LOGINAos poucos, Carolina acordou e foi se dando conta do ambiente, estranhando onde estava, até que caiu em si que estava viva, mas não em seu corpo e nem no seu bairro.
Ela não se levantou, sentiu o corpo pesado e deixou as memórias do corpo hospedeiro lhe contar o que precisava saber. Percebeu que este corpo foi envenenado, sentia o veneno debilitando-a. Pelas lembranças, a jovem foi atacada de surpresa, quando mexia em grandes lixeiras de laboratório. — Então, ela não vive aqui, foi largada neste lugar para morrer e deve ter morrido. — Um estalo em sua cabeça a alertou e ouviu uma voz eletrônica. “ Olá, Dra Carolina, sou o operador da sua transferência.” — O quê? Você está dentro da minha cabeça? “ Sim, mas não fale em voz alta. A doutora ainda tem muita coisa para fazer neste mundo, por isso a transferimos no momento exato em que seu corpo perdeu a vida e a colocamos neste corpo, um segundo antes de falecer.” Sua alma havia saído do corpo antes dela falecer por completo e quando isso ocorreu, foi o momento em que foi atraída como um ímã para aquele corpo. “ Por que me encaixaram justo no corpo desta jovem que parece uma mendiga fedida? ” “ Você descobrirá depois que curar este corpo e descobrir o que ela fazia e como vivia, será sua primeira missão. Agora, para iniciar sua nova vida, receberá um cartão bancário com saldo suficiente para iniciar. Use-o, você sabe o que fazer.” “ Você estará sem…” Não teve tempo de terminar a frase. Ouviu uma estática, percebendo que, seja lá quem fosse, já tinha ido embora. Ainda deitada, sentiu o corpo fraco, enfiou a mão no bolso da roupa suja e encontrou o cartão mencionado. Virou o rosto para olhar a rua, de onde vinha o som do movimento de carros passando e viu que do outro lado da rua tinha um comércio. Era madrugada e só uma farmácia estava aberta. Era o que precisava, por isso se esforçou, apoiou-se na base do viaduto que passava sobre o local onde estava e ergueu aquele corpo prejudicado. Firmando-se sobre os pés, experimentou dar um passo após o outro, até alcançar a rua. Não foi difícil atravessar, o movimento naquela hora era fraco e conseguiu chegar à farmácia. Debruçou sobre o balcão e pediu ao balconista: — Por favor, preciso deste medicamento. — pegou uma caneta que estava sobre o balcão e anotou o nome no verso de um panfleto que também estava ali. — Tem como pagar, esse remédio é caro… O atendente calou-se ao ver o cartão que ela apresentou sobre o balcão. Foi correndo buscar o antídoto para veneno de rato, percebendo que ela não estava bem. Carolina injetou o medicamento em si mesma, surpreendendo o atendente e quase imediatamente, sentiu o efeito em seu corpo. — Obrigada, fui envenenada, mas ficarei bem. — agradeceu, principalmente por ele não a ter rejeitado por sua aparência e cheiro. — De nada, se cuida. Ela pegou o cartão e saiu andando lentamente da farmácia, conforme seu corpo melhorava, sua mente ficava mais lúcida e foi assim que ela lembrou onde a jovem morava, ou melhor, se escondia e foi na direção do pequeno apartamento. Era naquelas redondezas mesmo, andou por várias ruas e entrou em um beco, chegando à entrada que dava nos apartamentos na sobreloja. Pegou a chave sobre o batente da porta e entrou, vendo que o lugar era bem simples, mas estava limpo, totalmente diferente de seu corpo. — Então, é como eu imaginava, essa aparência de mendiga é só um disfarce. As memórias foram chegando e ela se aproximou da parede no fundo da sala, onde tinha um painel de informações com fotos, reportagens de jornais e impressos de computador. — Carolina Gordon, jovem de família rica, noiva do jovem empresário e herdeiro da família Pacheco, que está em coma a três meses sem que identifiquem a causa. O mesmo nome que eu, facilita. “ Então é isso, ela estava investigando as farmacêuticas e clínicas que se opunham às empresas dos Pacheco. Olhando este painel, ela já tinha encontrado muita coisa e por essas linhas cruzadas, parece que chegou a nossa empresa.” Conforme observava, Carolina notou algo