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O Fim da Minha Paciência

Author: Liang
last update publish date: 2026-10-09 09:21:01

Mia

A voz de Damon cortou a minha sem hesitação. Virei-me para ele.

Em seu rosto, geralmente impassível, havia algo que eu não conseguia decifrar, mas talvez fosse apenas minha imaginação. Pouco depois, ele me lançou um olhar severo.

“Não seja irracional, Mia”, disse ele. “Athena vai ficar. Por que ela precisaria ir embora quando a família dela está aqui? Nunca mais diga algo tão ridículo. Em assuntos como este, você não deve se intrometer.”

Meus lábios permaneceram ligeiramente entreabertos, mas nenhum som saiu. Tudo o que eu queria dizer se dissolveu silenciosamente.

“Exatamente”, Mara sorriu, acomodando-se novamente, satisfeita. “Ela já era da família muito antes de você chegar. É melhor aprender qual é o seu lugar.”

Com isso, a atmosfera voltou ao estado anterior. Athena e Mara conversavam despreocupadamente, suas risadas preenchendo o ambiente. Damon desviou o olhar e continuou comendo. Era como se tudo estivesse normal.

Apenas eu permaneci imóvel no lugar, com o coração afundando no peito.

Continuei olhando para ele enquanto comia despreocupadamente.

Em apenas um dia, todas as opiniões que eu tinha estavam desmoronando.

E agora, o homem que um dia prometera me proteger havia permitido que me dilacerassem, ignorando-me como se eu fosse ar.

Baixei lentamente o olhar, forçando meus dedos a relaxarem ao redor do garfo, embora tremessem levemente.

Só quando cheguei à escuridão do nosso quarto — meu quarto, considerando o pouco tempo que ele passava ali — as lágrimas que eu vinha contendo finalmente caíram. Enrolei-me nos lençóis, soluçando silenciosamente até sentir dor, enquanto as lembranças de tudo o que acontecera naquele dia circulavam em minha mente.

Não sei quanto tempo passou até minhas lágrimas secarem. Através da visão embaçada, meus olhos permaneceram fixos na porta do quarto. Ela estava destrancada, mas isso realmente importava?

Ultimamente, mesmo nos dias em que voltava para casa, ele permanecia em seu escritório ou no quarto de hóspedes. Mas ele também sabia como eu ficava quando estava chateada.

No passado, quando eu ficava minimamente aborrecida, independentemente do que estivesse fazendo, ele permanecia ao meu lado. Mesmo que não pedisse desculpas ou dissesse uma única palavra, seu calor e sua presença eram suficientes. Era a única coisa à qual eu me agarrara depois de anos vivendo sozinha.

Será que ele viria agora?

A pergunta parecia uma piada, considerando os últimos meses, mas meus olhos continuaram fixos na porta. Desejando. Esperando por ALGUMA COISA.

Não sei quanto tempo esperei até finalmente adormecer. Quando acordei na manhã seguinte, o espaço ao meu lado continuava vazio.

As semanas seguintes se confundiram umas com as outras. Conforme haviam combinado, Athena começou a morar na mansão. Ela se adaptou rapidamente, como um peixe na água, até que as empregadas da casa já não conseguiam passar um dia sem mencionar seu nome. Logo, Mara e Damon começaram a levá-la a vários lugares. Damon, que raramente voltava para casa naqueles dias, agora retornava todas as noites, mas sempre acompanhado de Athena, depois de mais um passeio juntos.

Os três pareciam harmoniosos. Felizes.

Minha vida, no entanto, estava desmoronando.

Depois daquela noite, a distância entre Damon e mim havia se transformado em um abismo. Entre o tempo que ele passava com Athena e o que acontecia na história, eu raramente o via, a menos que fosse na empresa. Diferentemente da última vez, não havia sequer um vestígio de amor, como se os últimos dois anos nunca tivessem existido.

Éramos como estranhos.

O anúncio da gravidez, pelo qual eu tanto ansiava, continuava sem ser feito. Eu não tive a oportunidade de contar a ele, já que mal o via, então permaneci sozinha com o conhecimento de que estávamos esperando um bebê.

A única coisa que me mantinha seguindo em frente era me afundar no trabalho. Mais especificamente, no próximo projeto Zenthros.

Era um dos maiores projetos tecnológicos futuros da NovaTech. Um projeto que eu havia criado e desenvolvido em cada etapa, com a aprovação de Damon meses antes. Seu sucesso não apenas levaria a NovaTech a patamares ainda maiores, mas também demonstraria verdadeiramente minhas capacidades.

Mais importante ainda, era algo que pertencia inteiramente a mim. Minha criação. Meu filho figurativo, de certa forma.

Nas últimas semanas, eu havia me dedicado inteiramente à elaboração da proposta e da apresentação, tentando aliviar a tempestade de emoções dentro de mim. Cada momento em que não estava descansando ou comendo era dedicado ao projeto.

E ele estava realmente começando a avançar. Dentro de uma semana, a proposta inicial seria apresentada ao conselho de administração. Aquela boa notícia era o único consolo e a única luz em meio à minha vida em ruínas.

Um novo dia havia chegado. Por causa dos meus enjoos matinais persistentes, cheguei mais tarde do que de costume. Assim que entrei no escritório, com as mãos prontas para pegar os arquivos físicos, congelei ao perceber que não havia nada ali.

Os arquivos do projeto. Haviam desaparecido.

Minha respiração ficou presa entre o pânico e a incredulidade. Que diabos?

