Se connecterDaniel Padarkac é o quarterback do time de futebol americano da universidade. Bonito, charmoso e galanteador por natureza, ele é o tipo de rapaz que parece ter nascido sabendo exatamente o efeito que causa nas pessoas. Os cabelos loiros, sempre arrumados de um jeito casualmente perfeito, combinam com os olhos azuis que arrancam suspiros de praticamente todas as garotas do campus. Temos características parecidas, embora eu jamais tenha entendido por que isso parece despertar tanto interesse nele.
Daniel está acostumado a receber atenção. Convites, sorrisos tímidos, olhares demorados e garotas que encontram desculpas absurdas para puxar conversa com ele fazem parte de sua rotina. E, pelo visto, ele também está acostumado a conseguir o que quer. O problema é que eu nunca tive muita vocação para seguir a multidão. Não me entendam mal. Sei reconhecer um homem bonito quando vejo um. Daniel é, sem dúvida, atraente. Tem um sorriso encantador, um corpo bem definido pelos treinos e uma confiança que beira a arrogância. Mas, por mais que ele insista em investir em mim, não consigo sentir aquela atração que parece surgir tão naturalmente para as outras garotas. Na verdade, se existe um padrão nos meus interesses românticos, ele definitivamente não envolve rapazes da minha idade. Já tive uma queda pelo amigo do meu pai. Também me lembro de ter desenvolvido uma paixonite pelo meu diretor durante o ensino médio. E, agora, para completar a coleção de escolhas questionáveis da minha vida, estou completamente atraída pelo meu professor. O senhor Ackles. Só de pensar nele, sinto uma pontada de calor no rosto. É ridículo. Eu sei que é ridículo. Ainda assim, não consigo evitar. Há alguma coisa nos homens mais velhos que desperta minha curiosidade. Talvez seja a experiência, a segurança com que se comportam ou a maneira como parecem não precisar da aprovação de ninguém. Talvez seja a postura firme, a voz grave ou aquela expressão séria que me faz querer descobrir o que existe por trás dela. Ou talvez eu simplesmente tenha um péssimo gosto para homens emocionalmente inacessíveis. Seja como for, Daniel não se encaixa nesse perfil. E isso explica por que suas investidas, embora frequentes, nunca conseguem provocar em mim mais do que uma leve irritação. Ele, por outro lado, parece interpretar minha falta de interesse como um desafio. Todas querem a atenção dele, e talvez seja justamente por isso que não consegue aceitar a ideia de que eu não esteja interessada. Daniel está acostumado a ser desejado. Imagino que seja difícil para alguém assim compreender que nem toda mulher deseja fazer parte da sua coleção de conquistas. E, sinceramente, não tenho a menor intenção de ser a próxima. — Oiê, Isa! — sua voz familiar atravessa meus pensamentos. Ergo os olhos e o encontro parado diante do sofá onde estou sentada. Ele veste uma camiseta escura que destaca os braços e uma calça jeans, com os cabelos loiros ligeiramente desalinhados. O sorriso convencido de sempre está estampado em seu rosto. Resisto à vontade de suspirar. — Eloísa. Já conversamos sobre isso. Eu não gosto que me chame de Isa — corrijo, ajeitando a barra do vestido sobre as pernas. Ele leva a mão ao peito, fingindo estar ofendido. — Nossa, que recepção calorosa! Senti saudades disso. — Faz apenas dois dias que você me viu. — Dois dias muito difíceis. Reviro os olhos, e ele ri como se minha irritação fosse a coisa mais divertida do mundo. Sem esperar por um convite, Daniel se senta ao meu lado. Perto demais, para o meu gosto. O sofá tem espaço suficiente para acomodar mais três pessoas, mas ele parece determinado a ocupar justamente o lugar que me deixa desconfortável. — Mônica conseguiu te arrastar para outra festa? — pergunta, acomodando o braço no encosto do sofá, atrás de mim. — Infelizmente. — Você devia agradecer a ela. Se dependesse de você, passaria todas as noites trancada em casa. — E qual seria o problema? — Nenhum, se você não fosse tão bonita e estivesse desperdiçando todo esse potencial. Viro o rosto lentamente para encará-lo. — Você ensaia essas frases na frente do espelho ou elas simplesmente saem assim? Daniel solta uma