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Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã

Minha Aliança no Dedo da Minha Irmã

By:  Meteor SeaCompleted
Language: Portuguese
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Meu casamento estava prestes a começar quando minha mãe levou a mão ao peito e desabou. Larguei tudo e a levei para o hospital. Mal chegamos ao pronto-socorro, apareceu uma mensagem no grupo da família: [Consegui enganar a Elisa. Já estamos no hospital. Podem começar o casamento.] Meu pai respondeu na mesma hora: [Fica tranquila. Já estou no tapete vermelho, de braço dado com a Lavínia.] Meu irmão também escreveu: [A Lavínia esperou dez anos. Hoje ela finalmente vai casar com o Vicente diante de todo mundo.] As três mensagens foram apagadas quase imediatamente. Mas Bianca, minha melhor amiga, mandou por engano um vídeo da cerimônia para o grupo. Lavínia, minha irmã mais nova, usava o vestido de noiva que eu mesma escolhi. No fim do tapete vermelho, Vicente colocou no dedo dela a aliança que deveria estar no meu. Os parentes e amigos que ainda ontem sorriam para mim e me desejavam felicidades agora gritavam em coro: — Beija! Beija! Ainda na cama do hospital, minha mãe arrancou o celular da minha mão. Já não havia dor no rosto dela, só o pânico de quem foi descoberta. — Elisa, a Lavínia esperou pelo Vicente todos esses anos. Ela só queria um casamento que fosse dela. Você já teve sete anos com ele... Cede só dessa vez, tá? Olhei para os eletrodos ainda colados no peito dela e sorri. Naquela farsa, todos faziam o papel de gente boa. O de palhaça ficou comigo, a única que não sabia de nada, enquanto eles se divertiam às minhas custas.

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Chapter 1

Capítulo 1

Quando voltei às pressas ao hotel, Vicente segurava a mão de Lavínia e recitava seus votos de casamento.

— Desde o dia em que te conheci, você se tornou o único lugar para onde quero voltar. Pelo resto da minha vida.

O ar me faltou por um instante.

Aquelas palavras eram minhas.

Passei três noites inteiras lapidando cada palavra, tentando condensar sete anos de amor em uma única frase.

Na noite anterior, Vicente ainda me abraçou e prometeu guardar aquelas palavras só para mim, para o dia do nosso casamento.

Mas agora ele as dedicava a Lavínia, sem mudar uma única palavra.

Assim que os convidados me viram, os aplausos cessaram de repente.

Vicente soltou imediatamente a mão de Lavínia, veio na minha direção.

— Elisa, volta pro hospital. Quando a cerimônia acabar, eu te explico tudo.

Perdi o controle e avancei para cima dele, exigindo uma resposta.

— Eu quero uma explicação agora! Por que ela tá usando meu vestido de noiva, com a minha aliança no dedo, ao lado do meu noivo?

Vicente se colocou diante de Lavínia, com um lampejo de impaciência no olhar.

— Porque esse casamento foi preparado para a Lavínia desde o começo.

Aquelas poucas palavras me deixaram paralisada.

Passei um ano inteiro cuidando de cada detalhe daquela cerimônia.

E agora Vicente me dizia que o casamento nunca foi meu.

Ele olhou para o véu bordado com diamantes que cobria a cabeça de Lavínia e continuou, com uma tranquilidade desconcertante:

— A Lavínia escolheu esse véu faz tempo. Como ela estava no exterior e não podia voltar para experimentar, pedi que você conferisse as medidas no lugar dela.

Eu o encarei sem piscar.

— E o vestido?

— Também é dela. O desenho original foi feito com as medidas da Lavínia.

Um frio me percorreu o corpo.

Então era por isso que Vicente não permitia nenhum ajuste na cintura do vestido e insistia que eu emagrecesse para caber nele.

Durante seis meses, mal consegui fazer uma refeição decente à noite, tudo para conseguir usar aquele vestido.

Só naquele instante compreendi a verdade.

A noiva nunca fui eu.

Lavínia continuava de braço dado com Vicente. Quando nossos olhos se encontraram, ela me lançou um olhar carregado de piedade.

— Elisa, não culpa o Vicente. Fui eu que pedi pra ele te conquistar.

Sua voz era suave, quase consoladora.

— Na época, eu precisava ir pro exterior fazer um tratamento. Nem sabia se ia voltar. E você estava tão mal depois que seu ex te abandonou... Passava noites inteiras sem conseguir dormir.

Seus olhos se encheram de uma compaixão tão bem dosada que parecia ensaiada.

— Eu não suportava te ver sofrendo daquele jeito. Por isso, pedi ao Vicente que cuidasse de você por um tempo.

— Lembra dos cafés da manhã que ele levava todo dia até a portaria do seu dormitório? Era eu que escolhia tudo. O restaurante do primeiro encontro de vocês também foi escolha minha.

E, com a mesma doçura, completou:

— Até aquela declaração de amor... Fui eu que ensinei ao Vicente o que dizer. Palavra por palavra.

Senti a garganta se fechar.

Vicente passou noventa e nove dias tentando me conquistar.

Eu registrei cada pequeno gesto daqueles dias no meu diário. Não queria esquecer um único detalhe.

Agora, tudo aquilo ganhava outro significado.

As pequenas atenções que tantas vezes fizeram meu coração disparar, os gestos que guardei como provas de amor... Nada daquilo era realmente meu.

Bianca se aproximou, segurando a barra do vestido de madrinha.

— Elisa, eu sei que a gente errou em esconder a verdade. Mas pensa na Lavínia. Ela sofreu muito mais que você.

Seu tom era de censura, como se fosse eu quem precisasse se envergonhar.

— Imagina passar sete anos vendo o homem que você ama com outra mulher, sem nunca tentar separar os dois. Foi isso que ela fez por você. A Lavínia já foi boa até demais. Não precisa pressionar ela desse jeito.

Encarei a mulher que eu chamava de melhor amiga havia mais de dez anos.

— Então você também sabia? Esse tempo todo?

Bianca assentiu, sem demonstrar o menor constrangimento.

— A gente só queria te poupar. Você sempre foi muito impulsiva, Elisa. Se descobrisse que o Vicente ama a Lavínia de verdade, quem sabe do que seria capaz?

Olhei ao redor.

Todos estavam do lado de Lavínia.

E todos me observavam com a mesma desconfiança, como se esperassem que eu perdesse o controle a qualquer instante.

Passei sete anos vivendo uma mentira. Fui enganada pelo homem que amava, pela minha família e até pela minha melhor amiga.

Mas, aos olhos deles, a vítima não era eu.

Eu era a louca da história. A irmã desequilibrada que, a qualquer momento, podia destruir a felicidade de Lavínia.

Foi então que meu celular vibrou dentro da bolsa.

Era uma mensagem da coordenadora do projeto internacional. Três meses antes, ela me convidou para trabalhar no exterior.

[Srta. Monteiro, o prazo para confirmar sua vaga no exterior termina hoje à noite.]

[O último assento no voo continua reservado para você.]

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