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Capítulo 8

Author: Meteor Sea
Quando voltou ao país, Vicente não foi tirar satisfações com Lavínia.

Simplesmente saiu da casa onde viviam e deixou toda a comunicação entre os dois nas mãos de seu advogado.

Lavínia apareceu várias vezes na empresa à procura dele. Chorou, implorou e tentou convencê-lo a ficar por causa do filho que esperavam.

Mas, quando percebeu que Vicente não mudaria de ideia, sua voz perdeu toda a doçura.

— Por que você insiste em colocar toda a culpa em mim? Você se casou comigo porque quis. E foi você me
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  • Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã   Capítulo 8

    Quando voltou ao país, Vicente não foi tirar satisfações com Lavínia.Simplesmente saiu da casa onde viviam e deixou toda a comunicação entre os dois nas mãos de seu advogado.Lavínia apareceu várias vezes na empresa à procura dele. Chorou, implorou e tentou convencê-lo a ficar por causa do filho que esperavam.Mas, quando percebeu que Vicente não mudaria de ideia, sua voz perdeu toda a doçura.— Por que você insiste em colocar toda a culpa em mim? Você se casou comigo porque quis. E foi você mesmo que prometeu me dar aquele casamento.Ela o encarou com frieza.— Vicente, não adianta fingir que você é inocente nessa história. Nenhum de nós é.Lavínia nunca admitiu que foi ela quem atendeu à ligação do hospital. Também continuou insistindo que o esbarrão na porta do quarto da noiva não passou de um acidente.Só que, dessa vez, ninguém mais acreditava nela sem questionar.Depois que o bebê nasceu, os dois se divorciaram.Meus pais já não defendiam Lavínia cegamente como antes. Mas também

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    Ao longo daqueles meses, minha vida também começou a tomar outro rumo.Minha proposta para o projeto foi rejeitada seis vezes. Na véspera da sétima apresentação, passei a noite inteira na sala de reuniões, revisando cada detalhe.Quando a coordenadora finalmente me entregou o documento de aprovação, abriu um sorriso.— Elisa, parabéns! Seu projeto foi aprovado.Segurei o documento entre as mãos e senti os olhos arderem.Antes, Vicente era sempre a primeira pessoa com quem eu queria dividir qualquer conquista.Depois vinham meus pais, Rafael e Bianca.Mas minhas mensagens quase nunca recebiam resposta. Quando recebiam, era um simples "Que bom", dito sem o menor interesse.Enquanto isso, bastava Lavínia publicar uma foto do café da tarde para todos se encherem de preocupação e carinho.Agora, naquela sala de reuniões, meus colegas ouviram minha apresentação até o fim e aplaudiram meu trabalho.Alguém me ofereceu um café. Outros já faziam planos para comemorar comigo naquela noite.Baixei

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    Na manhã seguinte, Vicente voltou ao hotel onde aconteceu o casamento.Pediu as imagens das câmeras de segurança do corredor que dava acesso ao quarto da noiva.Na gravação, eu aparecia saindo com a mala, enquanto Lavínia vinha na direção oposta.Ao se aproximar de mim, ela diminuiu o passo por um instante. Então, jogou o ombro contra o meu.Perdi o equilíbrio e caí de volta para dentro do quarto.Segundos depois, Vicente correu atrás de mim.A câmera não mostrava o que aconteceu lá dentro. Mas registrou com nitidez um detalhe que passou despercebido por todos.Antes de sair, Lavínia abaixou os olhos para a ponta dos próprios sapatos.Algumas gotas do meu sangue manchavam o salto alto branco.Ela viu.Sabia que eu estava sangrando e, mesmo assim, levou a mão ao ventre, fingiu passar mal e fez todos irem embora com ela.Vicente colocou a gravação diante de Lavínia.Por um instante, o pânico atravessou seu rosto. Mas logo vieram as lágrimas.— A saia do vestido era pesada demais! Eu perd

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    Entre as mais de cem chamadas perdidas, o nome de Vicente era o que mais se repetia.O celular voltou a vibrar quase imediatamente.Era ele. De novo.Fiquei alguns segundos olhando para a tela antes de recusar a chamada e bloquear todos eles, um por um.A coordenadora do projeto me esperava no aeroporto. Assim que me viu, franziu a testa.— Nossa, você tá muito pálida. Quer passar no hospital antes de irmos?Balancei a cabeça.— Fiz uma pequena cirurgia há pouco tempo. Só preciso descansar uns dias.Ela não insistiu. Apenas pegou minha mala e abriu a porta do carro para mim.Pela janela, as ruas desconhecidas desfilavam diante dos meus olhos.Naquela cidade, ninguém conhecia Lavínia Monteiro.Ninguém sabia da farsa que foi o meu casamento.A equipe do projeto me concedeu uma semana de licença, mas, no terceiro dia, eu já estava de volta ao escritório.Não porque a dor passou.Era que, toda vez que fechava os olhos, aquela publicação de Lavínia voltava à minha cabeça.Meus pais, reunido

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    Vicente entrou às pressas, ofegante, com a urgência de quem temia nunca mais me encontrar.Pálida, soltei uma risada amarga. Mas, antes que eu conseguisse dizer qualquer coisa, ele colocou uma bala de leite na minha boca.O gesto veio com a mesma naturalidade de sempre, como tantas outras vezes ao longo daqueles sete anos.— Olha só o seu estado. Daqui a pouco sua glicose despenca de novo.O sabor cremoso do leite se espalhou pela minha boca. A doçura, porém, nunca me pareceu tão amarga.Diante do meu silêncio, Vicente tirou o paletó e o colocou sobre meus ombros.— Vou pedir pro motorista te levar ao hotel. Já reservei um quarto pra você. Fica lá uns dias, descansa um pouco. Quando o casamento acabar, eu vou te procurar. A gente conversa e eu te explico tudo direito.Senti os olhos arderem.Ele não disse que me amava. Nem que sentiria minha falta.Mas aqueles pequenos cuidados, tão instintivos, me fizeram lembrar do Vicente que enfrentava a chuva para me levar remédios e só ia embora

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    As portas do salão de festas se abriram mais uma vez.Minha mãe entrou apressada e foi direto até Lavínia, enxugando suas lágrimas com todo o carinho. Mas, quando se virou para mim, sua voz veio carregada de reprovação.— A Lavínia passou sete anos sofrendo calada por sua causa. Agora só quer o casamento que sempre foi dela. Você precisava mesmo voltar aqui pra fazer esse escândalo?Minha voz saiu trêmula.— Mãe. Então você nunca teve problema no coração? Era tudo fingimento?Olhei para ela, sentindo uma suspeita terrível ganhar forma.— Três anos atrás, no dia em que eu e o Vicente íamos oficializar nosso casamento, você também passou mal de repente. Disse que sentia uma dor no peito e me pediu pra te acompanhar ao hospital.A pergunta quase não saiu.— Naquela vez... Você também queria me tirar do caminho?Lavínia soltou uma risadinha.— Até que enfim você se lembrou, Elisa.De trás do buquê, ela tirou duas vias da certidão de casamento.Na fotografia que acompanhava o registro, Laví

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