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Capítulo 3

Penulis: alone
Ponto de vista de Giovannina.

Passei um longo tempo no cemitério antes de voltar. Assim que entrei na Mansão Capello, fui recebida pelo cheiro forte e penetrante de antisséptico.

Carlo enfaixava o braço de Margherita. Seus movimentos eram extremamente delicados, e sua voz era tão baixa como um sussurro, como se temesse machucá-la.

Encolhida nos braços dele, Margherita disse:

— Não está doendo nada. É apenas um ferimento leve.

Carlo franziu o cenho e a repreendeu:

— Quem deixou você ir sozinha ao campo de treinamento? E se esse ferimento infeccionar?

Era impossível esconder a preocupação em seus olhos. Mesmo durante os dez anos em que fui casada com ele na vida anterior, nunca vi aquela expressão em seu rosto.

Margherita ergueu a cabeça e, assim que me viu, um brilho de triunfo atravessou seus olhos. Logo depois, baixou o olhar e assumiu às pressas uma expressão inocente e inofensiva.

— Você voltou, Giovannina.

Ela puxou delicadamente a manga de Carlo e sussurrou:

— Tenho certeza de que você não fez isso de propósito, Giovannina. Não a culpe, Carlo.

A mão dele parou no ar. Quando levantou os olhos para mim, seu olhar estava frio como gelo.

— Giovannina, se realmente se importasse com Margherita, não teria permitido que ela fosse sacrificada no seu lugar.

Permaneci imóvel, sem dizer uma única palavra. Eu sabia muito bem que Margherita causou aquele ferimento em si mesma.

Na vida passada, ela fez exatamente a mesma coisa. Para evitar que nossa família a entregasse, se feriu de propósito no campo de treinamento, tentando provar a todos que não sobreviveria àquela provação. O machucado não era grave, mas foi o suficiente para manter Carlo ao seu lado durante toda a noite.

No entanto, as pessoas enviadas a julgamento já eram tratadas como traidoras.

Quem seria capaz de sobreviver àquilo?

Foi justamente esse incidente que convenceu Carlo de que eu obriguei minha própria irmã postiça a morrer em meu lugar apenas para preservar meu direito à sucessão.

Eu não esperava que Margherita recorresse exatamente ao mesmo truque nesta vida.

Os olhos dela se encheram lentamente de lágrimas, e então Margherita mordeu o lábio.

— Não culpe Giovannina, Carlo. Se ao menos eu fosse tão capaz quanto ela, você não estaria preso neste dilema. Se meu corpo fosse saudável como o dela, eu poderia enfrentar o julgamento e ainda voltar com vida.

Assim que terminou de falar, ela abaixou a cabeça. Seus ombros tremiam de leve, como se ela fosse vítima de uma terrível injustiça.

Carlo imediatamente se colocou na frente dela para protegê-la e me lançou um olhar hostil.

— Giovannina, é você quem deveria enfrentar o julgamento! Não permitirei que ninguém volte a obrigar Margherita! — Disparou ele.

Baixei os olhos e sorri devagar.

No fim das contas, nada havia mudado nesta vida. Eu renunciei voluntariamente à posição de herdeira da Família Carrettiere e decidi enfrentar o julgamento, mas, mesmo assim, Carlo ainda escolheu acreditar em Margherita.

Ela sabia desde o início que eu seria julgada, mas obviamente não contou isso a ele. Margherita queria que Carlo continuasse enganado a meu respeito por toda a eternidade.

Entretanto, nada daquilo importava mais. Arrastei meu corpo exausto escada acima, subindo um degrau de cada vez.

Ao passar por Carlo, ele finalmente notou os ferimentos espalhados pelo meu corpo. Sua testa se franziu quando perguntou:

— Como você se machucou?

Choveu naquele dia, e a água da chuva penetrou nos cortes, o que os fez arder levemente. Ao vê-los ainda abraçados um ao outro, me recusei a desperdiçar mais um segundo com os dois.

Por isso, ignorei Carlo e continuei subindo com passos pesados.
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