LOGINCapítulo 32 — A Armadilha de SangueMia CollinsA respiração dele bateu contra a pele sensível da minha orelha com a força de uma labareda viva.Aquele sussurro grave, rouco e denso quebrou qualquer barreira de compostura que tentei erguer durante os quarenta minutos de táxi entre o hotel e a Quinta Avenida:— Espero que hoje você não fuja de mim, Mia. Porque nós dois temos muito o que conversar... e não é sobre o contrato.Um calafrio violento e elétrico desceu pela minha espinha dorsal, paralisando os meus músculos no mesmo milésimo de segundo em que o calor da palma dele queimava a minha mão. A proximidade era indecente para um ambiente corporativo. A ponta dos sapatos dele quase tocava a ponta dos meus saltos finos. Eu podia sentir o tecido nobre do seu paletó roçando a seda da minha blusa, o aroma viril de couro e sândalo invadindo meus pulmões e, mais do que tudo, a cadência pesada e possessiva de um homem acostumado a tomar posse do que considerava seu.O pensamento ecoou no c
Capítulo 105 — Em FamíliaBruce “Scar”O ar frio de São Francisco me atingiu no instante em que passei pelas portas giratórias da torre Storn.Caminhei em passos largos até o meu sedã, destravei o alarme e entrei batendo a porta. A conversa com Henry ainda ressoava na minha cabeça feito um zumbido incômodo, mas a raiva agora tinha um alvo definido. Liguei direto para o Julian.— Acha o Arthur Hill agora — ordenei assim que ele atendeu. — Rastreia onde aquele verme se enfiou depois do despejo.— Te retorno em instantes. — ele avisou. Enquanto esperava no carro, a conversa sobre a Melissa voltou a me incomodar. Peguei o celular e mandei uma mensagem para Katherine para checar o terreno:“Tudo bem na agência, Kitty Cat?”A resposta não veio por texto. O aparelho tocou antes mesmo de eu apoiá-lo no painel. Era ela.Atendi de imediato.— Katherine?— O que foi que você fez com a Melissa, Bruce? — a voz da minha irmã veio cortante, seca, sem a doçura habitual.Passei a mão pelo queixo, des
Capítulo 104 — O Pântano das CobrasEsterO cheiro de gordura rançosa misturado a mofo impregnava cada centímetro daquele cubículo imundo.Passei a mão pelos cabelos ressecados, encarando a mancha de infiltração no teto da sala minúscula. O sofá onde eu estava sentada tinha molas tortas que espetavam minhas coxas, e o barulho dos carros na avenida movimentada lá embaixo martelava no meu cérebro.A nossa realidade tinha virado um pesadelo grotesco.Até dias atrás, eu desfilava pelos salões de mármore da mansão Sinclair, vestindo seda, escolhendo joias e planejando o dia em que assumiria de vez o lugar da idiota da Katherine ao lado do Adam. Agora, estávamos enfiados em um prédio decadente nos arredores de São Francisco, em um apartamento de dois cômodos alugado com dinheiro que meu pai implorou para agiotas de esquina.— Isso é desumano, Arthur! Uma humilhação que não vou tolerar mais! — o berro esganiçado da minha mãe quebrou o silêncio da cozinha.Ela surgiu no arco da porta seguran
Capítulo 103 — Acerto de Contas em FamíliaBruce “Scar”O eco daquele sobrenome reverberou dentro do meu crânio com a violência de uma detonação.— Onde você está agora, Julian? — perguntei, a voz saindo baixa, seca e desprovida de qualquer emoção.— Na base das docas, chefe. Os rapazes trouxeram o papel e as fotos da lixeira. Está tudo guardado no cofre da sua sala.— Guarda essa porra trancada e mantém os olhos bem abertos na movimentação do Billy. Se aquele desgraçado der um único passo fora daquele motel de beira de estrada, eu quero ser avisado na mesma hora.— Pode deixar, Bruce. Ninguém perde o rastro dele.Desliguei o celular com um clique seco e joguei o aparelho sobre a mesa de mogno. O plástico bateu contra a madeira nobre, quebrando o silêncio pesado que havia se instalado na presidência da Storn.Henry não precisou de muito para entender a gravidade da situação. O magnata já estava de pé, os botões do paletó alinhados, a postura ereta e os olhos cinzentos afiados como lâm
Capítulo 102 — O Nome no PapelBruce “Scar”O silêncio no gabinete de Henry pesou logo depois que a última frase dele ecoou pela sala.A lembrança de tê-la puxado para o meu colo, de ter sentido a entrega daquela garota e, no instante em que o beijo terminou, ter deslizado os dedos pela bochecha dela com uma ternura que nunca permiti a ninguém... Aquilo me apavorou. O choque de me ver desarmado, sentindo algo que não tinha calibre e que me deixava exposto, fez o alarme disparar. E o que eu fiz? Agi feito um animal acuado: empurrei a garota, mandei ela sair e ergui a muralha de gelo de volta.Fiquei encarando o magnata com a mandíbula travada, sentindo o sangue queimar nas minhas têmporas. O foda era que, no fundo daquela soberba, o desgraçado tinha acertado o tiro no meio do alvo. A Mel tinha sentimentos e eu os tinha ferido, nessa porra.Passei a mão pesada pela nuca, soltando o ar com força pelos dentes cerrados. Me forcei a parar de marchar, puxei uma das poltronas de couro à fren
Capítulo 101 — Consultoria de RiscoHenryA manhã começava a se abrir cinzenta sobre São Francisco, tingindo as vidraças da presidência com reflexos prateados.Apoiei os cotovelos no tampo de mogno, com uma xícara de café preto entre as mãos, deixando a mente repassar a sequência caótica das últimas vinte e quatro horas. A tarde de ontem havia sido uma montanha-russa: o almoço surpresa com Katherine, o ciúme delicioso dela por causa da Mavie que só serviu para me fazer amá-la com ainda mais devoção, e depois... a tempestade trazendo Adam.Meu filho havia cruzado limites perigosos. Tê-lo expulsado da matriz sob a mira da segurança foi uma medida de contenção imediata, mas a promessa de vingança que ele berrou pelos corredores ainda ecoava. Eu sabia que depois das ameaças dele precisava manter homens dobrados na escolta da Katherine. Na noite anterior, ao buscá-la na agência e levá-la para a segurança da nossa casa, fiz questão de envolvê-la em silêncio e carinho para que o choque daqu







