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06

Author: Autora NB
last update publish date: 2026-10-18 12:08:04

Margareth “Meg”

Acordei naquela manhã no sofá da casa de Sarah. Não queria nem ver a minha cara horrível; tinha certeza de que estava com os olhos inchados e vermelhos, parecendo um baiacu.

Minha cabeça doía, meu corpo parecia pesar uma tonelada e, para completar, eu tinha a sensação de que minha vida inteira havia sido jogada em um liquidificador e alguém apertara o botão na velocidade máxima.

Meu pai era um fugitivo. Minha mãe estava tentando recomeçar a vida. Minha família, que até poucos di
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  • Morro Acima   09

    Felipe “Cobra”Eu estava cuidando da patricinha, mas meus pensamentos estavam no maldito que havia colocado alguma coisa na bebida dela.Quando Samurai o encontrasse, ele iria sofrer. E sofrer muito.Só de imaginar aquele desgraçado se aproveitando de uma mulher indefesa, meu sangue fervia. Eu conhecia os perigos daquele mundo, sabia muito bem o que algumas pessoas eram capazes de fazer quando achavam que ninguém estava olhando. Mas mexer com uma mulher daquela maneira, dentro da minha comunidade, era ultrapassar todos os limites.Principalmente quando essa mulher era Margareth Romano.Aquela garota já tinha problemas suficientes para resolver. O pai havia destruído a própria família, a mãe estava tentando reconstruir a vida e ela mal conseguia esconder o quanto tudo aquilo a machucava. Meg estava perdida, mesmo quando fingia que sabia exatamente o que estava fazendo.E eu, que deveria manter distância, estava cada vez mais envolvido.Merda!Passei a mão pelo rosto, tentando afastar a

  • Morro Acima   08

    Margareth "Meg"Eu estava tranquila, bebendo minha água com gás e tentando ignorar a existência de um certo homem arrogante que, aparentemente, havia decidido fiscalizar cada movimento meu naquela noite.Felipe era um idiota.Um idiota bonito, irritantemente atraente e com uma capacidade absurda de me tirar do sério, mas ainda assim um idiota.Depois da nossa discussão, eu havia decidido que não daria mais atenção a ele. Se queria agir como meu dono, problema dele. Eu não era uma propriedade, muito menos uma criança que precisava de autorização para sair de casa.Estava conversando com uma das meninas quando senti uma tontura repentina.No começo, achei que fosse apenas o calor. O baile estava lotado, a música parecia fazer o chão vibrar e o ar estava pesado. Levei a mão à testa e pisquei algumas vezes, tentando afastar aquela sensação estranha.Mas não passou.Pelo contrário.Minha visão começou a ficar embaçada, as luzes se misturaram diante dos meus olhos e minhas pernas perderam a

  • Morro Acima   07

    Margareth “Meg”Minha mãe, com a ajuda de Samurai, logo finalizou a reforma da casinha onde havia vivido durante a infância. Pelo que Sarah me contava, Felipe tinha feito questão de garantir que nada faltasse para ela. A casa estava simples, mas bonita, com paredes recém-pintadas, móveis novos e um pequeno quintal.Eu deveria estar feliz por ela.E estava. De verdade.O problema era que, desde que tudo havia desmoronado, a nossa relação parecia ter se transformado em um campo minado. Cada conversa terminava em silêncio, cada tentativa de aproximação parecia esbarrar em alguma coisa que nenhuma de nós tinha coragem de dizer.Minha mãe estava diferente comigo.Ou talvez fosse eu quem estivesse diferente com ela.Às vezes, quando a encontrava, percebia um olhar distante, uma tristeza que ela tentava esconder e uma espécie de arrependimento que me machucava mais do que qualquer palavra.E eu comecei a pensar besteiras.Pensava que, se não tivesse engravidado de mim, talvez ela nunca tives

  • Morro Acima   06

    Margareth “Meg”Acordei naquela manhã no sofá da casa de Sarah. Não queria nem ver a minha cara horrível; tinha certeza de que estava com os olhos inchados e vermelhos, parecendo um baiacu.Minha cabeça doía, meu corpo parecia pesar uma tonelada e, para completar, eu tinha a sensação de que minha vida inteira havia sido jogada em um liquidificador e alguém apertara o botão na velocidade máxima.Meu pai era um fugitivo. Minha mãe estava tentando recomeçar a vida. Minha família, que até poucos dias atrás parecia ter tudo sob controle, agora estava no centro de um escândalo nacional.E eu?Eu ainda não sabia quem era sem o sobrenome Romano me abrindo portas.— Bom dia, amiga. Desculpa ter te deixado dormir aí, mas não queria te acordar e acabar deixando você sem sono. — Sarah disse, sentando-se ao meu lado.Virei o rosto para ela, tentando esboçar um sorriso.— Tudo bem, Sarah.Levantei-me devagar, ajeitando a blusa amassada que eu havia usado na noite anterior. Meu cabelo estava uma bag

  • Morro Acima   05

    Margareth "Meg"Acordei no dia seguinte com Sarah me sacudindo como se a casa estivesse pegando fogo.- Meg! Acorda!Resmunguei, puxando o cobertor por cima da cabeça.- Sarah, pelo amor de Deus, me deixa dormir. Se o mundo acabar, você me avisa depois.- Meg, eu estou falando sério!Havia algo diferente na voz dela. Não era a animação habitual, muito menos aquela impaciência que demonstrava quando queria me arrastar para alguma de suas ideias malucas.Abri os olhos lentamente.A expressão no rosto da minha melhor amiga fez meu sono desaparecer quase imediatamente.Ela estava pálida, com os olhos arregalados e o celular apertado entre os dedos.- O que aconteceu?Sarah engoliu em seco.- Vem comigo. Vem ver. Seu pai está na TV.Aquelas palavras foram como um balde de água fria.Sentei-me tão depressa que quase bati a cabeça na dela.- Como assim, meu pai está na TV?- Meg, só vem!Levantei da cama e saí correndo escada abaixo, sem nem me preocupar em ajeitar os cabelos ou trocar o pij

  • Morro Acima   04

    Margareth "Meg"Estava na sala assistindo um filme de terror com Sarah e Felipe, Felipe no meio de nós duas no sofá. Sarah dava pulos e gritinhos quando alguma cena dava medo, porém eu tentava me controlar, até o momento que grudei no braço de Felipe e ele deu risada.- Para que vocês insistem em assitir?- Eu não sei, vou para o quarto falar com o Simon. Vocês terminem o filme. - Sarah diz e sobe as escadas.- Acho que vou ser trocada nessas férias de novo. - Digo fazendo bico.- Você ainda tá com medo?- Eu? Não! Por que?- Você ainda está grudada no meu braço como um gatinho assustado.- Ah, desculpa! - Digo me afastando. - Acho que vou dormir, com fones de ouvidos pois não quero ter pesadelo só escutar aqueles dois.Me levanto rápido demais, tropeço nos travesseiros que estavam no chão e antes de cair, Felipe me segura e eu caio onde? Justo no seu colo.Olhos nos olhos, respiração ofegante, uma de suas mãos na minha cintura, a outra segurando meu braço. Aqueles segundos, pareceram

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