Meu mafioso obsessivo

Meu mafioso obsessivo

last updateÚltima atualização : 2026-09-07
Por:  DzelAtualizado agora
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Ele não conhece a misericórdia. Ela não conhece a liberdade. Aos trinta e três anos, Matteo Santini é a definição viva do perigo. Frio, calculista e implacável, ele assumiu o trono do império da máfia italiana com mão de ferro, governando ao lado de seu irmão e subchefe, Klaus. No mundo de Matteo, o respeito é conquistado com sangue e a lealdade é a única moeda que importa. Ele nunca desejou nada que não pudesse tomar… até que um erro crasso muda o rumo do seu destino. Lia Machini tem apenas dezenove anos e vive sob o teto sufocante de um pai abusivo e endividado. Ingênua, pura e isolada do mundo exterior, seu único objetivo é sobreviver a mais um dia. O que ela não imagina é que sua vida está prestes a ser barganhada da pior maneira possível. Pressionado por uma dívida impagável e com a sentença de morte decretada pelo Dom, o pai de Lia faz o impensável: oferece a própria filha virgem como pagamento para salvar a própria pele. Ao colocar os olhos na garota pela primeira vez, algo sombrio e incontrolável desperta em Matteo. Ele não quer apenas usá-la para quitar uma dívida; ele quer possuí-la, protegê-la e trancá-la em seu mundo. Lia se torna a obsessão pessoal do mafioso mais perigoso da Itália. Ela achava que estava sendo vendida para um monstro. Mas e se o monstro for o único capaz de salvá-la?

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Capítulo 1

Capítulo 01

CAPÍTULO 1

O sangue não mentia, e a dor era a única professora que nunca falhava neste mundo.

Aos trinta e três anos, aprendi a olhar para o mundo através de uma lente fria, puramente calculista e desprovida de qualquer vestígio de piedade. Para o homem comum, a escuridão é motivo de pavor; para mim, Matteo Santini, o Dom da máfia italiana, a escuridão é o único lar que conheço. Sento-me no topo de um império colossal erguido sobre cadáveres, lealdade forçada e violência extrema. As pessoas tremem apenas ao ouvir o meu nome murmurado pelos becos sombrios da Itália. Elas me chamam de monstro, diabólico, implacável. E não estão erradas. Eu me tornei exatamente aquilo que a sobrevivência exigiu que eu fosse me tornei o próprio diabo em pessoa.

Nem sempre fui essa casca feita de gelo e aço. Houve um tempo, distante e quase esquecido, em que acreditei na honra e na proteção incondicional do sobrenome Santini. Mas essa ilusão foi arrancada de mim de forma brutal no dia do meu aniversário de dezoito anos, a morte dos meus próprios pais.

Ainda consigo fechar os olhos e sentir o cheiro forte de pólvora e sangue que impregnava o salão principal da nossa antiga propriedade. Foi uma emboscada sórdida, arquitetada por vermes que sorriam para o meu pai durante o dia e afiavam as adagas à noite. Traidores dentro do nosso próprio conselho de confiança. Ver o homem que me ensinou a andar ser metralhado sem qualquer chance de defesa, e minha mãe caindo ao lado dele, sufocada no próprio sangue, destruiu qualquer fagulha de humanidade que existia dentro de mim.

Naquela noite trágica, o garoto que sonhava em apenas servir à Famiglia morreu junto com eles. Em seu lugar, renasceu o Dom.

Com apenas dezoito anos, assumi o trono e a coroa de espinhos que me cabiam por direito de sangue. A transição não foi suave; foi uma guerra sangrenta e impiedosa. Os velhos capos e os inimigos externos acharam que um jovem de dezoito anos seria uma marionete fácil de manipular ou descartar. Eles não esperavam que a dor da perda se transformasse na tempestade mais devastadora que a máfia já testemunhou.

Lembro-me perfeitamente da primeira vez em que tirei uma vida humana. Foi o homem que vendeu a rota dos meus pais aos nossos rivais. Não usei uma arma de fogo para facilitar o serviço. Olhei bem no fundo dos olhos dele enquanto afundava uma lâmina de caça na sua garganta, sentindo a vida dele se esvair devagar até que o pavor em suas pupilas se apagasse por completo. Naquela noite, fiz uma promessa solene a mim mesmo: nunca mais hesitaria. Qualquer um que ousasse desafiar a autoridade dos Santini seria exterminado sem a menor réstia de compaixão.

