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Capitulo 07

Author: Dzel
last update publish date: 2026-09-02 18:23:27

A calmaria após a tarde no shopping durou muito pouco. Apenas dois dias se passaram, mas o peso do tempo parecia desacelerar a cada minuto que me aproximava da data do casamento. Eu continuava trancada naquela casa modesta, cuidando das tarefas domésticas como um autômato, tentando manter a mente ocupada para não enlouquecer com o medo do que viria a seguir.

Naquela tarde de quinta-feira, enquanto limpava a pequena mesa da sala, o som característico de dois carros de alto padrão parando na rua me fez paralisar. O ronco grave dos motores e o bater de portas pesadas ecoaram pela rua estreita. Instintivamente, o nó no meu estômago voltou a se apertar.

Segurei o pano de prato com força contra o peito e fui até a janela, espiando pela fresta da cortina gasta.

Dois homens de terno escuro desceram do primeiro veículo, abrindo caminho com postura militar. Mas foi o segundo carro que capturou toda a minha atenção. Dele, saltou Matteo Santini, impecável como sempre em um terno risca-de-giz feito sob medida. Ao lado dele, contudo, havia um segundo homem. Ele parecia um pouco mais jovem, com traços físicos que lembravam vagamente o Dom, mas com uma expressão substancialmente mais relaxada e um sorriso de canto cínico no rosto.

Meu pai, que estava deitado no sofá cheirando a bebida, pulou em um sobressalto ao ver as sombras dos homens se aproximando da entrada. Antes que ele pudesse ensaiar qualquer reação covarde, a porta foi aberta.

Matteo passou pelo umbral com sua presença esmagadora, e o homem mais jovem o seguiu. O silêncio na sala tornou-se instantaneamente gélido e sufocante.

— Dom Santini... Dário gaguejou, encolhendo os ombros e dando passos para trás até se encostar na parede.

— Eu... eu não esperava a visita dos senhores hoje...

Matteo nem sequer se deu ao trabalho de olhar para o meu pai. Seus olhos cinzentos e profundos ignoraram completamente a presença dele, varrendo o ambiente até encontrarem a minha figura pequena e amedrontada perto do corredor.

— Lia? disse Matteo, com a voz grave e calma, dando um passo firme para dentro do cômodo.

Ao lado dele, o homem mais jovem cruzou os braços e analisou o ambiente caindo aos pedaços antes de fixar seu olhar em mim. O sorriso no rosto dele tornou-se mais caloroso, e ele deu dois passos descontraídos na minha direção.

— Então você é a famosa Lia? Minha futura cunhada, disse ele, com um tom de voz incrivelmente leve e amigável, que parecia totalmente fora de lugar para um homem da máfia.

— Eu sou Klaus, o Subchefe e irmão desse sujeito de cara fechada aqui ao lado. Vim pessoalmente conhecer a mulher que conseguiu a proeza de fazer meu irmão falar de casamento.

Senti minhas bochechas queimarem ligeiramente. Abaixei a cabeça, mantendo o olhar fixo no chão por puro receio de quebrar a etiqueta daquele submundo perigoso.

— Prazer... Senhor Santini... murmurei com a voz quase inaudível, apertando o pano de prato nas mãos trêmulas.

— Nada de "Senhor", por favor. Pode me chamar apenas de Klaus, respondeu ele, dando mais um passo na minha direção e estendendo a mão com gentileza evidente. — Tenho que confessar que, vendo você de perto, entendo o motivo do meu irmão ter tomado uma decisão tão drástica. Você realmente muito boni...

Klaus não conseguiu terminar a frase.

Em um movimento brusco, fluido e assustadoramente rápido, Matteo se colocou exatamente entre o irmão e eu. Sua figura alta e imponente cortou o contato visual, bloqueando Klaus por completo. A aura de Matteo mudou drasticamente em uma fração de segundo: a calma controlada deu lugar a uma raiva contida, sombria e profundamente territorial.

Matteo segurou o pulso de Klaus com firmeza antes que a mão do irmão me tocasse, o aperto parecendo forte o suficiente para esmagar os ossos de qualquer homem comum.

— Meça suas palavras e suas atitudes, Klaus, a voz de Matteo baixou para um tom gélido, perigoso e rouco, soando como um rosnado reprimido.

— Você está diante da minha futura esposa. O tom que usa com ela e a distância que mantém são linhas que nem mesmo você pode cruzar.

Um silêncio absoluto e aterrador caiu sobre a sala. Meu pai parecia a ponto de desmaiar perto da parede, horrorizado com a possibilidade de uma briga entre os dois líderes do império. Eu continuei paralisada atrás das costas largas de Matteo, com o coração martelando no peito diante daquela demonstração bruta de possessão.

Klaus piscou, claramente surpreso com a reação desmedida e feroz do irmão mais velho. Por um segundo, a tensão entre os dois foi tão palpável que pareceu que uma guerra explodiria ali mesmo. Contudo, percebendo a seriedade inegociável nos olhos cinzentos de Matteo, Klaus ergueu as mãos em um gesto de rendição e deu dois passos para trás, soltando um suspiro e recuperando o sorriso irônico.

— Entendido, Dom, disse Klaus, embora seu olhar revelasse uma fascinação genuína pela mudança drástica de comportamento do irmão.

— Sem ofensas. Apenas queria garantir que a sua noiva se sentisse acolhida na família.

— Ela é minha responsabilidade. Apenas minha, declarou Matteo, sem afrouxar a postura rígida nem por um segundo.

Matteo então se virou devagar para me encarar. O brilho obsessivo e protetor que queimava em suas pupilas era tão intenso que fez todo o meu corpo estremecer. Ele olhou para minhas mãos trêmulas e depois para o meu rosto, garantindo que eu estivesse intacta.

— Voltaremos a nos ver em breve, Lia, disse ele, o tom de voz suavizando ligeiramente apenas ao dirigir-se a mim.

— Se precisar de algo, avise ao segurança na porta.

Ele não esperou por uma resposta. Virou-se de costas e caminhou para fora da casa, sendo seguido por um Klaus pensativo e silencioso.

Enquanto os carros arrancavam do lado de fora, caí sentada na cadeira da cozinha, tentando recuperar o fôlego. Klaus tentara ser gentil e amigável, mas a reação feroz de Matteo provara algo ainda mais assustador: para o Dom da máfia, eu não era apenas uma noiva de fachada. Eu me tornava uma posse sagrada e intocável, e o nível da obsessão dele por mim era algo que eu mal conseguia dimensionar.

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