LOGINCapítulo 107 — Eu acabo com vocêEsterA minha voz saiu rouca, quase em uma súplica desesperada.Ele parou na mesma hora. O corpo dele enrijeceu sob os meus dedos como uma muralha de aço. Bruce virou o rosto devagar por cima do ombro, baixando os olhos gélidos para a minha mão agarrada ao seu braço, como se um inseto peçonhento tivesse pousado sobre ele.Apertei o tecido com mais força, sentindo as lágrimas queimarem o fundo dos meus olhos.Por que ele sempre fazia aquilo? Por que sempre me olhava como se eu fosse um pedaço de lixo no chão? Durante toda a nossa infância, antes daquele incêndio maldito, tudo o que eu mais queria era que ele me notasse. Eu queria que meu irmão mais velho me ensinasse a andar de bicicleta, queria que me protegesse dos castigos do meu pai, queria a atenção e o cuidado que ele transbordava sem esforço... mas nunca foi para mim. Toda a devoção dele, todo o afeto e todo o sangue que ele derramava sempre foram dedicados exclusivamente à Katherine.— Bruce...
Capítulo 106 — Por favor espera…EsterO peso daquele olhar escuro parecia sugar todo o oxigênio da sala.A frase de Bruce ficou suspensa no ar úmido do cubículo, vibrando contra os meus tímpanos como o eco de uma sentença de morte. Ele continuava debruçado para a frente na poltrona puída, os cotovelos apoiados nos joelhos, a postura predatória de quem estava apenas se divertindo antes de desferir o bote final. A cicatriz pálida na lateral esquerda do rosto dele brilhava sob a lâmpada fraca do teto.— Do que... do que você está falando, Bruce? — forcei a voz a sair firme, mas o tremor na minha garganta me traiu vergonhosamente. Tentei soltar uma risada curta, empinando o queixo para disfarçar o pânico que fazia as minhas entranhas se contorcerem. — Eu não faço a menor ideia de quem você deveria matar! Que tipo de conversa absurda é essa?! Se você se meteu com o crime organizado nas docas, isso é problema seu! Não tem absolutamente nada a ver conosco!Bruce não piscou. Ele apenas incli
Capítulo 105 — Em FamíliaBruce “Scar”O ar frio de São Francisco me atingiu no instante em que passei pelas portas giratórias da torre Storn.Caminhei em passos largos até o meu sedã, destravei o alarme e entrei batendo a porta. A conversa com Henry ainda ressoava na minha cabeça feito um zumbido incômodo, mas a raiva agora tinha um alvo definido. Liguei direto para o Julian.— Acha o Arthur Hill agora — ordenei assim que ele atendeu. — Rastreia onde aquele verme se enfiou depois do despejo.— Te retorno em instantes. — ele avisou. Enquanto esperava no carro, a conversa sobre a Melissa voltou a me incomodar. Peguei o celular e mandei uma mensagem para Katherine para checar o terreno:“Tudo bem na agência, Kitty Cat?”A resposta não veio por texto. O aparelho tocou antes mesmo de eu apoiá-lo no painel. Era ela.Atendi de imediato.— Katherine?— O que foi que você fez com a Melissa, Bruce? — a voz da minha irmã veio cortante, seca, sem a doçura habitual.Passei a mão pelo queixo, des
Capítulo 104 — O Pântano das CobrasEsterO cheiro de gordura rançosa misturado a mofo impregnava cada centímetro daquele cubículo imundo.Passei a mão pelos cabelos ressecados, encarando a mancha de infiltração no teto da sala minúscula. O sofá onde eu estava sentada tinha molas tortas que espetavam minhas coxas, e o barulho dos carros na avenida movimentada lá embaixo martelava no meu cérebro.A nossa realidade tinha virado um pesadelo grotesco.Até dias atrás, eu desfilava pelos salões de mármore da mansão Sinclair, vestindo seda, escolhendo joias e planejando o dia em que assumiria de vez o lugar da idiota da Katherine ao lado do Adam. Agora, estávamos enfiados em um prédio decadente nos arredores de São Francisco, em um apartamento de dois cômodos alugado com dinheiro que meu pai implorou para agiotas de esquina.— Isso é desumano, Arthur! Uma humilhação que não vou tolerar mais! — o berro esganiçado da minha mãe quebrou o silêncio da cozinha.Ela surgiu no arco da porta seguran
Capítulo 103 — Acerto de Contas em FamíliaBruce “Scar”O eco daquele sobrenome reverberou dentro do meu crânio com a violência de uma detonação.— Onde você está agora, Julian? — perguntei, a voz saindo baixa, seca e desprovida de qualquer emoção.— Na base das docas, chefe. Os rapazes trouxeram o papel e as fotos da lixeira. Está tudo guardado no cofre da sua sala.— Guarda essa porra trancada e mantém os olhos bem abertos na movimentação do Billy. Se aquele desgraçado der um único passo fora daquele motel de beira de estrada, eu quero ser avisado na mesma hora.— Pode deixar, Bruce. Ninguém perde o rastro dele.Desliguei o celular com um clique seco e joguei o aparelho sobre a mesa de mogno. O plástico bateu contra a madeira nobre, quebrando o silêncio pesado que havia se instalado na presidência da Storn.Henry não precisou de muito para entender a gravidade da situação. O magnata já estava de pé, os botões do paletó alinhados, a postura ereta e os olhos cinzentos afiados como lâm
Capítulo 102 — O Nome no PapelBruce “Scar”O silêncio no gabinete de Henry pesou logo depois que a última frase dele ecoou pela sala.A lembrança de tê-la puxado para o meu colo, de ter sentido a entrega daquela garota e, no instante em que o beijo terminou, ter deslizado os dedos pela bochecha dela com uma ternura que nunca permiti a ninguém... Aquilo me apavorou. O choque de me ver desarmado, sentindo algo que não tinha calibre e que me deixava exposto, fez o alarme disparar. E o que eu fiz? Agi feito um animal acuado: empurrei a garota, mandei ela sair e ergui a muralha de gelo de volta.Fiquei encarando o magnata com a mandíbula travada, sentindo o sangue queimar nas minhas têmporas. O foda era que, no fundo daquela soberba, o desgraçado tinha acertado o tiro no meio do alvo. A Mel tinha sentimentos e eu os tinha ferido, nessa porra.Passei a mão pesada pela nuca, soltando o ar com força pelos dentes cerrados. Me forcei a parar de marchar, puxei uma das poltronas de couro à fren







