LOGINLua permaneceu diante do espelho por vários minutos, tentando reconhecer naquela mulher vestida de noiva a mesma que, não muito tempo antes, atravessava os corredores da Atikos com um uniforme de faxineira largo demais para seu corpo, os cabelos escondidos e os olhos permanentemente baixos atrás dos óculos gastos remendados com fita adesiva.A lembrança provocou um aperto em seu peito, mas não havia tristeza suficiente para vencer a emoção que a dominava naquela manhã.O vestido foi confeccionado exclusivamente para ela por uma das mais prestigiadas casas de alta-costura europeias, depois de Eros ter mobilizado uma equipe inteira para garantir que cada detalhe correspondesse ao que Lua desejava.A estrutura de cetim de seda marfim abraçava delicadamente sua cintura e acompanhava as curvas generosas de seu corpo, enquanto o decote em formato de coração valorizava o colo sem comprometer a elegância.Pequenas aplicações de renda francesa, bordadas manualmente com cristais transparentes e
O pedido íntimo, porém, foi a última coisa discreta envolvendo aquele casamento.Lua descobriu isso três dias depois, quando entrou na sala de jantar e encontrou sobre a mesa amostras de flores, catálogos de decoração, plantas de espaços, propostas de menus, tecidos, fotografias de locais e uma equipe de organização de eventos que aparentemente acreditava estar preparando o casamento de uma família real.— Eros....o que.... quantas pessoas você convidou?Ele ergueu os olhos do tablet com aquele sorriso quente que a arrepiava imediatamente.— Ainda estamos reduzindo a lista, amor.— Quantas?Lucas, sentado na outra extremidade da mesa, tossiu para esconder uma risada.Lua apontou para ele.— Você sabe. Vamos, diga logo o que ele está tramando enquanto eu estou lá em cima cuidando do filho dele.— Eu me recuso a participar dessa conversa. Coisa de casal não é comigo.— Lucas... eu juro que se você não dizer...— Quatrocentas e oitenta e sete.Lua virou lentamente para Eros, os olhos sal
Quando abriu a delicada e luxuosa embalagem, Lua levou a mão à boca completamente embasbacada.O anel não era delicado. Também não poderia ser, se tratando de quem ele era.A pedra central capturou a iluminação dos jardins em reflexos intensos, cercada por pequenos diamantes que acompanhavam a estrutura elegante da joia sem roubar sua imponência.Era luxuoso, extraordinário e tão absurdamente Eros que Lua sentiu uma risada trêmula escapar entre as lágrimas.— Meu Deus...isso é....— Eu encomendei esse anel meses atrás.Ela ergueu os olhos imediatamente fazendo conexões.— Meses?— Sim, então não pense nessa sua cabecinha que tem a ver com nosso filho.Lua ficou imóvel, surpresa e emocionada por ele conseguir ler tão facilmente seus medos e incertezas e seu interior ainda em construção.Eros respirou profundamente antes de continuar.— Foi muito antes de toda essa loucura, antes de você me dizer que me amava e antes mesmo de eu conseguir admitir para mim o que já estava acontecendo. Eu
Lua percebeu que havia alguma coisa errada com Eros quando ele começou a olhar para o relógio pela terceira vez em menos de dez minutos.Não era exatamente nervosismo, porque ela já aprendeu como ele parecia ter nascido sem alguns dos gestos comuns aos outros homens. Ele não tamborilava os dedos e tampouco permitia que qualquer inquietação modificasse a postura impecável que parecia fazer parte de sua própria anatomia.Entretanto, Lua conhecia as pequenas nuances naquela armadura melhor do que imaginou ser possível para um casal, e sabia que havia alguma coisa acontecendo quando ele verificava repetidamente as horas, passava o polegar pela lateral do indicador e permanecia tempo demais olhando para ela sem dizer absolutamente nada.Máximos dormia havia pouco mais de quarenta minutos.Depois da mamada, Eros insistiu em colocá-lo no berço pessoalmente, apesar de ter permanecido inclinado sobre o filho por tanto tempo que Lua precisou conter uma risada ao perceber que o homem provavelmen
LuaA mansão Bitencourt nunca pareceu tão silenciosa.Ela estava sentada na grande poltrona próxima às janelas da sala íntima, com Máximos aconchegado contra o peito, dormindo profundamente depois de mamar pela décima vez. O pequeno rosto estava parcialmente escondido pela manta clara, e uma das mãos permanecia fechada junto ao próprio queixo, como se ainda carregasse no sono alguma lembrança do lugar seguro onde acabou de chegar.Havia poucos dias, ela ainda acreditava que a vida inteira terminaria escondida em algum lugar.Agora estava de volta à mansão Bitencourt. Não como fugitiva, mas como a mãe do filho legítimo de Eros, e também como uma mulher livre.Quando Eros entrou na sala, Lua percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente nele naquela noite.Ele fechou a porta atrás de si com cuidado, aproximou-se sem pressa e sentou-se no sofá diante dela. Não trazia nenhum dos relatórios que costumava carregar quando o assunto envolvia advogados, polícia ou Atikos. Não havia t
Lua sentiu os olhos arderem, ele olhou para ela uma vez mais. A dureza triunfal se suavizou.— Essa é a nossa família, Sra. Bitencourt.A médica e o neonatologista se afastaram com discrição depois de explicar os próximos cuidados, prometendo voltar em pouco tempo. Iara havia sido obrigada a descansar em outro quarto, depois de ameaçar morder alguém se a separassem completamente de Lua antes de saber que Máximos estava bem.O silêncio que ficou era diferente do silêncio da cabana. Era uma pausa plena, preenchida pelo som baixo dos aparelhos, pela respiração suave do bebê e pela presença de Eros ao lado da cama.Lua virou o rosto para o berço, Máximos dormia com a boca entreaberta, completamente alheio ao abalo que causou em todos ao seu redor.— Ele parece tão tranquilo agora — ela murmurou. — Como se não tivesse acabado de assustar meio mundo.— Meio mundo não — Eros respondeu, sério. — A mim.Lua sorriu, cansada.— Você ficou com medo? Isso é novidade.— Vocês dois tramaram esse gol