gargalhada, claramente satisfeito com a minha resposta. — Você é cruel comigo, Eloísa. — E você é dramático, Daniel. Estamos quites. Ele sorri e, como se a conversa tivesse sido um convite para se aproximar ainda mais, desliza o braço pelo encosto do sofá, tentando envolvê-lo ao redor dos meus ombros. Meu corpo reage antes que eu consiga pensar. Inclino-me para o outro lado, buscando um pouco de espaço, mas ele mantém o braço firme atrás de mim e acaba segurando meu ombro quando tento me afastar. Meu sorriso desaparece. — Daniel, me solta. Minha voz sai baixa, mas firme. Ele parece surpreso com a mudança no meu tom. Por um instante, seu sorriso vacila, embora sua mão ainda permaneça onde está. — Calma, Isa. Só estou tentando ficar perto de você. — E eu estou dizendo que não quero. Sustento seu olhar, esperando que finalmente compreenda. Não me importa quantas garotas gostariam de estar no meu lugar, nem quantas considerariam aquele gesto uma demonstração de interesse. Eu não sou obrigada a aceitar o toque de ninguém apenas porque essa pessoa me acha bonita. Daniel retira a mão devagar, ajeitando-se no sofá com uma expressão contrariada. — Você poderia ser um pouco mais simpática, sabia? Solto uma risada curta, sem qualquer humor. — E você poderia aprender a ouvir quando uma garota diz não. Por alguns segundos, ele permanece em silêncio. A música alta preenche o espaço entre nós, misturando-se às conversas e às gargalhadas espalhadas pela sala. Pego meu copo na mesinha à frente e tomo um pequeno gole, decidida a não permitir que ele estrague o restante da minha noite. Embora, a julgar pela expressão de Daniel, eu tenha a impressão de que essa conversa ainda não terminou. .... Chego ao dormitório da faculdade completamente exausta. Meus pés estão implorando por misericórdia, minha cabeça lateja levemente e a última coisa que desejo é ter qualquer tipo de interação social pelo resto da noite. Fecho a porta atrás de mim, jogo a bolsa sobre a cama e me arrasto até a escrivaninha. Assim que alcanço minha cadeira, deixo meu corpo desabar contra o encosto e solto um suspiro comprido, passando as mãos pelos cabelos loiros. Algumas mechas escapam do coque frouxo que fiz antes de sair, e nem me dou ao trabalho de ajeitá-las. Finalmente, paz. Sem Mônica tentando me convencer a sair, sem Daniel insistindo em ultrapassar meus limites e, principalmente, sem precisar fingir que não sou uma completa idiota quando o assunto é um certo professor de olhos verdes. Apenas eu, meu quarto e meu precioso notebook. Meu olhar se demora no aparelho sobre a escrivaninha. Estico o braço, abro a tela e espero o sistema iniciar enquanto apoio o queixo na palma da mão. Pretendo apenas conferir algumas coisas antes de dormir. Talvez terminar uma cena da minha fanfic, talvez reler o que escrevi mais cedo. Nada demais. Até que uma notificação aparece no canto da tela. Um novo e-mail. Meu olhar se fixa no nome do remetente. Senhor Ackles. Meu coração dá um salto tão repentino que chego a endireitar a coluna na cadeira. Ah, meu Deus. Será que ele já corrigiu minha redação? Será que encontrou algum erro? Será que está me enviando um comentário sobre o trabalho? Ou será que... Não. Eloísa, pelo amor de Deus, se recomponha. Passo a língua pelos lábios, tentando disfarçar a ansiedade, embora não exista absolutamente ninguém aqui para testemunhar meu comportamento ridículo. Então, movida por uma curiosidade que beira o desespero, clico na notificação. O e-mail se abre na tela. Leio a mensagem uma vez. Depois, leio novamente. E, na terceira leitura, tenho certeza de que meus olhos estão me pregando uma peça. "O que merda é isso?" Fico imóvel. Pisco algumas vezes, encarando as palavras como se elas pudessem se reorganizar sozinhas e formar uma frase completamente diferente. O quê? Que merda é o quê? Meu primeiro pensamento é que o senhor Ackles deve ter cometido algum engano. Talvez tenha enviado a mensagem para a aluna errada. Talvez esteja falando de alguma atividade. Talvez... Meu olhar desce até o arquivo anexado. O coração, que até então batia descontroladamente, parece simplesmente parar. Não. Não, não, não. Aproximo o rosto da