estranho: as datas. Toda a investigação parava em uma data específica, duas semanas antes da sua morte. — Será que voltei quatro semanas no tempo? Se for assim, eu posso impedir a minha morte. Dêêhn O som de estática soou em sua cabeça e a voz que lhe falou anteriormente, voltou a falar: “ Você não poderá voltar, em todas as tentativas que fizemos de retorná-la ao seu eu do passado, você morria do mesmo jeito, não tem volta, é assumir essa identidade ou morrer novamente.” Foi embora com o som da estática e Carolina bateu com os dois pés no chão, resmungando. Estava indignada com aquela situação, porque voltou se não podia assumir sua vida e ficar com suas conquistas? A não ser que… Elaborou um pensamento e foi tomar um banho e limpar a sujeira e o mau cheiro do corpo que suou a toxina venenosa. Precisava ver como era a aparência de Carolina Gordon, para começar a pensar em si como ela. Depois do banho, sentiu-se outra pessoa e até o seu ânimo mudou. Secou-se e procurou uma roupa no armário. Sentiu nojo de colocar roupas íntimas de outra pessoa, mas pelo menos elas eram novas e limpas. — Parecem caras e devem ser, já que ela não pertence a este lugar, tudo é um disfarce. Pensarei nisso depois de dormir, estou exausta. Dormiu, o dia amanheceu e no escritório da diretoria dos Pacheco, duas pessoas conversavam, um deles era imponente e tomava uma xícara de café, olhando através da vidraça que cobria toda a parede e tinha uma visão privilegiada do centro da cidade. — O serviço foi executado com precisão, CEO Vasconcelos, logo teremos notícias. — Excelente, pode ir. — falou e em seus pensamentos, regozijou-se : “ Pirralha maldita, você nunca mais atrapalhará meus planos. Rafael precisa continuar naquele estado vegetativo até eu conseguir controlar tudo. ” Dominick Vasconcelos era o filho bastardo do atual presidente da empresa, Alan Pacheco e irmão mais velho de Rafael Pacheco. Carregava o nome da mãe, pois o pai nunca o assumiu como filho, mas o avô reconheceu seu esforço e deu-lhe o cargo na empresa. Porém, Dominick não se contentava em ficar na sombra do irmão, que embora mais novo, estava no auge sendo preparado para assumir a presidência da Intercorp, a grande subsidiária da Empresa Farmacêutica Pacheco.Três anos depois “ Parabéns hospedeira, você conseguiu quebrar a maldição familiar que passou do pai para os filhos. Você é a única que dará descendência ao Gustavo Gordon e os outros amigos, não terão descendentes, interrompendo o ciclo de crimes que passariam através das gerações.” Carolina não esperava por mais mensagens do operador e tinha até esquecido da investigação sobre o “sistema do céu”. ” Por que você apareceu agora? Não estava tudo concluído? ” “ Depois de muitas discussões, o sistema te concedeu o benefício de conhecer os segredos deste caso e manter as memórias referentes ao trabalho da antiga dona.” “ Então, você vai me contar o por que me enviaram para esse corpo? ” “ Sim. Também voltei agora, por causa da morte do Ferreira. Ele se “suicidou” na prisão e por ser o principal e mais criminoso dos três, o caso pode ser encerrado. Quanto a sua pergunta, não entendemos como,mas a antiga dona desse corpo, em sua invasão e passeio pelos
Carolina entendeu o principal motivo de Helena estar ali, não era por amor nem consideração, era pela própria necessidade de manter o controle sobre o patrimônio da família. Percebendo isso, não teve dúvidas em declarar: — Não quero ter nenhum contato com nada que envolva aquele trio maligno. Agora eu sei o porquê do mal estar que sentia quando estava próximo a ele e na empresa. O mal sempre deixa seu rastro. Obrigada por ter vindo, perdoe-me por não convidá-la para ficar. Helena compreendeu, virou-se e de cabeça baixa e ombros caídos retirou-se sem olhar para trás. A comemoração continuou e quando todos se despediram, Charles pegou sua esposa no colo e levou-a para o carro, onde o motorista levou os para um hotel cinco estrelas, presenteado pelo delegado para passarem a lua de mel. O resultado do julgamento saiu e não era outro senão a condenação dos réus. Passados alguns dias, Ferreira foi preso e a condenação ocorreu a revelia de sua presença. Os três não se en
