LOGINQuando abriu a delicada e luxuosa embalagem, Lua levou a mão à boca completamente embasbacada.O anel não era delicado. Também não poderia ser, se tratando de quem ele era.A pedra central capturou a iluminação dos jardins em reflexos intensos, cercada por pequenos diamantes que acompanhavam a estrutura elegante da joia sem roubar sua imponência.Era luxuoso, extraordinário e tão absurdamente Eros que Lua sentiu uma risada trêmula escapar entre as lágrimas.— Meu Deus...isso é....— Eu encomendei esse anel meses atrás.Ela ergueu os olhos imediatamente fazendo conexões.— Meses?— Sim, então não pense nessa sua cabecinha que tem a ver com nosso filho.Lua ficou imóvel, surpresa e emocionada por ele conseguir ler tão facilmente seus medos e incertezas e seu interior ainda em construção.Eros respirou profundamente antes de continuar.— Foi muito antes de toda essa loucura, antes de você me dizer que me amava e antes mesmo de eu conseguir admitir para mim o que já estava acontecendo. Eu
Lua percebeu que havia alguma coisa errada com Eros quando ele começou a olhar para o relógio pela terceira vez em menos de dez minutos.Não era exatamente nervosismo, porque ela já aprendeu como ele parecia ter nascido sem alguns dos gestos comuns aos outros homens. Ele não tamborilava os dedos e tampouco permitia que qualquer inquietação modificasse a postura impecável que parecia fazer parte de sua própria anatomia.Entretanto, Lua conhecia as pequenas nuances naquela armadura melhor do que imaginou ser possível para um casal, e sabia que havia alguma coisa acontecendo quando ele verificava repetidamente as horas, passava o polegar pela lateral do indicador e permanecia tempo demais olhando para ela sem dizer absolutamente nada.Máximos dormia havia pouco mais de quarenta minutos.Depois da mamada, Eros insistiu em colocá-lo no berço pessoalmente, apesar de ter permanecido inclinado sobre o filho por tanto tempo que Lua precisou conter uma risada ao perceber que o homem provavelmen
LuaA mansão Bitencourt nunca pareceu tão silenciosa.Ela estava sentada na grande poltrona próxima às janelas da sala íntima, com Máximos aconchegado contra o peito, dormindo profundamente depois de mamar pela décima vez. O pequeno rosto estava parcialmente escondido pela manta clara, e uma das mãos permanecia fechada junto ao próprio queixo, como se ainda carregasse no sono alguma lembrança do lugar seguro onde acabou de chegar.Havia poucos dias, ela ainda acreditava que a vida inteira terminaria escondida em algum lugar.Agora estava de volta à mansão Bitencourt. Não como fugitiva, mas como a mãe do filho legítimo de Eros, e também como uma mulher livre.Quando Eros entrou na sala, Lua percebeu imediatamente que havia alguma coisa diferente nele naquela noite.Ele fechou a porta atrás de si com cuidado, aproximou-se sem pressa e sentou-se no sofá diante dela. Não trazia nenhum dos relatórios que costumava carregar quando o assunto envolvia advogados, polícia ou Atikos. Não havia t
Lua sentiu os olhos arderem, ele olhou para ela uma vez mais. A dureza triunfal se suavizou.— Essa é a nossa família, Sra. Bitencourt.A médica e o neonatologista se afastaram com discrição depois de explicar os próximos cuidados, prometendo voltar em pouco tempo. Iara havia sido obrigada a descansar em outro quarto, depois de ameaçar morder alguém se a separassem completamente de Lua antes de saber que Máximos estava bem.O silêncio que ficou era diferente do silêncio da cabana. Era uma pausa plena, preenchida pelo som baixo dos aparelhos, pela respiração suave do bebê e pela presença de Eros ao lado da cama.Lua virou o rosto para o berço, Máximos dormia com a boca entreaberta, completamente alheio ao abalo que causou em todos ao seu redor.— Ele parece tão tranquilo agora — ela murmurou. — Como se não tivesse acabado de assustar meio mundo.— Meio mundo não — Eros respondeu, sério. — A mim.Lua sorriu, cansada.— Você ficou com medo? Isso é novidade.— Vocês dois tramaram esse gol
O bebê fez um som pequeno, irritado, a boca de Eros tremeu, Lua levou uma das mãos ao rosto, tentando conter um soluço.— Ele sabe, meu amor.Eros ergueu os olhos para ela, havia tantos sentimentos naquele olhar que Lua sentiu o peito se abrir calorosamente.— Ele passou todo esse tempo aqui — ele disse, olhando de novo para o bebê, depois para o ventre dela, agora vazio e dolorido. — Dentro de você. Enquanto tudo acontecia, ele estava aqui. Poderia ter dado tantas coisas erradas....A culpa apareceu nos olhos dele antes mesmo que dissesse qualquer coisa, como se Eros estivesse prestes a se responsabilizar até pelo impossível. Lua conhecia aquela expressão. Ele se acusaria por não ter percebido, por não ter protegido melhor, por não ter trazido médicos antes, por ter ficado longe, por ter permitido que ela enfrentasse sozinha um segredo que nem ela sabia carregar.Então Lua estendeu a mão, fraca, mas determinada, e tocou o braço dele.— Mas não deu, e ele chegou de surpresa, nosso men
LuaO primeiro choro de Máximos ainda tremia dentro da cabana quando Lua compreendeu, com um espanto lento, profundo e surreal, que a dor não havia sido o fim de alguma coisa, mas o início de uma vida inteira que acabou de se abrir diante dela.Por alguns minutos, talvez segundos, talvez uma eternidade, ela não conseguiu pensar em nada com clareza. O mundo parecia ter encolhido até caber no calor úmido daquele corpinho colocado sobre seu peito, coberto por uma toalha macia, pequeno demais para o tamanho do milagre que representava.Máximos chorava contra sua pele, indignado, vivo, forte, mexendo os bracinhos com uma energia quase ofensiva para um bebê prematuro, e Lua, exausta, dolorida, trêmula e encharcada de lágrimas, só conseguia tocá-lo com a ponta dos dedos, como se tivesse medo de que tanta felicidade fosse delicada demais para suportar uma carícia inteira.Parecia um de seus lindos sonhos em que Eros e ela tinham uma família....Ela pensou que se fosse não queria nunca mais ac