tela, como se alguns centímetros a menos fossem mudar o que estou vendo. Abro o arquivo. E é nesse exato instante que minha alma abandona meu corpo. Na tela está minha redação acadêmica. Até aí, tudo certo. Reconheço o título, a formatação e o texto que passei horas revisando antes de enviar. O problema está no segundo arquivo. O segundo maldito arquivo. Aquele que eu jamais deveria ter anexado. Minha fanfic. A fanfic. Aquela em que eu escrevo sobre mim e o senhor Ackles. Sinto o sangue desaparecer do meu rosto. Levo as duas mãos à boca, sufocando um som que se parece perigosamente com um grito. Meu estômago se revira, e uma onda de calor tão intensa sobe pelo meu pescoço que tenho certeza de que estou ficando vermelha até as orelhas. Como? Como isso aconteceu? Volto imediatamente à caixa de e-mails enviados, clicando tão depressa que quase erro o botão. Lá está a mensagem que encaminhei naquela tarde, com o assunto certinho, o destinatário correto e os dois arquivos anexados. Os dois arquivos. Minha redação e minha fanfic. Eu enviei os dois. Para ele. Para o homem sobre quem escrevi cada pensamento indecente que deveria permanecer trancado na minha cabeça e escondido naquele computador. O senhor Ackles leu meu nome no remetente. Abriu meu e-mail. Baixou os arquivos. E agora sabe. Ou, pior, está prestes a saber. — Meu Deus do céu... — sussurro, afastando-me da tela como se o notebook tivesse acabado de me ameaçar de morte. Passo as mãos pelo rosto e começo a andar de um lado para o outro no pequeno quarto. Estou ferrada. Não, ferrada é pouco. Minha carreira acadêmica acabou. Minha dignidade acabou. Minha existência inteira acabou. Posso muito bem abandonar a faculdade, mudar de cidade e começar uma nova vida em algum lugar onde ninguém tenha ouvido falar de uma estudante de Enfermagem que resolveu escrever uma fanfic sobre o próprio professor e, por um erro absolutamente imperdoável, enviou o arquivo para ele. Talvez eu possa trabalhar em uma floricultura. Ou abrir uma cafeteria. Sempre achei que teria jeito para fazer bolos. Paro no meio do quarto. Não. Estou enlouquecendo. Volto à escrivaninha e me sento, encarando novamente o e-mail. Talvez eu ainda consiga resolver isso. Talvez possa mandar uma mensagem explicando que houve um erro no envio. Um erro. Sim. Foi apenas um erro. Um erro que envolve centenas de palavras descrevendo fantasias com o professor mais rigoroso da universidade, mas ainda assim um erro. Apoio os cotovelos na mesa e enterro o rosto nas mãos. Como vou olhar para aquele homem amanhã? Como vou entrar na sala dele, sentar na minha carteira e fingir que não escrevi histórias inteiras sobre nós dois? E, considerando a mensagem que acabou de me enviar, ele provavelmente está tão horrorizado quanto eu. Meu celular vibra sobre a escrivaninha. Dou um pulo. Por um segundo, penso que seja Mônica. Talvez ela esteja perguntando se cheguei bem ao dormitório ou fazendo algum comentário sobre a festa. Mas, quando olho para a tela do notebook, vejo que chegou outra notificação. Um novo e-mail do senhor Ackles. Meu estômago despenca. Devagar, muito devagar, volto a mão para o mouse. Se existe alguma força superior que se diverte às minhas custas, espero sinceramente que esteja satisfeita. Porque eu não tenho a menor ideia de como vou sobreviver ao que vem a seguir. " Na minha sala amanhã às 09h".Meu coração está a mil quando paro diante do escritório do professor Thomas Ackles. O lobo da faculdade. O homem que consegue silenciar uma sala inteira com um único olhar. Aquele de quem os alunos falam em voz baixa pelos corredores, seja por medo de suas avaliações rigorosas, seja pelas histórias sobre seu temperamento implacável. E o mesmo homem sobre quem escrevo histórias nada convencionais nas horas vagas. Ou melhor, o homem que agora sabe disso. Fecho os olhos por um breve instante e inspiro profundamente, tentando reunir os fragmentos da minha dignidade. Desde que recebi aquele e-mail, não consigo pensar em outra coisa. Passei a noite imaginando todas as maneiras possíveis pelas quais essa conversa poderia terminar, e nenhuma delas envolve minha sobrevivência emocional. Talvez ele me expulse da disciplina. Talvez encaminhe o caso à coordenação. Talvez nunca mais consiga olhar para mim sem se lembrar das coisas que escrevi. Meu Deus, por que eu não conferi os anexos? Ap