Purguei os traidores um a um, com minhas próprias mãos. Deixei seus corpos expostos como aviso nos becos para que todos soubessem exatamente quem governava agora. Em poucos meses, o medo restaurou a ordem que a traição quase destruiu.

No entanto, o fardo mais pesado que carreguei ao assumir o comando não foi liderar centenas de soldados armados nem expandir os negócios da família. Foi meu irmão, Klaus.

Quando nossos pais foram brutalmente assassinados, Klaus tinha apenas quinze anos. Ele era um garoto, jogado de repente em um mar de sangue e conspirações mortais, tendo apenas a mim como porto seguro. Tive que ser o pai que ele perdeu, o tutor durão e o Dom intransigente. Ensinei Klaus a atirar antes que ele aprendesse a amar. Ensinei-o a desconfiar da própria sombra e a transformar o pânico em munição.

Três anos mais novo do que eu, Klaus cresceu sob minha asa rígida e se tornou o meu Subchefe, meu braço direito e o único homem na Terra em quem confio corretamente a minha vida. Ele aprendeu a ser letal e eficiente, eu mando, e ele executa , sem piedade, um monstro igual a mim, não guardou se quer uma fagulha de bondade nessa nossa rotina sufocante.

Enquanto encaro a chuva forte que b**e contra o vidro blindado do meu escritório, o relógio de pé no canto da sala marca quase meia-noite. Passo os dedos pelo meu queixo, sentindo a barba por fazer, enquanto saboreio um gole amargo de uísque envelhecido. A mente de um Dom nunca descansa. Lidar com o submundo exige vigilância constante, especialmente quando os velhos conselheiros do Conselho da Famiglia começam a sufocar o ambiente com exigências antiquadas.

O som suave da porta se abrindo quebra o silêncio pesado do cômodo. Nem preciso me virar para saber quem é. Os passos descontraídos e confiantes são inconfundíveis.

— Trabalhando até tarde de novo, Matteo? a voz provocante de Klaus ressoa pelo escritório. Ele entra sem pedir licença, vestindo um terno sob medida ligeiramente desalinhado, com os primeiros botões da camisa abertos.

— Você vai acabar mofando nessa cadeira, meu irmão.

— O império não se governa sozinho, Klaus, respondo, sem mudar minha postura firme diante da janela, apenas girando o copo entre os dedos.

Klaus caminha até o bar privativo no canto da sala, serve-se de um copo de bourbon e se senta na borda da minha mesa, com um sorriso debochado nos lábios.

— O carregamento do porto já foi totalmente liberado e os homens da zona norte estão devidamente alinhados. Tudo sob controle, diz ele, dando um gole longo na bebida. Em seguida, inclina a cabeça e me encara com diversão no olhar.

— Agora, chega de negócios por hoje. Vamos sair. Organizei uma uma noitada VIP no nosso clube no centro. Mulheres bonitas, bebida de primeira e zero preocupações por algumas horas. Você precisa descarregar essa tensão antes que a sua cara feia assuste nossos próprios soldados.

Respiro fundo e me viro devagar para encará-lo. O olhar de Klaus é leve, mas o meu permanece sério, gélido e imperturbável. Coloco o copo de uísque sobre a mesa com um baque seco que ecoa por todo o ambiente.

— Agradeço a intenção, Klaus, mas você não deveria estar pensando em noitadas e futilidades esta noite, digo com a voz pausada e dominadora.

O sorriso no rosto do meu irmão diminui instantaneamente, substituído por uma expressão de desconfiança.

— Do que você está falando, Dom?

Aproximo-me da mesa, apoiando as duas mãos sobre a madeira polida e me inclinando ligeiramente na direção dele, prendendo seu olhar no meu.

— O Conselho esteve aqui hoje à tarde. Eles estão impacientes, cobrando sucessão, herdeiros e estabilidade para a Famiglia, declaro, com o tom firme.

— Eles estão cobrando casamento para nós dois. E decidi que vou começar por você. Vou arrumar uma noiva para você muito em breve, Klaus.

O olhar de choque no rosto do meu subchefe é imediato, e o silêncio que se segue é mais pesado do que qualquer sentença de morte que já decretei nesta sala.

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