Levantei-me, tentando entender o que havia acontecido, quando a porta se abriu.

“Senhora, há…”

“O que aconteceu com meus arquivos do projeto Zenthros?”

Minha voz era baixa, mas carregada de peso, fazendo-a parar no lugar. Virei-me para encontrar o olhar de Jenny.

Eu nunca era descuidada e sequer ousava levar qualquer coisa do trabalho para casa, o que só podia significar que alguém havia levado os arquivos. Pouquíssimas pessoas tinham acesso ao meu escritório, e Jenny teria percebido se alguma delas tivesse entrado.

Quando ergui os olhos, ela permaneceu imóvel, parecendo hesitante e insegura, acompanhada de um traço do que parecia ser… pena?

“Senhora, o projeto foi transferido. Todos os detalhes da proposta, tanto físicos quanto digitais, receberam ordens para serem transferidos esta manhã.” Ela hesitou. “O Sr. Nova deu a ordem ontem. Sinto muito. Eu… pensei que a senhora soubesse.”

As palavras caíram sobre mim como um golpe. Minha cabeça começou a zumbir.

“Você disse que foi transferido”, falei, entorpecida. “Transferido para quem?”

Seu olhar ansioso desviou-se por um instante antes de ela responder.

“Ele o entregou à Srta. Nova, sua irmã. Ela foi anunciada como nova funcionária do departamento de projetos esta manhã, e era isso que eu vinha lhe contar.”

Por um momento, tudo ficou em silêncio. E então…

Raiva. Raiva pura e desenfreada.

Ele sabia exatamente o quanto aquele projeto significava para mim. Mesmo durante seus períodos de silêncio, eu havia falado apaixonadamente sobre o projeto. Desde o início, cuidei de tudo sozinha. Cada detalhe. Cada revisão. Mesmo quando meu corpo se sentia fraco, quando as náuseas não paravam, eu ainda trabalhava arduamente nele.

Ele SABIA.

E mesmo assim, entregou-o a outra pessoa.

A frustração acumulada ao longo das semanas de negligência e afastamento, enquanto ele mimava Athena, explodiu dentro de mim.

Eu não conseguia ouvir nem pensar em mais nada. Mal percebi Jenny chamando por mim ou os olhares que me acompanhavam enquanto eu passava. Tudo o que conhecia era a fúria borbulhando dentro de mim e um único pensamento.

Como ele ousava?

Quando cheguei ao escritório dele, escancarei a porta sem cerimônia e a bati atrás de mim. Eu já não me importava com educação.

“Como. Você. Pôde?” cuspi as palavras.

Damon ergueu os olhos, com uma expressão serena. Imperturbável. Isso me enfureceu ainda mais.

“Srta. Dawson”, disse ele, com a voz controlada. “Entrar assim, sem bater, é pouco profissional…”

“Pare com essa besteira!” Lutei contra a vontade de estender a mão e sacudi-lo.

“Suponho que esteja aqui por causa do anúncio”, disse ele. “Athena queria experimentar trabalhar na empresa, então dei a ela a proposta para ganhar experiência. Como o projeto está perto de ser concluído, é uma boa oportunidade para ela.”

“Então meu projeto foi o cordeiro sacrificial.” Soltei uma risada amarga. “Você sabe o quanto trabalhei nele. Você sabe…”

“Ela é da família, Mia”, retrucou ele bruscamente. “E é apenas um projeto. Você pode cuidar de outro.”

Aquelas palavras apagaram completamente minha fúria.

Apenas um projeto. Meses do meu trabalho árduo foram entregues a ela, mas, para ele, aquilo não significava nada.

Ele não se importava.

Olhando para o chão, senti um desespero oco me preencher. Soltei uma breve respiração amarga.

“Damon”, pronunciei seu nome, sentindo meu peito apertar. “Apaixonei-me por você há dois anos porque você era gentil e carinhoso. Então, de repente, mudou, afastando-me apenas para me atrair de volta. Eu costumava pensar que, se continuasse insistindo, as coisas voltariam a ser como antes. Mas agora… já não sei. Você sequer se importa comigo?”

Ele não respondeu, e soltei uma risada amarga, erguendo o olhar para encontrar o que eu sabia que seria um olhar indiferente.

Mas o que encontrei não foi indiferença.

Em seu olhar, algo vacilou, assim como acontecera naquela mesa de jantar semanas antes. Foi tão breve que não tive certeza se era real.

Parecia um CONFLITO.

Uma batida repentina na porta me assustou. Virei-me o suficiente para ver Gregory, o assistente de Damon, entrar.

“Senhor, o Sr. Grey ligou. Disse que quer falar com o senhor.”

Reconheci vagamente aquele nome como sendo Marcus, o mentor de Damon, mas não consegui pensar em mais nada.

Em seguida, o jovem se virou para sair, mas não antes de lançar um olhar em minha direção que parecia carregar pena.

Eu não estava preocupada com a possibilidade de alguém nos ouvir — o escritório de Damon, como a maioria dos outros, era à prova de som —, mas aquele olhar significava que a notícia havia se espalhado.

A porta se fechou. Voltei-me para Damon e descobri que aquela expressão em seus olhos havia desaparecido, como se nunca tivesse existido.

Ele se levantou, indiferente, e pegou o paletó.

“Volte para o seu escritório. Deixe isso para lá, Mia”, disse ele, passando por mim. Seu maxilar se contraiu enquanto desviava o olhar.

“É melhor assim.”

Permaneci imóvel enquanto ele passava por mim.

Nunca me senti tão sozinha.

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