Daniel Padarkac é o quarterback do time de futebol americano da universidade. Bonito, charmoso e galanteador por natureza, ele é o tipo de rapaz que parece ter nascido sabendo exatamente o efeito que causa nas pessoas. Os cabelos loiros, sempre arrumados de um jeito casualmente perfeito, combinam com os olhos azuis que arrancam suspiros de praticamente todas as garotas do campus. Temos características parecidas, embora eu jamais tenha entendido por que isso parece despertar tanto interesse nele. Daniel está acostumado a receber atenção. Convites, sorrisos tímidos, olhares demorados e garotas que encontram desculpas absurdas para puxar conversa com ele fazem parte de sua rotina. E, pelo visto, ele também está acostumado a conseguir o que quer. O problema é que eu nunca tive muita vocação para seguir a multidão. Não me entendam mal. Sei reconhecer um homem bonito quando vejo um. Daniel é, sem dúvida, atraente. Tem um sorriso encantador, um corpo bem definido pelos treinos e uma confi
Não podemos ser vistos, ninguém pode nos ver. Fico repetindo isso, enquanto senhor Ackles beija intensamente meus lábios. Aproveito para passar minhas mãos por seus braços fortes. Suas mãos na minha cintura, me pressionando contra a parede, enquanto ele me devora como um lobo faminto pela sua presa. Sua boca abandona meus lábios, beija meu pescoço, causando arrepios pela minha pele. — Quero você para mim, Eloísa! — Ele sussurra. Ackles morde levemente o meu lábio, fazendo eu revirar os olhos....— Você já entregou a redação para o senhor Ackles? O prazo é até as quinze horas! — escuto a voz de Mônica atrás de mim.Quase pulo da cadeira.Tiro os olhos da tela do notebook e viro a cabeça na direção dela, que me observa com as mãos na cintura e uma expressão que deixa bem claro que não está disposta a aceitar desculpas.— Meu Deus, Mônica! Quer me matar do coração? — levo uma das mãos ao peito, sentindo o coração acelerar por um motivo que, dessa vez, não tem absolutamente nada a ve
Passo os dedos pelos cabelos, tentando ajeitar o coque desajeitado que fiz às pressas naquela manhã. Algumas mechas loiras escapam do penteado e caem ao redor do meu rosto. Desisto de prendê-las novamente e volto minha atenção para o caderno aberto sobre a carteira. O professor está explicando a matéria de Farmacologia, mais especificamente os mecanismos de ação dos medicamentos, seus efeitos no organismo e os cuidados que devemos ter ao administrá-los. No segundo ano de Enfermagem, já começamos a perceber que cada detalhe importa. Um erro aparentemente pequeno pode trazer consequências sérias para um paciente. Anoto mais algumas informações, tentando acompanhar a explicação, embora meus olhos insistam em desviar para o caderno de Mônica, que está sentada ao meu lado. Ela parece completamente absorta na redação que está escrevendo. A ponta da língua aparece discretamente no canto da boca enquanto ela relê uma frase, apaga uma palavra e a substitui por outra. Seu cenho franzido denu
Eloísa Rodrigues Vinte e três anos Londres ... Suas mãos grandes passeiam pelo meu corpo, acariciando minha pele. Fecho os olhos, permitindo-me sentir sentir seu cheiro, me perder em seu toque. Seus lábios se encontram com os meus em um beijo apaixonante.Nunca fui beijada assim antes. Meu professor é um homem experiente, sabe como fazer uma mulher perder a cabeça. Passo as mãos ao redor dos seus ombros, sentindo seus músculos fortes entre meus dedos. Passo a mão por seus cabelos, sempre quis sentir como seria a textura deles e são macios como eu imaginei....— Eloísa! — Escuto.Fecho na mesma hora meu notebook, sentindo meu corpo inteiro congelar e meu coração acelerar. Mordo os lábios. Olho para a porta do meu dormitório que está aberto e Mônica aparece.— Mônica, pensei que ia passar a noite na casa do seu namorado hoje! — Digo, cruzando as pernas, sentindo que estou lubrificada até demais.Ela se joga na cama, só então percebo que está chorando. Levanto rapidamente, vou até







