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Insegurança e Desejo

Author: Giulia Campos
last update publish date: 2026-05-31 23:12:14

Eros

A boca pequena e rosada estava entreaberta, em sinal de entrega e submissão. Ele traçou o contorno dos lábios macios de Lua, consciente de que seu desejo por ela crescia poderosamente.

- Tem certeza disso? – perguntou, frustrado. Porque não importava a resposta dela, achava pouco provável que a deixasse ir. – Não sou seu ex psicopata, mas também não sou o seu amiguinho por quem esteve apaixonada.

Lua abriu os olhos, sustentando seu olhar com um misto de dor, mágoa e desejo.

Eros retirou se
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    O silêncio entre eles mudou.Eros sabia que a pergunta viria em algum momento.Não porque Lucas duvidasse de Lua ou porque desejasse vê-la presa. Era mais profundo. A Atikos atravessava gerações da família. Raul morreu sabendo que o irmão carregaria aquele legado e um dia, Lucas o herdaria. Eros dedicou anos demais a transformar a companhia em alguma coisa que sobreviveria a crises financeiras imprevisíveis.Mas agora colocava tudo em tensão para proteger uma mulher que entrou em sua vida de maneira quase absurda.— Eu passei metade da vida dizendo para você que liderança significa escolher o que é melhor para a instituição mesmo quando custa alguma coisa pessoal.— Eu me lembro bem dessa lição.— Então talvez esteja na hora de entender a parte que eu não disse, Lucas.— Qual, tio?Eros se aproximou alguns passos.— Uma empresa existe para servir pessoas. Não o contrário. Se para conservar minha cadeira eu precisar entregar uma mulher que sei ser inocente a uma acusação montada, fingi

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    A voz sonolenta quase o fez mudar de ideia.— Durma, moranguinho.Ela não abriu os olhos.— Você está acordado...— Só vou verificar uma coisa lá fora, fica tranquila.Tecnicamente, não era mentira, mas ele detestou dizer isso para ela. Beijou-lhe a testa e saiu silenciosamente.O posto de gasolina estava abandonado havia tanto tempo que a cobertura de metal possuía manchas extensas de ferrugem e a antiga loja de conveniência parecia ter sido engolida pela vegetação nas laterais. Ainda faltava mais de uma hora para o amanhecer quando Eros estacionou longe da estrada principal e desligou os faróis.Lucas esperava encostado num sedã cinza absolutamente esquecível, uma boa escolha.Assim que Eros saiu do carro, percebeu que o sobrinho não dormia há dias e tinha perdido peso. Havia olheiras sob seus olhos e uma rigidez nos ombros que não combinava com cansaço comum.— Você está com uma aparência péssima — Eros comentou.Lucas soltou uma risada sem humor.— Obrigado. Dirigi duas horas no m

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    ErosO telefone vibrou sobre a mesa de cabeceira às três e quarenta e sete da madrugada, e Eros abriu os olhos antes que o segundo movimento do aparelho terminasse.Durante anos, aprendeu a dormir como homens acostumados a viver cercados por problemas que não respeitavam horários, profundamente o suficiente para recuperar o corpo, mas nunca a ponto de perder completamente a consciência do ambiente.Na cabana, contudo, aquele hábito adquiriu outra função. Desde que trouxe Lua, qualquer ruído diferente, era processado por seu cérebro antes mesmo que despertasse por completo.Virou o rosto antes de alcançar o celular.Ela dormia profundamente ao seu lado, enrolada em parte do cobertor, com os cabelos platinados espalhados pelo travesseiro e uma das mãos repousando sobre o baixo ventre de maneira tão natural que talvez nem soubesse que vinha repetindo aquele gesto nos últimos dias.Eros já havia flagrado sua mulher assim várias vezes. Em alguns momentos, depois das náuseas, outras quando

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    Os dias seguintes pareceram formar uma realidade estranha, suspensa entre perigo e intimidade em um mundo paralelo.A cabana, que no primeiro momento pareceu dura demais para qualquer sentimento delicado, começou a ganhar pequenos sinais da presença de Lua quase sem que ela percebesse. Uma caneca deixada perto da pia. O cardigan sobre o braço do sofá. Seus produtos de cabelo e rosto ao lado das coisas de Eros no banheiro. Um livro que tentou ler e abandonou depois de quatro páginas porque não conseguia se concentrar em nada sobre o assunto.Eros fazia ligações durante horas, videoconferências, quase sempre do outro cômodo ou da varanda, tentando não transformar aquele lugar em extensão da presidência da Atikos. Falava com Jhones, Lucas, advogados e pessoas que Lua não conhecia. Quando entrava novamente, trazia no rosto aquela frieza profissional que demorava alguns minutos para sumir.Com ela, no entanto, aquilo desaparecia completamente. Era uma mudança que Lua começou a observar com

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    Queria continuar discutindo, mas o cansaço pareceu vencer o corpo antes que a raiva pudesse ajudá-la. Encostou a cabeça no banco e fechou os olhos apenas por alguns segundos, ou pelo menos acreditou que fossem poucos. Quando despertou, a luz tinha mudado e Eros já deixava a estrada principal, seguindo por um caminho cercado de vegetação densa.Lua piscou várias vezes, completamente perdida.— Quanto tempo eu dormi?— Quase duas horas, bela adormecida.— Duas horas?! Meu Deus...Eros olhou rapidamente para ela.— Você estava exausta, precisava descansar. Teve uma longa noite de vômitos intercalados.Ela passou a mão pelo rosto, sentindo a pele quente de vergonha.— Nem me lembre disso... – murmurou nauseada. – Nossa...eu sempre fui tão forte e agora estou cansando muito fácil...— Eu percebi mesmoLua soltou um suspiro, resignada.— Acho que pode ser o estresse, sei lá...Eros somente assentiu, e continuou dirigindo. Ela se concentrou na escuridão completa do lado de fora da janela, e

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