Carolina parou ao ouvir o grito e perguntou para o homem raivoso: — O que você quer agora, Dominick? — Por que não me contou que estava grávida? — Não preciso lhe dar satisfação da minha vida. — Como não? É o meu filho que você está gerando e precisamos casar o quanto antes. Ele segurou o braço dela com força e tentou arrastá-la para seu carro, mas ela com um Safadão jogou no chão. Nem ela mesma acreditou na força que tinha, mas ficou satisfeita ao vê-lo caído. Charles tomou a dianteira e ficou na frente dela, vendo o homem humilhado levantar-se e voltar a reclamar. — Saia da frente, ela é minha noiva e está grávida do meu filho, que direito você tem de ficar na minha frente? — Não se iluda, este filho é meu e não seu. Já demos entrada no pedido de casamento e em breve faremos a cerimônia. Dominick ficou mudo por um instante, não tinha cabimento sua noiva estar casando com o segurança. Ele a possuiu primeiro, foi seu primeiro a
Como Carolina estava sentada em uma poltrona, ele sentou-se no sofá de frente a ela e a fitava com intensidade, até que Charles parou atrás dela e pousou as duas mãos no rosto do sofá, encarando com seriedade, quase como uma ameaça. — É bom esclarecermos logo este assunto, não estamos noivos o acordo entre nossos pais está cancelado, principalmente agora que eles foram presos por abuso e assassinato. Você acha mesmo que vou casar com alguém que tentou me assassinar e é filho de um assassino? Dominique arregalou os olhos, não sabia que ela tinha conhecimento do processo que envolvia o seu pai. Pensando bem, analisando de fora, sua família era toda miserável. Rafael foi preso em uma clínica psiquiátrica por ser mafioso, seu pai por ter cometido vários crimes, entre ele abusar de mulheres e assassinar um estudante da faculdade. Apesar de não haver provas, ele promoveu o assassinato de Carol quando ela começou a investigar a situação de Rafael e sentia-se um criminoso
Charles percebeu que ela ficou estática, sem saber o que pensar vou sentir e abraçou-a com carinho, deixando-a descansar em seu peito, ouvindo o batimento do seu coração. — Calma, amor, é só um bebê… Ela começou a chorar, totalmente impactada com a notícia, principalmente porque não tinha notado nada de diferente em seu corpo, sentiu-se uma estúpida. Quando as lágrimas secaram, decidiu fazer o teste e ergueu-se do colo dele, falando: — Preciso ter certeza. — Sim, claro. Já pedi na farmácia alguns testes de gravidez, devem estar chegando. Ainda desnorteada, ela olhou para ele com incredulidade, perguntando-se como ele descobriu que ela estava grávida, se nem ela percebeu. Fez os seus cálculos rapidamente, percebendo o que ele já tinha percebido: ela não menstruou naquele mês. Sentiu novamente aquele incômodo no estômago e era o sinal clássico de gravidez. Se ela realmente está grávida, quem seria o pai? Podia bem ser Dominick. Com este pensamento,
As investigações continuaram, complexas, pois o material a investigar era muito e vasto em informações. O delegado Amaury e sua equipe fizeram a conexão entre os achados no quarto secreto da mansão, as informações e documentos enviados pela Dra Carolina Ferreira e a exumação dos corpos. Era tudo muito mais complicado do que Amaury esperava e exigiria mais tempo. Tomou a atitude de vigiar os passos das três famílias envolvidas. A morte de Erick e Pâmela foi passada para outra equipe de investigação e a empresa Ferreira sem o Presidente e o CEO, estava sem rumo, ninguém queria ou tinha autorização para resolver os problemas maiores. Dominick corria atrás de Carol que sumiu e ninguém sabia de seu paradeiro. Gustavo também tentou encontrar a filha, mas Charles, que sempre o manteve informado, estava desconectado. A falta de informações de Charles, ao mesmo tempo que o deixaram preocupado, também lhe deu a certeza de que ele continuava cuidando de sua filha. Michel estava







