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Capítulo 101

Author: Dona Morena
last update publish date: 2026-11-03 03:20:47

Mary Anne

Eu encontrei o lugar por acaso.

Estava andando pela parte mais antiga da cidadezinha perto do vinhedo, câmera pendurada no pescoço, quando vi a placa discreta de aluguel na fachada de pedra. A porta de madeira era alta, descascada em alguns pontos, e as janelas grandes deixavam a luz da tarde entrar de um jeito que me fez parar no meio da calçada. Entrei. O cheiro de madeira velha e poeira fina subiu. O pé-direito era alto. As paredes de tijolo aparente tinham marcas de tempo. Havia
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  • My Daddy - O conto de Mary e Clarke    Capítulo 104

    Mary AnneAs três semanas passaram mais rápido do que eu imaginava. No dia seguinte à nossa decisão, Clarke ligou para o empreiteiro de confiança da região antes mesmo do café. Eu já estava com um caderno aberto na mesa da cozinha da villa, fazendo listas: o que levar da casinha antiga, o que comprar novo, o que deixar na casa grande. Ele apareceu atrás de mim, ainda de roupão, e beijou o topo da minha cabeça. — Você não dormiu direito. — Estou muito animada.A reforma da casinha começou dois dias depois. Combinamos de não mexer na estrutura. As paredes de pedra ficaram. O telhado também. Só trocamos o que era necessário para deixá-la nossa sem apagar o que ela tinha sido para Clarke. A cozinha pequena ganhou bancada nova de madeira clara e eletrodomésticos discretos. O quarto recebeu uma cama de casal boa, lençóis de linho e uma janela que eu insisti em deixar sem cortina pesada para a luz da manhã entrar inteira. A sala ganhou um sofá confortável demais para o tamanho do côm

  • My Daddy - O conto de Mary e Clarke    Capítulo 103

    Mary AnneEu puxei Clarke pela mão até a casa principal da vila sem dar explicação. Ele veio atrás, ainda com a camiseta grudada no corpo pelo calor da tarde, o olhar curioso e um pouco desconfiado. Na entrada eu tirei o chinelo e deixei do lado de fora. O chão frio de pedra subiu pelos pés. Clarke fez o mesmo, mais por imitação do que por hábito. Comecei a andar. A sala era ampla, com sofás largos e uma lareira de pedra que eu já tinha imaginado acesa no inverno. A cozinha americana se abria logo em seguida, bancada longa, janelas enormes que engoliam a vista dos vinhedos. A sala de jantar vinha depois, mesa de madeira clara que facilmente caberia dez pessoas. Eu passava a mão pelas paredes enquanto andava, sentindo a textura, a temperatura, a história. Clarke me seguia em silêncio. Não perguntava nada. Só observava a minha excitação com aquele jeito dele de quem já estava montando hipóteses na cabeça. Subimos as escadas. A suíte principal tinha uma varanda estreita de onde

  • My Daddy - O conto de Mary e Clarke    Capítulo 102

    Mary Anne O sol ainda estava alto quando eu decidi que a piscina precisava de música. Clarke estava sentado na beira, pernas dentro d’água, um copo de água com limão na mão, me observando com aquele meio sorriso que ele usava quando eu começava a ficar perigosa. Eu já tinha tomado dois coquetéis frutados, o segundo bem mais forte que o primeiro e o corpo inteiro pedia movimento. Coloquei uma playlist eletrônica no alto-falante portátil, subi no deck e comecei a dançar só de biquíni. — Mary… — Shhh me deixa. Ele riu baixo, sacudindo a cabeça. — Você está alta. — Estou feliz. Tem diferença. Eu rebolava, levantava os braços, sentia o suor misturar com as gotas de água que ainda escorriam da última vez que tinha mergulhado. Clarke não tirava os olhos. De vez em quando soltava uma risada curta, daquelas que vinham do peito. Eu sabia o que ele pensava: eu precisava gastar energia. Sempre precisei. E ele já devia estar mentalmente procurando alguma boate aberta na regi

  • My Daddy - O conto de Mary e Clarke    Capítulo 101

    Mary AnneEu encontrei o lugar por acaso. Estava andando pela parte mais antiga da cidadezinha perto do vinhedo, câmera pendurada no pescoço, quando vi a placa discreta de aluguel na fachada de pedra. A porta de madeira era alta, descascada em alguns pontos, e as janelas grandes deixavam a luz da tarde entrar de um jeito que me fez parar no meio da calçada. Entrei. O cheiro de madeira velha e poeira fina subiu. O pé-direito era alto. As paredes de tijolo aparente tinham marcas de tempo. Havia um mezanino pequeno no fundo e o chão de tábuas largas rangia sob os pés. Fiquei parada no centro do salão vazio por um longo tempo. Não era moderno. Não era clean. Não tinha o branco impecável que a maioria dos estúdios de fotografia tentava ter. Mas a luz… a luz era perfeita. Entrava pelas janelas altas e se espalhava sem agressividade. Eu já enxergava os fundos, as luzes, as fotos penduradas, o cheiro de café no canto. Liguei para o Júnior ali mesmo. Ele atendeu na terceira chamada,

  • My Daddy - O conto de Mary e Clarke    Capítulo 100

    Clarke BellomoO carro ainda estava quente quando estacionamos na villa. Mary desceu primeiro, tirou os saltos ainda no hall e subiu as escadas sem dizer quase nada. Eu fiquei alguns segundos olhando a porta fechada atrás de mim, o eco das palavras dela ainda girando na cabeça. "Eu casei com você. Todos os dias. Inclusive hoje.""Clarke vai saber de cada palavra.""Eu não escondo nada dele. Nunca."Subi atrás dela. Encontrei-a no quarto, já de camiseta larga, o cabelo curto bagunçado pelos próprios dedos. Ela estava na frente do espelho tirando o brinco. Quando nossos olhares se encontraram no reflexo, ela ergueu uma sobrancelha. — Você está com cara de quem ainda está processando a raiva.— Estou. Deixei a gravata sobre a cadeira e me aproximei por trás. As mãos foram direto para a cintura dela. O cheiro de perfume e de final de tarde em Florença ainda estava na pele. — Você o demoliu sem levantar a voz. — Eu só fui clara. — Foi mais do que clara. Foi cirúrgica. Ma

  • My Daddy - O conto de Mary e Clarke    Capítulo 99

    Mary AnneA oportunidade que Alessandro Moretti esperava apareceu numa sexta-feira, quase no final da tarde. Clarke tinha sido chamado para uma videoconferência de última hora com os importadores da Alemanha. O escritório temporário que ele usava em Florença ficava no segundo andar de um prédio antigo. Eu tinha ido junto só para não ficar sozinha na villa e aproveitar para revisar as fotos da próxima exposição num café perto. Quando a reunião se alongou, mandei mensagem dizendo que esperaria no hall. Foi ali que Alessandro me encontrou. Ele desceu as escadas com a pasta debaixo do braço, o terno ainda impecável depois de um dia inteiro. Ao me ver sentada no sofá de couro perto da recepção, o passo dele desacelerou. O sorriso apareceu rápido demais para ser espontâneo. — Senhora Bellomo. Que bela coincidência. Não era coincidência. Eu sabia. Ele tinha visto o carro de Clarke na frente e deduzido. — Alessandro, como vai?Levantei o olhar do celular, mas não me levantei. Ele

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