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Capítulo 08

Author: Dzel
last update publish date: 2026-09-02 18:24:06

A imagem da mão de Klaus aproximando-se de Lia ainda queimava na minha mente como ferro em brasa. Aquele impulso primitivo, selvagem e visceral de proteger o que me pertencia nunca havia se manifestado com tanta força em toda a minha vida. Nem mesmo para o meu próprio irmão, o homem a quem confiei minha retaguarda por anos, eu permitiria qualquer tipo de familiaridade com ela. Lia era minha. Apenas minha.

Eu estava sentado na minha poltrona de couro no escritório principal da propriedade Santini, girando um copo de uísque puro entre os dedos enquanto encarava os papéis na mesa. A porta se abriu e Giovanni, o soldado encarregado da vigilância de Lia, passou pelo umbral com uma postura tensa e rígida.

— Dom Santini? disse ele, fazendo uma breve reverência.

— Tenho um relatório importante sobre a residência da senhorita Machini.

Pousei o copo sobre a madeira polida com um baque seco.

— Fale.

— Há cerca de uma hora, o pai da garota, Dário, voltou para casa visivelmente embriagado, relatou Giovanni, com a voz firme.

— Ele descobriu que a senhorita Lia estava com o cartão de crédito que o senhor forneceu. Dário tentou arrancar o cartão das mãos dela à força, aos gritos, exigindo o código para gastar em jogatinas e bebidas. A senhorita se recusou a entregar e se trancou no quarto, enquanto ele esmurrava a porta e a ameaçava.

No mesmo instante, o sangue nas minhas veias virou gelo fundido. Um silêncio mortal e absoluto tomou conta do escritório. A força com que apertei minhas próprias mãos fez os nós dos meus dedos ficarem completamente brancos.

Aquele verme miserável ousou tocar no que era meu. Ele ousou tentar extorquir e aterrorizar a minha noiva sob a minha própria vigilância.

Levantei-me devagar da poltrona. A fúria que me dominava não era explosiva; era um vulcão silencioso e devastador, perfeitamente calculado.

— Arme dois carros, ordenei, com a voz caindo para um tom perigosamente suave. — Vamos para lá agora.

Três carros pretos blindados cortaram as ruas da cidade a uma velocidade ensurdecedora, avançando para a periferia. Quando paramos em frente àquela estrutura caindo aos pedaços, nem sequer me dei ao trabalho de bater na porta. Dois dos meus soldados arrombaram a entrada de madeira com um único chute certeiro, fazendo-a voar para o interior da sala.

Dário, que estava jogado no sofá com uma garrafa de cachaça na mão, deu um pulo de pavor, quase se engasgando. Quando seus olhos encontraram os meus, o homem literalmente se mijou de pavor no meio da sala, tremendo de uma forma patética e incontrolável.

— D-Dom Santini! Por favor! O senhor não entende... gaguejou ele, caindo de joelhos no chão e rastejando para trás, com as mãos erguidas em um gesto inútil de defesa.

Ignorei suas súplicas miseráveis. Caminhei com passos firmes e pesados até parar a poucos centímetros dele, apontando o cano frio da minha pistola diretamente para a testa do homem. O som do cão da arma sendo engrenado ressoou como um trovão no cômodo pequeno.

— Eu deixei um aviso claro, Dário, murmurei, com o olhar cinzento cravado na alma dele. — Avisei que se encostasse um único dedo nela, ou se tentasse extorqui-la, eu o esfolaria vivo.

— Foi um erro! Eu juro pelo amor de Deus, Dom Santini, eu não encostei nela! Eu só queria... implorou ele, chorando copiosamente e soluçando feito uma criança.

— Você não vai ter uma segunda chance, falei. Nisto, o som de uma porta se abrindo devagar no fundo do corredor atraiu minha atenção.

Lia apareceu na penumbra, encolhida, abraçando o próprio corpo. Seus olhos verdes gigantescos estavam arregalados de puro terror ao ver a arma apontada para a cabeça do pai. Ela tremia tanto que parecia prestes a desmaiar.

Travei a arma e guardei-a na cintura sob o paletó, sem desviar o olhar do homem no chão.

— A sua sorte, seu verme, é que não vou sujeitar minha noiva a ver o seu sangue imundo sujando o chão antes do nosso casamento, declarei, com o tom rígido.

— Mas o seu tempo nesta casa com ela acabou.

Virei-me de costas para ele e caminhei na direção de Lia. A cada passo que eu dava em sua direção, ela dava um pequeno passo involuntário para trás, assustada com a tempestade de violência que me cercava. Parei a meio metro dela, suavizando a postura o máximo que minha natureza permitia.

— Pegue apenas o que for estritamente pessoal e essencial, Lia, ordenei, a voz caindo para um tom baixo e protetor.

— Você não vai passar mais nem um único segundo sob este teto miserável.

— M-mas... para onde eu vou? murmurou ela, com a voz embargada, os lábios vermelhos e trêmulos.

— Para um lugar seguro. Você ficará na suíte executiva do meu hotel privativo até o dia da nossa cerimônia, respondi, encarando-a fixamente.

— Ninguém tocará em você. Ninguém gritará com você. A partir de hoje, a sua vida antiga está morta.

Lia engoliu em seco, olhando de mim para o pai ajoelhado no chão, e depois de volta para mim. Ela percebeu que não havia escolha ou barganha. Correu até o quarto e retornou dois minutos depois com uma pequena bolsa surrada contendo apenas algumas fotos antigas da mãe.

Aproximei-me e, pela primeira vez, toquei suavemente na curva do seu ombro, sentindo-a estremecer ao meu toque possessivo. Mantenho-a ao meu lado enquanto a guiei para fora daquela casa.

— Giovanni? ordenei por cima do ombro, sem me virar para Dário.

— Deixe dois homens de guarda na porta deste verme. Se ele ousar dar um passo para fora de casa antes da cerimônia, quebre as duas pernas dele.

— Sim, Dom, respondeu o soldado.

Acomodei Lia no banco traseiro do meu carro blindado e sentei-me ao seu lado. Enquanto o veículo arrancava, deixando a ruína da vida antiga dela para trás, observei pelo canto dos olhos a forma como ela encarava as próprias mãos no colo. Ela podia estar aterrorizada comigo e com o meu poder, mas, a partir daquele momento, o mundo inteiro saberia que Lia Machini estava sob a minha custódia incondicional.

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