nenhuma mensagem nova no meu celular.

Pavel claramente havia se esquecido do que dissera sobre ir comigo buscar Annie.

Melhor assim. Assim que eu pegasse Annie, seria hora de partir.

Quando cheguei à loja de animais, uma multidão havia se reunido do lado de fora.

Alguma coisa estava errada. Abri caminho entre as pessoas e entrei.

Pavel estava com o braço ao redor dos ombros de Vivienne. No instante em que me viu, seu rosto ficou sombrio.

— Ashlyn, olha só o que a cachorra que você criou fez!

Parei de repente.

Minha Annie mal estava respirando.

No instante em que me viu, seus olhos se iluminaram e ela tentou correr até mim, como sempre fazia, mas estava com tanta dor que não conseguia se mover.

Abaixei-me e a peguei nos braços.

— Annie, está tudo bem, está tudo bem. Vou cuidar de você. Você vai ficar bem.

Mas, quando me levantei com ela nos braços, seus olhos se fecharam, e o corpinho que antes era quente como uma fornalha foi lentamente esfriando.

O funcionário da loja de animais parecia arrasado.

— Ashlyn, Annie se foi.

Naquele instante, senti como se tivesse mergulhado em água gelada.

Mordi o lábio com força e ergui os olhos para Pavel.

— Por que você machucou ela?

Os olhos de Vivienne se encheram de lágrimas.

— Ashlyn, sinto muito. Eu sabia que Annie, a cachorra que você e Pavel criaram, estava sendo tratada no hospital veterinário, e queria trazê-la para casa como uma surpresa para você. Eu não fazia ideia de que ela tinha tanto medo de estranhos. A culpa é minha. Mesmo depois que ela me arranhou e me mordeu, eu deveria simplesmente ter desistido.

— Não fique brava com Pavel. Ele só mandou expulsarem ela porque estava com medo de que ela me machucasse de novo.

— Se precisa culpar alguém, culpe a mim. Pode me bater, gritar comigo, fazer o que for preciso para se sentir melhor.

Os olhos de Pavel se encheram de preocupação por ela.

— Como alguma coisa disso pode ser culpa sua? O animal atacou você primeiro. Você não tem nada pelo que se desculpar.

Ele se virou para mim, e havia reprovação em sua voz.

— Vivienne foi arranhada, e tudo com que você se importa é com esse animal. Você não tem coração?

Minhas unhas cravaram nas palmas das minhas mãos, e não consegui evitar gritar.

— Você sabe muito bem o quanto Annie significava para mim!

Meu pai, Gareth Marlowe, é o Alfa da alcateia Moonsong. Sua primeira Luna era sua companheira predestinada, e os dois tiveram Vivienne juntos.

Sua Luna destinada morreu jovem e, para consolidar seu poder, ele tomou minha mãe como sua segunda companheira.

Minha mãe, Elara, era filha do Alfa da alcateia Cloudweave.

Casar-se com ela significava que a Cloudweave seria incorporada à Moonsong. Ele se casou com ela pelo que isso lhe proporcionava, nada mais.

Mas, antes de se tornarem companheiros, ele a conquistou com tantas mentiras bonitas que ela acabou se apaixonando por ele.

Depois que conseguiu o que queria, parou de fingir.

Meu pai partiu o coração dela. Minha mãe nunca se recuperou e morreu quando eu tinha seis anos.

Ele não sentia amor por ela e também não dava atenção a mim.

Annie era a cachorra que minha mãe havia escolhido para mim antes de morrer, e ela foi a única que permaneceu ao meu lado durante todos os anos que se seguiram.

Naquela época, Annie já era velha e dócil. Mesmo quando outro animal a intimidava, ela apenas se afastava cabisbaixa. Ela jamais machucaria alguém.

Olhei novamente para Vivienne. Suas roupas não estavam rasgadas. Não havia sequer uma marca nela.

— Pavel, a loba de Vivienne já despertou. Você está me dizendo que uma lobisomem foi arranhada por uma simples cachorrinha doméstica? Você acredita nisso?!

Trinquei os dentes, consumida pelo ódio.

Ele recuou diante da dor e da fúria em meus olhos. Um lampejo de dor atravessou seu rosto antes que ele o reprimisse.

— Não importa o que você pense, Vivienne veio aqui buscar Annie para você por bondade.

— Aquele animal a atacou de propósito. Ela morreu, e é isso. Vivienne sempre foi tímida, e o que aconteceu hoje a aterrorizou. Você deveria estar indo comigo ao hospital ajudar a cuidar dela.

Vivienne balançou a cabeça, tentando parecer corajosa.

— Pavel, fique aqui e console Ashlyn. Eu estou bem. Posso ir ao hospital sozinha.

Levantei-me com Annie nos braços e lancei um olhar frio para os dois.

— Isso não termina aqui. Vocês dois vão pagar pelo que fizeram com Annie.

Não olhei para eles novamente. Entrei na loja e pedi aos funcionários que me ajudassem a organizar o enterro de Annie.

Quando Annie foi enterrada, o céu já havia escurecido.

Fiz um pedido à Deusa da Lua.

— Deusa da Lua, eu não fui uma boa dona. Por favor, cuide de Annie e dê a ela uma boa família em sua próxima vida.

Foi então que uma mensagem do meu pai apareceu no meu celular.

[O acordo com a alcateia Phantom para seu companheiro arranjado está fechado. A cerimônia será realizada daqui a três dias. Não pode ser alterada.]

Respondi sem hesitar.

[Não vou mudar de ideia.]

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